Os devedores do poder público no País e no exterior
Dilceu
Sperafico*
Os
combatentes de mudanças propostas por governantes, legisladores e lideranças
empresariais, estão deixando de lado importante alternativa para reequilibrar
as contas públicas do País, sem a necessidade de medidas ditas radicais, como a
reforma da previdência social.
Junto
com a possibilidade de cobrança de dívidas enormes de empresas e instituições
bancárias nacionais, poderiam citar como alternativa a recuperação de débitos
de nações estrangeiras, para a preservação dos atuais benefícios de aposentados
e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Se
grandes empresários e investidores brasileiros deveriam ter suas muitas dívidas
cobradas imediata e judicialmente pelo governo federal, especialmente
contribuições destinadas ao pagamento de aposentadoria aos trabalhadores, o
mesmo deveria ocorrer com outros países, igualmente em débito com o Tesouro
Nacional, sem demonstrar nenhuma preocupação com essa omissão ou
irresponsabilidade.
São
os casos de Venezuela e Cuba, além de outros países, que acumulam débitos em
atraso com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de
2,3 bilhões de reais.
Se
a cobrança mais dura de empresas nacionais poderia inviabilizar operações de
devedoras, ameaçando milhares de empregos, geração de renda e recolhimento de
tributos federais, estaduais e municipais, essas consequências não existiriam
na pressão sobre instituições estrangeiras.
Além
disso, é preciso levar em consideração que se o pagamento dos devedores
estrangeiros não for efetuado, o calote terá de ser coberto pelo Tesouro
Nacional, prejudicando todos os empregadores e trabalhadores nacionais.
Tanto
que o BNDES registrou prejuízos de 4,4 bilhões de reais em 2018 em função do
atraso no pagamento de empréstimos concedidos a estrangeiros.
Não
por acaso ou questão ideológica, a generosa concessão de muitos e grandes
financiamentos do banco de fomento para a execução de obras no exterior, ao
longo dos últimos anos, foi sempre muito e seguidamente criticada por
economistas brasileiros.
Todos
apontavam que as operações tinham motivações políticas, com excesso de
subsídios para beneficiar grandes construtoras contratadas por governos
estrangeiros, com muitas dessas empreiteiras sendo alvo de investigações da
Operação Lava Jato, da Polícia Federal do País.
Ocorre
que os financiamentos do BNDES ao exterior são cobertos pelo Tesouro Nacional,
através do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que custeia o Seguro de
Crédito à Exportação (SCE). Os atrasos nos pagamentos de parcelas de
empréstimos desses países, já resultaram em indenizações de 1,3 bilhão de reais
do Tesouro Nacional do BNDES.
No
Orçamento de 2019, aprovado em 2018, o governo federal alocou mais 1,5 bilhão
de reais para cobrir despesas do FGE. Se confirmado, o gasto previsto para 2019
será 26% superior ao de 2018.
Conforme
especialistas, os atrasos nos pagamentos desses países confirmam que os
financiamentos concedidos eram muito arriscados, na medida em que incluem
subsídios do Tesouro Nacional e para sua concessão deveriam ter passado por
rigorosa análise, considerando custos e benefícios das operações, pois no final
é a sociedade brasileira que está pagando a conta.
São
fatos concretos que precisam ser analisados pelos cidadãos mais conscientes,
para que se evite sua repetição no futuro.
*O autor é ex-deputado federal pelo
Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
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