26/09/2019

Safra de grãos pode chegar a 23,4 milhões de toneladas


A safra de grãos de verão 2019/2020 deve atingir 23,4 milhões de toneladas, segundo estimativa mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. O volume representa um acréscimo de aproximadamente 100 mil toneladas em relação à estimativa anterior, e um aumento de 19% na comparação com a produção da safra 2018/2019, que foi de 19,7 milhões de toneladas. A expectativa é de manutenção da área plantada em seis milhões de hectares.
No relatório deste mês, destaca-se a grande área de soja, quase 5,5 milhões de hectares, com aumento de 1% com relação da safra passada. Ainda assim, a soja é responsável por 91% da área total de grãos de verão. “Também chama a atenção a redução da área de milho na primavera, um fator preocupante, pois coloca a garantia do suprimento do consumo brasileiro e das nossas exportações na dependência da segunda safra”, diz o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara.
As condições climáticas no Paraná acabaram atrasando o plantio de culturas como a soja, o milho e o feijão. Se o clima colaborar, há chances de recuperação da produtividade, e consequentemente um aumento de produção. “A safra tem boa perspectiva. Estávamos com uma seca severa, mas a umidade foi restabelecida em praticamente todo o Estado, permitindo uma semeadura, especialmente de grãos de primavera, com mais tranquilidade”, afirma o chefe do Deral, Salatiel Turra.
Soja
O clima seco do início de setembro atrasou o plantio de soja no Paraná, que está com 3% da área plantada, totalizando 175 mil hectares. No mesmo período do ano passado, esse índice atingiu 18% - cerca de um milhão de hectares.
Segundo Marcelo Garrido, economista do Deral, as regiões com maior área plantada até agora são Campo Mourão, com 68 mil hectares; Pato Branco, com 50 mil hectares; Toledo, com 24 mil hectares; e Cascavel, com 15 mil hectares, todos com o índice abaixo da média. A partir de agora, é preciso acelerar o plantio, principalmente na região Oeste. A tendência é que se confirme a área de 5,5 milhões de hectares e a produção estimada em 19,8 milhões de toneladas, se o clima colaborar. A comercialização da soja está em 15%, índice semelhante ao da safra passada.
Os preços reduziram de R$ 80,00 em 2018 para R$ 73,00 agora. A alta do dólar tem sido um dos fatores determinantes para segurar o preço da soja, que está satisfatório para os produtores que exportam. No entanto, com a peste suína, a demanda da China ainda é uma incógnita, pois a doença tem sido responsável pelo abate de boa parte do rebanho no país, com possível impacto na compra do produto brasileiro.
Milho Primeira Safra
O clima também atrasou o plantio do milho, que atingiu apenas 39% da área, aproximadamente 140 mil hectares. No ano passado, o Paraná tinha 60% da área plantada, totalizando 200 mil hectares.
A previsão para a safra 2019/2020 é de 336 mil hectares, estimativa 6% menor do que na safra anterior. A produção é estimada em 3,1 milhões de toneladas. Com condições de clima mais favoráveis, o milho pode atingir as expectativas, com a produção expressiva da segunda safra. Os preços estão em R$ 27,00 a saca de 60 kg, sendo que no mesmo período do ano passado era comercializada por R$ 32,00. Essa queda se justifica pela oferta maior, já que no ano passado a segunda safra teve bons resultados, impulsionada pelo clima favorável e pelo calendário mais curto da soja.
Feijão
O calendário de plantio do feijão segue até dezembro, com pico entre setembro e outubro. O plantio da safra das águas foi mais expressivo neste mês, atingindo 42% da área, depois de um plantio de 1% em julho e agosto.
No mesmo período do ano passado, no entanto, o Paraná já tinha 55% da área plantada. Esse atraso é resultado das variações climáticas, com estiagem e posterior excesso de chuvas.
Na avaliação do Deral, as condições das lavouras nos principais núcleos mostram que a produtividade pode ser prejudicada neste ano.
As lavouras de feijão estão 42% em fase de germinação, 57% vegetação e 1% em floração. Os preços estão estabilizados e cobrem o custo de produção: a saca de 60 kg de feijão cores é comercializada por R$ 129,90. No ano passado, o valor era de R$ 95,26. O feijão-preto é comercializado por R$ 116,00. No ano passado, os preços estavam em R$ 119,00.
Trigo
A estimativa de área mantém-se em um milhão de hectares, 7% menor do que na safra 2018/2019. Quanto à produção, houve uma queda de 28% na estimativa inicial, e o valor foi atualizado para 2,3 milhões de toneladas. Parte dessa produção já havia sido reduzida nos meses anteriores em virtude das geadas e, no último mês, a perda foi acentuada pela seca. As estimativas indicam que o Paraná terá uma das menores safras dos últimos anos, com as regiões Oeste e Centro-Oeste entre as principais atingidas.
A colheita do trigo evoluiu em setembro, colocando mais um milhão de toneladas no mercado, aproximadamente um terço da moagem estadual para o ano. O clima seco, embora tenha prejudicado a produção, colaborou para a colheita, e cerca de 60% da área do trigo está colhida.
A grande oferta momentânea do trigo refletiu nos preços, que foram de R$ 49,00 por saca de 60 kg para R$ 44,00.
Outras culturas
De maneira geral, Norberto Ortigara destaca ainda o crescimento da área de batata, cuja produção nacional é geralmente liderada pelo Paraná. A primeira safra mostra uma redução de área, mas com possibilidade de crescimento de produção de 4%. Além disso, há crescimento de área da cebola no cultivo da primavera, e manutenção da área cultivada do tabaco, com a possibilidade de crescimento de 8% na produção.
Além disso, houve ajuste na área plantada de mandioca, cuja produção de fécula e farinhas é liderada pelo Paraná. O relatório mostra ainda crescimento da área de amoreira, alimento básico da lagarta do bicho-da-seda, com quase 90% da produção brasileira concentrada no Estado. “É um fio que está ganhando confiança e mercado no mundo, especialmente no centro da moda. Nossa seda vem ganhando presença em cidades europeias como Lyon, Paris e Milão. Há um esforço da iniciativa privada e do Governo do Paraná, que vislumbra crescimento em torno de 500 novas famílias interessadas na cultura da amoreira para produção de casulos”, afirma Ortigara.
Viver News – Karine Graeff c/ assessoria

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