Celular de Bolsonaro foi alvo da ação de hackers
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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Por Agência Brasil - O telefone celular do presidente da República, Jair Bolsonaro, pode
ter sido alvo da ação do grupo suspeito de invadir ao menos mil linhas
telefônicas, incluindo a de várias autoridades públicas, como o ministro da
Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que a
Polícia Federal (PF) comunicou que aparelhos celulares utilizados pelo
presidente foram alvos de ataques pelo grupo de que fazem parte os quatro
suspeitos presos nesta terça-feira (23).
De acordo com o ministério, o fato está sendo tratado como uma questão de
segurança nacional e Bolsonaro foi imediatamente comunicado.
Na terça-feira (23), a PF deflagrou a chamada Operação Spoofing, que
apura a suspeita de crimes cibernéticos. Foram cumpridos quatro mandados de
prisão temporária e sete de busca e apreensão autorizados pelo juiz Vallisney
de Souza Oliveira, titular da 10ª Vara Federal de Brasília, que afirmou haver,
nas informações iniciais apresentadas pela PF, “fortes indícios de que os
investigados integram organização criminosa”.
O cumprimento dos mandados resultou na prisão de Danilo Cristiano
Marques, Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira e Walter
Delgatti Neto. Ao pedir a detenção dos quatro, a PF apresentou “um histórico de
possíveis crimes” que os investigados teriam praticado em conjunto” para
“violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras via
invasão do aplicativo Telegram”.
Ao autorizar as prisões temporárias, a realização de busca e apreensões
em endereços ligados aos investigados, bem como a quebra do sigilo fiscal e de
comunicações e o bloqueio de bens dos suspeitos, o juiz Vallisney de Souza
Oliveira afirmou que as prisões temporárias dos investigados pelo prazo de
cinco dias são essenciais para a obtenção de provas.
Ontem (24), a PF informou à imprensa que ao menos mil diferentes números
telefônicos podem ter sido alvo dos suspeitos de hackear o aplicativo de
mensagens Telegram do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e
de outras autoridades, entre elas o ministro da Economia, Paulo Guedes.
Ainda hoje, a PF deve encaminhar um ofício para o presidente da Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) solicitando uma reunião para buscar
formas de sanar as fragilidades encontradas na investigação.
De acordo com a PF, a investigação é conduzida desde o mês de abril, quando
procuradores da Força Tarefa da Lava Jato passaram a relatar algumas ligações
recebidas em seus aparelhos originadas do próprio número. Em junho, Moro e
outras autoridades informaram ocorrência semelhante.
Parte das conversas que o ministro Sergio Moro manteve com procuradores
da Força Tarefa Lava Jato quando ainda era juiz da 13ª Vara Federal de
Curitiba, responsável por julgar as denúncias apresentadas no âmbito da Lava
Jato, foi repassada ao site de notícias The Intercept Brasil, que decidiu tornar
público as informações que considera ser de interesse público. Segundo os
sites, os arquivos foram entregues a jornalistas do veículo por uma fonte
anônima. A Constituição brasileira assegura aos jornalistas o direito de não
revelar suas fontes.
Ontem, pouco antes de seu cliente, Gustavo Henrique Elias Santos, prestar
depoimento, em Brasília, o advogado Ariovaldo Moreira revelou a jornalistas que
Santos confirmou ter recebido de outro dos suspeitos presos, Walter Delgatti
Neto, pelas redes sociais, imagens de uma suposta mensagem enviada pelo então
juiz federal Sergio Moro a outras autoridades públicas.
“Segundo Gustavo, Walter mostrou a ele algumas interceptações de uma
autoridade há algum tempo. Essa autoridade era o hoje ministro da Justiça e
Segurança Pública, Sergio Moro, mas Gustavo negou qualquer envolvimento com a
interceptação dessas mensagens. E, inclusive, chegou a alertar Walter que
aquilo lhe causaria problemas”, declarou o advogado, acrescentando que Gustavo
não se recorda da data exata em que Walter lhe enviou cópia das mensagens.
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