Governo bloqueia mais R$ 1,44 bilhão do Orçamento
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| Marcello Casal Jr./Agência Brasil |
Por Agência Brasil - A revisão para baixo do crescimento da economia brasileira em 2019 fez
a equipe econômica anunciar um novo bloqueio no Orçamento. Segundo o Relatório
Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, divulgado hoje (22) pelo
Ministério da Economia, o governo decidiu contingenciar mais R$ 1,443 bilhão de
verbas do Poder Executivo.
Agora, o valor contingenciado do Orçamento de 2019 soma R$ 31,224
bilhões. Originalmente, o governo teria de contingenciar R$ 2,252 bilhões, mas
a equipe econômica usou R$ 809 milhões de uma reserva de emergência criada em
março, reduzindo o valor do bloqueio adicional para R$ 1,443 bilhão.
A distribuição do contingenciamento pelas pastas só será anunciada na
próxima semana, quando o governo editará um decreto detalhando o bloqueio. Os
poderes Legislativo e Judiciário, o Ministério Público da União e a Defensoria
Pública da União terão um contingenciamento adicional de R$ 16 milhões.
Enviado a cada dois meses ao Congresso Nacional, o Relatório Bimestral de
Receitas e Despesas orienta a execução do Orçamento Geral da União com base na
revisão dos parâmetros econômicos e das receitas da União. Caso as receitas
caiam, o governo tem de fazer novos bloqueios para cumprir a meta de déficit
primário – resultado negativo nas contas do governo sem os juros da dívida
pública – de R$ 139 bilhões para este ano.
Retração
Há dez dias, o governo reduziu de 1,6% para 0,8% a projeção de
crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no
país). A diminuição do crescimento impacta a arrecadação porque a desaceleração
econômica reduz o pagamento de impostos em relação ao originalmente planejado.
Em março, o governo tinha criado uma reserva de emergência de R$ 5,37
bilhões para evitar novos contingenciamentos. No fim de maio, o governo usou
parte dessas reservas para evitar um contingenciamento e liberar recursos para
os ministérios da Educação e do Meio Ambiente. Agora, o governo queimou mais R$
809 milhões da reserva, zerando o colchão de emergência.
Receitas
A equipe econômica revisou as receitas para baixo em R$ 5,296 bilhões. As
principais diminuições vieram da diminuição da arrecadação do Programa de
Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins), com recuo de R$ 6,8 bilhões, devido ao baixo crescimento da
economia e ao aumento no pedido de compensações tributárias por empresas. O
menor lucro das empresas reduziu a projeção de arrecadação do Imposto de Renda
em R$ 1,9 bilhão.
Outras receitas, como a arrecadação líquida da Previdência Social, subiu
em R$ 1,477 bilhão. A receita de royalties de recursos naturais foi elevada em
R$ 1,1 bilhão – R$ 485,2 milhões de royalties de minérios e R$ 641 milhões para
royalties de petróleo.
O contingenciamento poderia ter sido maior se o governo não tivesse
revisado para baixo as despesas obrigatórias em R$ 3,47 bilhões. As principais
diminuições vieram dos créditos extraordinários para o subsídio ao óleo diesel
(-R$ 1,9 bilhão) e no pagamento de sentenças judiciais e precatórios (-R$ 1,5
bilhão).
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