02/01/2019

Toledo tem história de vanguarda na educação regional

Oscar Silva: um homem à frente do seu tempo

Há 55 anos, chegava à região uma família que faria história, inserindo-se de forma indelével na cultura do Oeste do Paraná. Numa terra onde predominavam os migrantes de estados sulistas, um nordestino das Alagoas trazia a sua contribuição na formação cultural da nossa gente. Era Oscar Silva, que chegava para assumir a Coletoria da Receita Federal, recém criada em Cascavel, transferido de Mantena-MG.

Oscar Silva deixou como legado a contribuição para o enriquecimento da cultura regional através dos inúmeros livros que escreveu e da participação ativa nos movimentos culturais e políticos.

Mesmo autodidata, foi um homem à frente do seu tempo, que ao chegar a Cascavel, se deparou com a precariedade do sistema educacional. A cidade contava apenas com o Colégio Estadual Wilson Joffre e o Colégio Marista preparava a sua instalação.

Sem vagas para os filhos, Oscar optou por instalar a residência em Toledo, que já possuía educandários de referência. Os meninos foram matriculados no Colégio La Salle, enquanto as meninas frequentavam o Colégio Incomar.

É um dos filhos de Oscar Silva, o professor aposentado, ex-bancário, ex-vereador e jornalista Pitágoras da Silva Barros quem conta essa história em entrevista ao Viver Toledo. (Veja vídeo)

Uma das muitas homenagens prestadas a Oscar Silva ocorreu em 16 de janeiro de 2015, quando foi comemorado o seu centenário de nascimento.



A trajetória de Oscar Silva
Também conhecido por “Pau-de-Arara” e “Velho Guerreiro”, nasceu em Santana do Ipanema (Alagoas), em 16 de janeiro de 1915. Como integrante da Polícia Militar, tomou parte no combate ao banditismo então sob chefia do Lampião (Virgulino Ferreira da Silva).

Em 1945 ingressou no Serviço Público Federal como postalista dos Correios e Telégrafos. No mesmo ano passou para o Ministério da Fazenda como Escrivão da Coletoria Federal – mesmo não possuindo sequer primário, alcançou excelente nota – após meses de estudo autodidata madrugada adentro, pois de dia dava expediente nos Correios.

Ainda em 1945 iniciou suas atividade literárias com a publicação do livro “Asas para o Pensamento”. Atuante político, foi suplente de deputado estadual por Alagoas pelo Partido Comunista Brasileiro, ficando preso em 1947 quando da cassação do registro daquele partido. Em 1954 foi eleito vereador pelo PTB de Coronel Fabriciano-MG, passando a liderar a bancada.

Morou e sempre foi ativo na participação política das cidades mineiras de Coronel Fabriciano, Resplendor e Mantena (onde foi nomeado Coletor Federal). Veio para Toledo em 1963, apesar de sua transferência ter saído para Cascavel, por ter sido, conforme ele mesmo costumava dizer, “amor à primeira vista”.

Em 1967 foi um dos fundadores do antigo MDB toledano e, no ano seguinte, foi eleito como o primeiro presidente da APM do Colégio La Salle. Afastado – em disponibilidade – da Coletoria Federal, Oscar Silva ingressou nos quadros da Coopagro, onde exerceu o cargo de chefe de pessoal, de 1970 a 1973. A partir de 1976, por convite do então presidente da Câmara Municipal, Ivo Roque Pedrini, assumiu a diretoria geral do Legislativo por dois anos e meio.

Ativo militante da imprensa, foi redator-chefe dos jornais “A Voz do Oeste” e “Nova Geração”, sendo ainda colaborador dos jornais “Hoje” e “O Paraná” de Cascavel. No campo literário publicou os livros “Água do Panema” (romance de costumes nordestinos), “Semente de Paraíso” (peça teatral sobre cooperativismo), “Sete Caras” (contos) e “Toledo Existe” (crônicas).

Como gerente do Projeto História de Toledo, desde 1983, coordenou a elaboração e publicação dos livros: “Toledo: Terra e o Homem”, “Cartilha de Toledo”, “Toledo e seus Distritos” e “Toledo e sua História”. No prelo (diz-se do livro que se acha na tipografia, prestes a ser publicado), deixou ainda o livro de memórias: “Eu vi os Pedaços de Lampião”.

Na vida política toledana vale destacar os 45 dias que assumiu como vereador, pela legenda do MDB onde era suplente. Nesses poucos dias, foi o vereador mais produtivo daquela Legislatura, proporcionalmente aos demais.

Em Toledo passou pela experiência de agropecuarista, construindo a então fazenda-modelo “Santa Júlia”, não logrando, entretanto, êxito comercial, o que é explicável, pois na época ainda não vicejava a cultura da soja e ele, pelo seu exacerbado romantismo, deixou a atividade materialista da produção. Graças a isso, Toledo perdeu um produtor, porém ganhou um cidadão dedicado integralmente às causas culturais.

Membro do Conselho Municipal de Cultura, desde sua criação em 1974, Oscar Silva representou Toledo em congressos, simpósios e encontros de caráter cultural em diversas praças do país.

Morou sempre na mesma casa desde quando aqui chegou com sua numerosa família composta da sua esposa Dona Gildanira e dos filhos Asclepíades, Sócrates, Pitágoras, Júlia, Aristóteles, Astrogildo, Gildete, Gilsônia e Arquimedes.

Amou tanto este torrão paranaense que a sua maior preocupação era a de morrer longe daqui, o que o levava a pedir sempre aos filhos e à esposa que, caso isso ocorresse, queria ser enterrado – como seu último desejo – em meio aos seus amigos pioneiros toledanos.

Oscar Silva faleceu no dia 10 de setembro de 1991 e repousa, como sempre desejou, entre velhos companheiros de lutas toledanas.
 

Viver News – Wanderley Graeff
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