Ciclo de Prevenção sobre Violências promove capacitação sobre autolesão
O comportamento autolesivo na adolescência é um tema que chama a atenção
dos profissionais da área da saúde devido ao aumento das ocorrências no mundo.
Estudos científicos apontam que 14% dos adolescentes já se autolesionaram pelo
menos uma vez na vida.
A questão é preocupante e por isso a Secretaria da Saúde do Paraná
promoveu nesta semana, em parceria com o Núcleo da Paz e Secretaria da Justiça,
Família e Trabalho, capacitação para profissionais que atuam na área. Além de servidores
das duas secretarias, participaram também profissionais da Secretaria de Estado
de Educação.
O tema foi debatido no IV Ciclo de Videoconferências do Núcleo Estadual
Intersetorial de Prevenção de Violências e Promoção da Saúde e da Cultura da Paz,
o Núcleo da Paz
“O comportamento autolesivo se constitui em um grande desafio para os
profissionais que atuam com os jovens; precisamos saber identificar e acolher o
problema, além de desenvolver estratégias de intervenção. A maioria das
autolesões não possui intenção suicida. Mas, pessoas com esse comportamento
apresentam maior risco de se engajarem em algum comportamento suicida ao longo
da vida. Por mais superficial que a autolesão seja no início, pode se agravar”,
explica a psicóloga da Divisão da Saúde Mental da Sesa, Flávia Figel.
O evento fez parte da programação do Setembro Amarelo, mês de
conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio.
Segundo a psicóloga e mestre em psicobiologia, a qualidade do acolhimento
ofertado a este jovem fará toda a diferença na sequência do tratamento. “Se
identificarmos e engajarmos este jovem às intervenções nos níveis da saúde,
educação e assistência social, temos grandes chances de ajudá-lo”, explica.
“Trata-se de um esforço conjunto”, afirma Flávia Figel. “Os sinais de
alerta para os casos de autolesão são mais identificados na escola ou em casa
e, assim que percebidos, devem ser encaminhados para o serviço de saúde, para
que sejam feitos os atendimentos necessários. A Atenção Primária é a porta de entrada
para estes jovens e por isso precisamos garantir que os profissionais das
nossas unidades estejam sensíveis ao problema dando o suporte necessário de
forma imediata”.
Comportamento
Este comportamento passou a ser estudado a partir dos anos 60. São
fatores de risco para a autolesão: o histórico de violência física, psicológica
e sexual vivido pela pessoa, a dificuldade de se expressar, depressão e
isolamento social, entre outros.
A autolesão acontece por meio de cortes, arranhões, mordidas e
queimaduras e podem incluir uma diversidade de métodos. “O jovem ainda está
aprendendo a lidar com emoções negativas e diante de dificuldades pode se
autolesionar”, disse a psicóloga.
“Pais, familiares, educadores e profissionais da saúde devem estar
alertas a este problema, observando as atitudes dos jovens no dia a dia –
mudanças de comportamento; de hábitos de se vestir, como o uso de roupas de
mangas longas em dias quentes; posse de objetos cortantes, como facas,
canivetes e cacos de vidro, e principalmente, verificar se ele apresenta sinais
de autolesão pelo corpo. Se fizermos uma identificação precoce deste
comportamento, poderemos prevenir que o caso se agrave”, salientou.
Ao acolher uma pessoa com este tipo de comportamento, o profissional da
saúde deve notificar o caso. O comportamento autolesivo é de notificação
obrigatória.
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