Programa Previne Brasil quer incluir 50 milhões de brasileiros no SUS
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Agência Brasil - O governo federal lançou o programa
Previne Brasil, que altera procedimentos de repasse de recursos do Sistema Único
de Saúde (SUS) para os municípios. A iniciativa visa incluir mais pessoas nos
programas de atenção primária. A expectativa do governo é incluir 50 milhões de
pessoas em diferentes programas dos SUS. A previsão é de que os repasses para
os municípios tenham um aporte de R$ 2 bilhões, passando de R$ 18,3 bilhões
para mais de R$ 20 bilhões.
Segundo o governo, o novo modelo vai aportar mais
recursos para os municípios que melhorarem a saúde dos brasileiros,
especialmente nos serviços de saúde da atenção primária, que cuida dos
problemas mais frequentes, como diabetes e hipertensão, através de consultas
médicas, exames e vacinação.
Antes, a distribuição de recursos era feita com base
na quantidade de pessoas residentes e de serviços existentes em cada município,
sem considerar o atendimento efetivamente prestado pelas 43 mil Equipes de
Saúde da Família (ESF) que atuam no país. Atualmente esses profissionais
atendem cerca de 90 milhões de pessoas. A avaliação do governo é de que as
equipes podem atender até 140 milhões de pacientes.
"Em 30 anos de SUS e até hoje, o repasse de
recursos aconteceu pela ótica do per capita, de quantas pessoas moram na
cidade, de quantas equipes de saúde da família têm. Essa maneira era muito
justificada pela chamada universalidade, de dar um pouco de recursos para cada
município. E nós não podemos perder isso de visto. Mas ela criou um mundo dos
esquecidos”, disse o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.
“Onde estão as pessoas? Cruzamos os diferentes
cadastros e encontramos no cadastro do Bolsa Família, do BPC [Benefício de
Prestação Continuada], do INSS [Instituo Nacional do Seguro Social], das
pessoas que recebem os menores benefícios e são quase 40 milhões de pessoas
esquecidas, as mais frágeis e que mais têm a necessidade da atenção básica”,
afirmou.
Distribuição
De acordo com o Ministério da Saúde, os recursos serão
distribuídos com base em três critérios: o número de pessoas acompanhadas nos
serviços de saúde, em especial as pessoas que recebem benefícios sociais, crianças e idosos; foco no
tratamento de doenças crônicas como diabetes e redução de mortes de crianças e
mães; e ainda a adesão a programas estratégicos, como Saúde Bucal e Saúde na
Hora, que amplia o horário de atendimento à população dos serviços, abrindo
durante o almoço, à noite ou aos fins de semana.
Outro ponto que também será alterado é a forma de
cadastramento dos usuários do SUS, feito pelos profissionais de saúde e
gestores no Sistema de Informação da Atenção Básica (Sisab). A partir do
lançamento do programa, esse cadastramento poderá ser feito também pelo CPF e
não apenas pelo Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS). De acordo com o
ministério, a alteração vai facilitar que os profissionais de saúde realizem a
busca ativa dos pacientes em casos de retornos sobre exames, consultas,
situação vacinal, dentre outros.
"O vínculo do cidadão à equipe permite o
planejamento da oferta de serviços nos municípios e o acompanhamento adequado
de cada paciente evitando, inclusive, que as pessoas recorram às urgências e
emergências dos hospitais para tratar doenças que poderiam ter sido prevenidas
na Atenção Primária e, desta forma, não teriam evoluído para estágios mais
graves que são mais aflitivos para os pacientes e elevam os custos no SUS",
disse o ministério.
Indicadores
Outro ponto que sofreu alteração é a quantidade de
indicadores avaliados. Atualmente, 720 indicadores de saúde tem previsão de
monitoramento, no entanto, de acordo com o governo, o sistema de registro
dessas informações não é alimentado na maior parte dos municípios, o que
impossibilita o acompanhamento real das condições de saúde das pessoas.
Pela proposta do Previne Brasil, agora serão
monitorados 21 indicadores da saúde da população. Eles precisarão ser
informados regularmente para que os municípios possam receber recursos
federais. A proposta prevê que, em 2020 serão monitorados 7 indicadores, mais 7
em 2021 e mais 7 em 2022. Entre eles estão a realização de consultas pré-natais
e vacinação em crianças. O monitoramento de indicadores será feito a cada
quatro meses, a partir de setembro de 2020.
Viver News – Karine Graeff c/ assessoria
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