Lixo vira crise política e caso de polícia
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| Veículo da Prefeitura na coleta do lixo nesta quarta-feira |
O
atraso no repasse do valor correspondente ao vale alimentação dos trabalhadores
da empresa responsável pela coleta do lixo orgânico de Toledo deflagrou mais
que uma crise que poderia representar problemas à saúde da população, que
afinal foi resolvida com a louvável atitude da administração, que mobilizou
integrantes do governo para a limpeza da cidade em pleno feriadão de Carnaval.
Secretários e ocupantes de cargos em comissão e servidores municipais assumiram a responsabilidade pela coleta do lixo que começava a se acumular
pela cidade.
O
que se vê no desdobramento do caso é tambem uma crise política de proporções
graves e um caso de polícia, com a constatação de que os caminhões da empresa
Transportec estavam circulando com placas adulteradas.
No
plano político a polêmica se acirrou com questionamentos sobre a eficiência da
fiscalização do contrato de concessão do serviço pelo Poder Público. Houve
trocas de acusações envolvendo o vereador Ademar Dorfschmidt, o secretário de
Meio Ambiente Neudi Mosconi, que teria tentado impingir responsabilidades ao
vice-prefeito Tita Furlan, que dirigiu a Pasta no primeiro ano de gestão. Tita rebateu
de forma veemente através das redes sociais, postando vídeos de diálogos com os
trabalhadores em greve e afirmando que quando respondeu pela secretaria a
questão do lixo estava afeta à Secretaria de Habitação e Urbanismo.
Debate no Viver
O
grupo de whatsapp do Jornal Viver Toledo - onde estão assinantes, anunciantes,
lideranças empresariais e políticas, entre elas o prefeito Lucio de Marchi, o
vice Tita Furlan, secretários do governo, vereadores, deputados e inclusive o
governador Ratinho Junior - se transformou num dos centros do debate. O ex-prefeito
Beto Lunitti se manifestou lamentando o ocorrido como uma página lamentável da história
toledana. “Numa gestão não pode existir esta confusão... cada integrante de
governo tem de saber o que lhe cabe fazer. O que se constata, é que, ao invés
de utilizarem-se do tempo que tem pra governar e dar solução aos problemas,
ficam querendo achar culpados (aproveito pra resgatar fatos, já acompanhados
neste grupo, inclusive, culpando a gestão anterior, para justificar o não
cumprimento das promessas de campanha, vide caso do Hospital Regional). Tudo
isso soma-se ao lastimável episódio do lixo”.
Referindo-se
às brigas entre integrantes do governo, Beto Lunitti afirma que “Toledo não
merece isso” e ressaltando: “Não me venham dizer que sou oposição. Aqui é
assunto de defesa da nossa querida Toledo. Não lembro na história local de
vivenciarmos confrontos desta grandeza, dentro do mesmo grupo político”.
Houve
manifestações de empresários e ex-integrantes do governo. Entre eles, o ex-reitor
da Unioeste Carlos Piacenti, que teve rápida passagem pelo atual governo e que
fez pesadas acusações contra Mosconi: “Não tenho dúvidas de que o Lucio é uma
pessoa do bem. Tanto é que abusam dele. O Lucio tem o maior carinho por Toledo
e sua população, teria condições de fazer tal qual outros prefeitos uma
excelente gestão, e ele está realizando muita coisa boa, mas alguém lá dentro o
puxa para baixo, deixando somente transparecer aquilo que o atinge”.
Para
o vereador Vagner Delabio, “o Poder Público tem que fortalecer seu efetivo de
fiscalização. É necessário identificar o problema antes do sofrimento começar”.
Lamentando
as discussões políticas que envolvem o vice-prefeito Tita Furlan, o ex-vice
Adelar “Pelanka” Holsbach disse que em quatro anos ao lado de Beto Lunitti, “nunca
tivemos uma intriga ou discussão. Agradeço ao beto que me oportunizou ser
prefeito por exatos 103 dias”.
Por
sua vez, o empresário Charlles Ecke afirmou que “se as pessoas fossem mais
responsáveis não haveria tantos problemas. Cada um sabe o que tem que fazer e que
faça o melhor de si. Todos, independente de onde trabalham, recebem para isso.
Entção, mais responsabilidade e dedicação”, pregou.
O
prefeito Lucio, por sua vez, colocou esta quarta-feira como prazo limite para a
resolução da crise do lixo. Segundo ele, até o final da tarde, deverá ser
apresentada uma solução, salientando que os pagamentos à empresa estão em dia e
que todas as possibilidades estão sendo analisadas, inclusive a possibilidade
de rompimento do contrato com a Transportec e seu impacto sobre um serviço
essencial.

Viver News – Wanderley Graeff
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