Governo lança cartilha da Política Nacional da Alfabetização
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| Foto: José Cruz/Agência Brasil |
Por Agência Brasil - O Ministério da Educação lançou hoje (15) uma cartilha que tem, por
objetivo, apresentar detalhes, princípios, objetivos e diretrizes da Política
Nacional de Alfabetização (PNA) anunciada em abril. Além de conceitos e
contextualizações, o documento apresenta também formas de implementação,
avaliação e monitoramento dessa política, bem como agentes e público-alvo
envolvidos.
A PNA estabelece as diretrizes para ações e programas governamentais
visando a redução do analfabetismo no país, no âmbito das diferentes etapas e
modalidades da educação básica. A intenção é que as escolas passem a
alfabetizar as crianças no primeiro ano do ensino fundamental, ou seja,
geralmente aos 6 anos de idade.
“Estamos trazendo uma abordagem científica para a educação no Brasil, com
base em evidências científicas”, discursou o ministro da Educação, Abraham
Weintraub, durante a cerimônia de lançamento do Caderno da Política Nacional de
Alfabetização.
A ênfase da alfabetização no primeiro ano é uma das novidades. Em 2017, a
Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define o mínimo que os estudantes
devem aprender a cada etapa de ensino, estipulou que as crianças fossem
alfabetizadas até o 2º ano do ensino fundamental, o que geralmente ocorre aos 7
anos.
Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei 13.005/2014, as crianças devem
ser alfabetizadas, no máximo, até o final do 3º ano do ensino fundamental, ou
seja, aos 8 anos de idade.
Família, estímulos
e professores
Após receber, das mãos do ministro, um exemplar da cartilha, a presidente
do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Cecília Mota,
destacou o papel que professor e família têm para que se alcance os objetivos
de alfabetização.
Segundo ela, a alfabetização pode usar várias linhas, não precisando se
restringir a um método específico, como o fônico – pelo qual se ensina,
primeiro, os sons de cada letra para, depois, ao misturar as letras, se chegar
à pronúncia completa das palavras.
“Não interessa o método aplicado pelo professor. Interessa que a criança
aprenda. Então é uma questão de formação do professor. Ele precisa ser bem
preparado para ter eficiência no processo de alfabetização”, disse a presidente
do Consed.
Ela acrescenta que o papel da família também é fundamental,
principalmente se os pais tiverem o hábito da leitura e se tiverem em casa uma
biblioteca com livros infantis. “O Brasil, no entanto, é um país pobre onde
muitos pais não leem ou não têm o hábito da leitura. Isso realmente tem um
impacto negativo sobre a aprendizagem”, ponderou.
A educadora explica que não há uma fórmula específica para a
alfabetização de crianças. “Cada criança tem seu ritmo próprio de aprendizagem.
Nunca chegaremos a um acordo sobre esse ‘até tal idade’ ela deve estar
alfabetizada. Esse limite é um limite apenas normativo porque a criança aprende
de maneira diversificada. Tem criança que com apenas 3 anos já está lendo. Tudo
depende da família, dos estímulos e do professor. É uma variável muito grande”,
argumentou.
Jogos para acelerar
a aprendizagem
A presidente do Consed defendeu que o uso de estímulos lúdicos
potencializam a capacidade de aprendizado dos estudantes. Portanto o assunto
deverá ser debatido pelo painel de 12 especialistas criado pelo ministério para
elaborar o relatório que será base para a formulação das políticas públicas
voltadas à alfabetização.
“Alguns jogos podem, inclusive, acelerar a aprendizagem, ao estimular os
neurônios a fazerem conexões mais rápidas. É até os 6 ou 7 anos de idade que as
conexões acontecem na área de matemática, Língua Portuguesa, leitura e
escrita”, argumentou Cecília Mota.
Nesse sentido, ela disse que a metodologia do educador Paulo Freire será
relevante, inclusive, para a implementação do que está previsto na cartilha
lançada hoje. “Tem relevância porque trabalha com aprendizagem voltada para o
dia a dia, em especial quando você fala em dar ludicidade para se aprender a
ler. A educação só pode dar certo quando tem significado para a criança. Se
dermos algo que não signifique nada para a criança, ela se desmotiva”,
completou.
Weintraub aproveitou o evento para desmentir boatos de que estaria
planejando acabar com o ensino médio integral no Brasil. "Isso não passa
de fake news", disse.
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News – Karine Graeff c/ assessoria
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