18/12/2018

As entrelinhas e o momento político de Toledo



Às vésperas do lumiar de um novo ano, em que começarão a serem costuradas as alianças já visando à eleição municipal de 2020, a situação política em Toledo está um tanto conturbada, evidenciada com a fragmentação da base de sustentação do governo e a consequente perda do comando da Câmara Municipal. É uma fase que precisa ser analisada além das entrelinhas, ou seja, daquilo que parece exposto. Há em curso um intrincado jogo de bastidores que começará a delinear mudanças que vêm por aí.

A eleição do vereador Antônio Sérgio de Freitas, o “Zóio” para a presidência do Legislativo é apenas mais um componente de uma engrenagem que não está mais “azeitada” como diz o ditado popular.

Especialmente no pós-eleição, ficou evidente que não é mais conveniente convidar para a mesma mesa o deputado estadual e deputado federal eleito José Carlos Schiavinato (PP) e o vice-prefeito Tita Furlan (PV). Schiavinato atribuiu com todas as letras a culpa da não eleição de Natan Sperafico à candidatura de Tita, que fez significativa votação e, na interpretação de lideranças do PP, inviabilizou a continuidade da representação toledana na Assembleia Legislativa. O restante da história com a versão de Tita de que a história não é bem assim, todos já conhecem.

Em paralelo ao desastre eleitoral que atingiu Toledo e de quebra todo o Extremo Oeste, com apenas um deputado estadual eleito – Marcel Micheletto (PR), adicione-se o período de intensas dificuldades do prefeito Lúcio de Marchi. Embora o município esteja com as contas em dia e o chefe da Casa Civil do Governo do Estado, deputado federal licenciado Dilceu Sperafico, e Schiavinato tenham obtido muitos milhões em recursos federais e estaduais em apoio ao governo progressista, a atual gestão sabe que precisa trabalhar muito para melhorar a sua imagem pública, prejudicada por uma série de fatores. Entre eles, a dificuldade de cumprir a maior de todas as propostas de campanha, que é abrir o Hospital Regional, e o famigerado limite prudencial que barra muitas iniciativas.

Ou seja: as vistosas obras já encaminhadas, como a conclusão das intervenções no aeroporto, o recapeamento previsto de praticamente toda a cidade, as reformas nas unidades de saúde, etc., não estão sendo suficientes para aplacar a ânsia popular por algo a mais na atual gestão.
Isso tudo deverá resultar numa reforma administrativa em janeiro próximo, segundo o próprio prefeito afirmou ao editor do Viver Toledo. “Não faz sentido fazer mudanças agora”, disse-me, há poucos dias.

E aí entra outro componente: a desfiliação de várias lideranças do PDT ao que parece tem a ver com um intrincado jogo de xadrez que tem tudo a ver a recomposição do governo e provavelmente a estruturação de uma base do governador eleito Ratinho Junior. E assim, sendo, não será surpresa se nomes como os de Lídio Michels, Ascânio Buztge e Mauri Refatti começarem 2019 de volta ao Poder Público.

O vereador Antônio Sergio de Freitas, o "Zóio" foi eleito presidente da Câmara na manhã de segunda-feira (17), com 11 votos contra 8 de Vagner Delabio. Especula-se uma série de conjecturas para esse resultado, teorias diversas que o tempo dirá se elas realmente procedem.

Para vice-presidente foi eleito Gabriel Baierle; segundo vice Marcos Zanetti; primeiro secretário Leoclides Bisognin e segundo secretário Valtencir Careca de Brito. Zanetti já disse que renunciará tão logo seja empossado.

Como se vê, as entrelinhas escondem muito.


* Wanderley Graeff é editor do Viver Toledo

Viver News – Wanderley Graeff
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