Toledo tem história de vanguarda na educação regional
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| Oscar Silva: um homem à frente do seu tempo |
Há
55 anos, chegava à região uma família que faria história, inserindo-se de forma
indelével na cultura do Oeste do Paraná. Numa terra onde predominavam os migrantes
de estados sulistas, um nordestino das Alagoas trazia a sua contribuição na
formação cultural da nossa gente. Era Oscar Silva, que chegava para assumir a
Coletoria da Receita Federal, recém criada em Cascavel, transferido de
Mantena-MG.
Oscar
Silva deixou como legado a contribuição para o enriquecimento da cultura
regional através dos inúmeros livros que escreveu e da participação ativa nos
movimentos culturais e políticos.
Mesmo
autodidata, foi um homem à frente do seu tempo, que ao chegar a Cascavel, se
deparou com a precariedade do sistema educacional. A cidade contava apenas com o
Colégio Estadual Wilson Joffre e o Colégio Marista preparava a sua instalação.
Sem
vagas para os filhos, Oscar optou por instalar a residência em Toledo, que já
possuía educandários de referência. Os meninos foram matriculados no Colégio La
Salle, enquanto as meninas frequentavam o Colégio Incomar.
É
um dos filhos de Oscar Silva, o professor aposentado, ex-bancário, ex-vereador
e jornalista Pitágoras da Silva Barros quem conta essa história em entrevista
ao Viver Toledo. (Veja vídeo)
Uma
das muitas homenagens prestadas a Oscar Silva ocorreu em 16 de janeiro de 2015,
quando foi comemorado o seu centenário de nascimento.
A trajetória de Oscar Silva
Também
conhecido por “Pau-de-Arara” e “Velho Guerreiro”, nasceu em Santana do Ipanema
(Alagoas), em 16 de janeiro de 1915. Como integrante da Polícia Militar, tomou
parte no combate ao banditismo então sob chefia do Lampião (Virgulino Ferreira
da Silva).
Em
1945 ingressou no Serviço Público Federal como postalista dos Correios e
Telégrafos. No mesmo ano passou para o Ministério da Fazenda como Escrivão da
Coletoria Federal – mesmo não possuindo sequer primário, alcançou excelente
nota – após meses de estudo autodidata madrugada adentro, pois de dia dava
expediente nos Correios.
Ainda
em 1945 iniciou suas atividade literárias com a publicação do livro “Asas para
o Pensamento”. Atuante político, foi suplente de deputado estadual por Alagoas
pelo Partido Comunista Brasileiro, ficando preso em 1947 quando da cassação do
registro daquele partido. Em 1954 foi eleito vereador pelo PTB de Coronel
Fabriciano-MG, passando a liderar a bancada.
Morou
e sempre foi ativo na participação política das cidades mineiras de Coronel
Fabriciano, Resplendor e Mantena (onde foi nomeado Coletor Federal). Veio para
Toledo em 1963, apesar de sua transferência ter saído para Cascavel, por ter
sido, conforme ele mesmo costumava dizer, “amor à primeira vista”.
Em
1967 foi um dos fundadores do antigo MDB toledano e, no ano seguinte, foi
eleito como o primeiro presidente da APM do Colégio La Salle. Afastado – em
disponibilidade – da Coletoria Federal, Oscar Silva ingressou nos quadros da
Coopagro, onde exerceu o cargo de chefe de pessoal, de 1970 a 1973. A partir de
1976, por convite do então presidente da Câmara Municipal, Ivo Roque Pedrini,
assumiu a diretoria geral do Legislativo por dois anos e meio.
Ativo
militante da imprensa, foi redator-chefe dos jornais “A Voz do Oeste” e “Nova
Geração”, sendo ainda colaborador dos jornais “Hoje” e “O Paraná” de Cascavel.
No campo literário publicou os livros “Água do Panema” (romance de costumes
nordestinos), “Semente de Paraíso” (peça teatral sobre cooperativismo), “Sete
Caras” (contos) e “Toledo Existe” (crônicas).
Como
gerente do Projeto História de Toledo, desde 1983, coordenou a elaboração e
publicação dos livros: “Toledo: Terra e o Homem”, “Cartilha de Toledo”, “Toledo
e seus Distritos” e “Toledo e sua História”. No prelo (diz-se do livro que se
acha na tipografia, prestes a ser publicado), deixou ainda o livro de memórias:
“Eu vi os Pedaços de Lampião”.
Na
vida política toledana vale destacar os 45 dias que assumiu como vereador, pela
legenda do MDB onde era suplente. Nesses poucos dias, foi o vereador mais
produtivo daquela Legislatura, proporcionalmente aos demais.
Em
Toledo passou pela experiência de agropecuarista, construindo a então
fazenda-modelo “Santa Júlia”, não logrando, entretanto, êxito comercial, o que
é explicável, pois na época ainda não vicejava a cultura da soja e ele, pelo
seu exacerbado romantismo, deixou a atividade materialista da produção. Graças
a isso, Toledo perdeu um produtor, porém ganhou um cidadão dedicado
integralmente às causas culturais.
Membro
do Conselho Municipal de Cultura, desde sua criação em 1974, Oscar Silva
representou Toledo em congressos, simpósios e encontros de caráter cultural em
diversas praças do país.
Morou
sempre na mesma casa desde quando aqui chegou com sua numerosa família composta
da sua esposa Dona Gildanira e dos filhos Asclepíades, Sócrates, Pitágoras,
Júlia, Aristóteles, Astrogildo, Gildete, Gilsônia e Arquimedes.
Amou
tanto este torrão paranaense que a sua maior preocupação era a de morrer longe
daqui, o que o levava a pedir sempre aos filhos e à esposa que, caso isso
ocorresse, queria ser enterrado – como seu último desejo – em meio aos seus
amigos pioneiros toledanos.
Oscar
Silva faleceu no dia 10 de setembro de 1991 e repousa, como sempre desejou,
entre velhos companheiros de lutas toledanas.
Viver
News – Wanderley Graeff
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