Governo aceita negociar alterações na reforma da Previdência, diz Marinho
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| Marinho: Congresso é soberano (Marcelo Camargo/Agência Brasil) |
O
governo vai continuar a defender a proposta integral de reforma da Previdência,
mas as novas regras de aposentadoria rural e do Benefício de Prestação
Continuada (BPC) poderão ser suprimidas se a maioria dos parlamentares decidir.
A afirmação é do secretário de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, após
participar de reunião com deputados e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em
Brasília.
Marinho
afirmou que a “certamente a vontade soberana do Congresso Nacional se fará
ouvir e representar. Se a maioria assim entender, os itens serão suprimidos”,
disse, referindo-se ao BPC e à aposentadoria rural.
O
secretário disse ainda que o governo tem o compromisso de mostrar aos
parlamentares os números de economia previstos em cada item da reforma
proposta. “Temos um compromisso com o parlamento de, no início dos trabalhos da
Comissão Especial [que discutirá o projeto], abrirmos os números no
detalhamento. Até porque há interesse da sociedade de saber se determinada
concessão for feita, qual o custo que será resultante da concessão”, disse.
Segundo
o líder do PSD, André de Paula (PE), que também participou da reunião de hoje,
a retirada do BPC e da aposentadoria rural da reforma já é um ponto pacificado
da bancada. “Nós, na semana passada, junto com outros líderes – partidos que
somados têm mais de 290 deputados – formalizamos a nossa posição de apoio à
reforma da Previdência, mas que a aposentadoria rural e o BPC são pontos que
nós não vamos considerar”.
O
deputado Júlio César (PSD-PI) disse que a exclusão das novas regras do BPC e da
aposentadoria rural fará com que a resistência dentro do partido à aprovação da
reforma seja “muito pequena”.
André
de Paula afirmou que o partido não vai fechar questão para que todos os
deputados votem a favor da reforma.
O
líder do PSL na Câmara, major Vitor Hugo (GO), disse que ainda é cedo para se
falar em mudanças na proposta de reforma. “Não vamos fazer esse tipo de
concessão neste momento, é até prematuro", disse.
O
deputado acrescentou que o governo tem a intenção de “preservar o máximo
possível” do texto proposto. “Mas se a CCJ entender que há algo a ser cortado,
o governo vai se adaptar e vamos partir para a comissão de mérito, de acordo
com o que a CCJ decidir”.
O
deputado André de Paula afirmou que a orientação para os deputados do PSD é que
a votação na CCJ se restrinja à constitucionalidade a admissibilidade da
reforma. “O mérito será tratado na Comissão Especial e
posteriormente, no plenário”, disse.
Articulação
Segundo
Marinho, "o ministro Guedes está ouvindo os parlamentares dentro da área de seu
interesse. Até para que ele tenha uma percepção do sentimento do parlamento,
que representa a população brasileira, para ajustar as políticas que estão
sendo implementadas e apresentadas à população”, disse o secretário.
O
deputado André de Paula disse que a reunião foi feita a convite do ministro.
“Ele está inaugurando um novo momento. Ele vai fazer isso com várias bancadas. O ministro da Economia cumpre um papel fundamental e
insubstituível”, destacou.
Aprovação da reforma
Perguntado
sobre se há expectativa de aprovação da reforma da Previdência ainda neste
semestre na Câmara dos Deputados, Marinho disse que o cronograma será definido
pelo parlamento. “Ouvimos ontem a imprensa noticiar que o [presidente da Câmara
dos Deputados] Rodrigo Maia admite a possibilidade de que isso ocorra.
Certamente ele tem as informações a respeito do tema. Acredito que na hora em
que a Comissão de Constituição e Justiça se debruçar sobre o tema e definir sua
admissibilidade, o início do trabalho na Comissão Especial vai definir qual o
ritmo que o projeto vai tramitar”, disse Marinho.
Sobre
a ideia de parlamentares de apresentar a reforma tributária para tramitar junto
com a da Previdência, Marinho disse que a decisão será tomada juntamente com
líderes partidários e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi
Alcolumbre. “A reforma tributária é essencial. O Brasil tem uma carga
tributária alta e uma estrutura tributável inescrutável porque há uma
superposição de tributos, disputa entre os entes federados na distribuição
desses recursos”, destacou. (Kelly
Oliveira – Repórter da Agência Brasil - Brasília)
Viver News – Wanderley Graeff c/
assessoria
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