Os efeitos positivos da punição de verdadeiros desmatadores
Dilceu
Sperafico*
Pode parecer fantasia ou otimismo exagerado, mas
acreditamos que uma das mais eficientes políticas de preservação dos recursos
naturais, incluindo florestas nativas e mananciais hídricos, está sendo adotada
por força-tarefa da Advocacia Geral da União (AGU).
Trata-se de ajuizamento de ações contra desmatadores
de florestas nativas ou matas cultivadas, exigindo pagamento de prejuízos causados
à natureza e proprietários de imóveis prejudicados pela irresponsabilidade de
predadores dos recursos naturais, em valores suficientes para correção dos
danos.
Somente nos primeiros dias de dezembro último,
representantes da AGU ajuizaram 16 ações civis públicas cobrando indenizações
de 555 milhões de reais de pessoas apontadas como grandes desmatadoras de
florestas naturais de quatro Estados, da região da Amazônia Legal.
No conjunto, as ações envolvem 33 réus dos Estados de
Roraima, Mato Grosso, Amazonas e especialmente do Pará, pois somente essa
Unidade da Federação concentra cobranças de 350 milhões de reais, como
reparações de áreas desmatadas. No Estado do Amazonas, são solicitados 170
milhões de reais dos desmatadores para a reposição das matas devastadas.
As ações judiciais foram fundamentadas ou baseadas em
25 autos de infração, todos emitidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), após a comprovação de desmatamento
irregulares de 26.490 hectares de florestas da região amazônica.
A reação já havia sido antecipada pelo ministro-chefe
da AGU, André Mendonça, após o noticiário sobre derrubadas e queimadas de matas
nativas, através do trabalho de força-tarefa formada com a finalidade de buscar
reparação, inclusive financeira, dos desmatadores, para a reposição da
vegetação destruída.
De acordo com a AGU, as metas ou finalidades da
força-tarefa, denominada "Defesa da Amazônia", são exigir de
desmatadores e seus cúmplices o imediato e completo reflorestamento de todas as
áreas desmatadas, sem autorização legal.
Já em outubro do ano passado, a mesma força-tarefa já
havia priorizado ações para cobrar o pagamento de multas administrativas
emitidas pelo Ibama, que através do ingresso dos processos no Poder Judiciário
têm como objetivo a reparação civil dos danos causados à natureza e à
sociedade.
O ingresso das ações e a busca de punição legal dos
responsáveis pelas derrubadas ilegais, comércio irregular de madeira e queima
de galhos sem mercado, nos parecem justas, porque visam os verdadeiros culpados
pelos crimes ambientais, evitando a proliferação de denúncias contra pessoas
inocentes, especialmente autênticos produtores rurais e proprietários de
imóveis com exploração legalizada.
Se os verdadeiros culpados forem identificados,
processados e punidos pelo Poder Judiciário, cessarão os escândalos
generalizados, colocando sob suspeição agricultores honestos e conscientes de
suas responsabilidades e interesses com a preservação dos recursos naturais,
visando a viabilização de sua própria atividade econômica, pois o cultivo de
vegetais e a criação de animais, dependem sempre de clima favorável e
equilibrado.
Acompanhando a punição dos culpados, os verdadeiros
produtores rurais se tornarão aliados das autoridades, pois logo verão os bons
resultados da natureza preservada, para o bom andamento de seus negócios e a
sobrevivência de sua família.
O
autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do
Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Viver News – Karine Graeff c/ assessoria
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