As entrelinhas e o momento político de Toledo
Às
vésperas do lumiar de um novo ano, em que começarão a serem costuradas as
alianças já visando à eleição municipal de 2020, a situação política em Toledo
está um tanto conturbada, evidenciada com a fragmentação da base de sustentação
do governo e a consequente perda do comando da Câmara Municipal. É uma fase que
precisa ser analisada além das entrelinhas, ou seja, daquilo que parece exposto.
Há em curso um intrincado jogo de bastidores que começará a delinear mudanças
que vêm por aí.
A
eleição do vereador Antônio Sérgio de Freitas, o “Zóio” para a presidência do
Legislativo é apenas mais um componente de uma engrenagem que não está mais
“azeitada” como diz o ditado popular.
Especialmente
no pós-eleição, ficou evidente que não é mais conveniente convidar para a mesma
mesa o deputado estadual e deputado federal eleito José Carlos Schiavinato (PP)
e o vice-prefeito Tita Furlan (PV). Schiavinato atribuiu com todas as letras a
culpa da não eleição de Natan Sperafico à candidatura de Tita, que fez
significativa votação e, na interpretação de lideranças do PP, inviabilizou a
continuidade da representação toledana na Assembleia Legislativa. O restante da
história com a versão de Tita de que a história não é bem assim, todos já
conhecem.
Em
paralelo ao desastre eleitoral que atingiu Toledo e de quebra todo o Extremo
Oeste, com apenas um deputado estadual eleito – Marcel Micheletto (PR),
adicione-se o período de intensas dificuldades do prefeito Lúcio de Marchi.
Embora o município esteja com as contas em dia e o chefe da Casa Civil do
Governo do Estado, deputado federal licenciado Dilceu Sperafico, e Schiavinato
tenham obtido muitos milhões em recursos federais e estaduais em apoio ao
governo progressista, a atual gestão sabe que precisa trabalhar muito para
melhorar a sua imagem pública, prejudicada por uma série de fatores. Entre eles,
a dificuldade de cumprir a maior de todas as propostas de campanha, que é abrir
o Hospital Regional, e o famigerado limite prudencial que barra muitas iniciativas.
Ou
seja: as vistosas obras já encaminhadas, como a conclusão das intervenções no
aeroporto, o recapeamento previsto de praticamente toda a cidade, as reformas
nas unidades de saúde, etc., não estão sendo suficientes para aplacar a ânsia popular
por algo a mais na atual gestão.
Isso
tudo deverá resultar numa reforma administrativa em janeiro próximo, segundo o
próprio prefeito afirmou ao editor do Viver Toledo. “Não faz sentido fazer
mudanças agora”, disse-me, há poucos dias.
E
aí entra outro componente: a desfiliação de várias lideranças do PDT ao que
parece tem a ver com um intrincado jogo de xadrez que tem tudo a ver a
recomposição do governo e provavelmente a estruturação de uma base do
governador eleito Ratinho Junior. E assim, sendo, não será surpresa se nomes
como os de Lídio Michels, Ascânio Buztge e Mauri Refatti começarem 2019 de
volta ao Poder Público.
O
vereador Antônio Sergio de Freitas, o "Zóio" foi eleito presidente da
Câmara na manhã de segunda-feira (17), com 11 votos contra 8 de Vagner Delabio.
Especula-se uma série de conjecturas para esse resultado, teorias diversas que
o tempo dirá se elas realmente procedem.
Para
vice-presidente foi eleito Gabriel Baierle; segundo vice Marcos Zanetti; primeiro
secretário Leoclides Bisognin e segundo secretário Valtencir Careca de Brito.
Zanetti já disse que renunciará tão logo seja empossado.
Como
se vê, as entrelinhas escondem muito.
*
Wanderley Graeff é editor do Viver Toledo
Viver
News – Wanderley Graeff
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