Instituto do Paraná ajudou a criar kits para diagnóstico do coronavírus
O Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP),
vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com sede no Parque Tecnológico da
Saúde do Tecpar, em Curitiba, ajudou a desenvolver os kits com insumos para a
realização de testes diagnósticos do novo coronavírus (Covid-19). Eles foram
criados em menos de um mês e atendem todo o País.
O IBMP tem como origem um consórcio tecnológico entre
a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar)
e a Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Inovação. Ele é uma
instituição privada e sem fins lucrativos, mas possui representantes do Governo
do Estado no Conselho de Administração – como o próprio Tecpar. É o único do
País da Fiocruz nesse formato.
O Parque Tecnológico da Saúde do Tecpar, que tem como
objetivo estratégico atender a demanda do Ministério da Saúde, possui áreas
instaladas em Curitiba, Araucária e Maringá.
IBMP
O IBMP completou dez anos em 2019 e tem caráter de
instituição científica e tecnológica (ICT). A unidade paranaense tem 105
profissionais, 35 cuidando exclusivamente de pesquisa, 40 dedicados à produção
e os demais na área administrativa e de logística.
“A Fiocruz tem produção centenária e criou o IBMP para
cuidar de desenvolvimento e pesquisa aplicada em saúde, que é aquela que
entrega soluções”, afirma Pedro Ribeiro Barbosa, presidente do instituto. “Já
nascemos incorporando um produto, que é um kit que identifica patogênicos
(malária, hepatite B e hepatite C) em bolsas de sangue. Ele alcança todos os
hemocentros do País. Quarenta milhões de bolsas de sangue já foram checadas a
partir desse kit”.
Essa expertise, destaca Barbosa, ajudou na criação dos
kits diagnósticos do coronavírus. Eles foram desenvolvidos a partir da
percepção do crescimento da epidemia em nível global. No início de janeiro,
pesquisadores de Bio-Manguinhos e do IBMP se mobilizaram para preparar o
diagnóstico. Em fevereiro, os cientistas do Paraná, com apoio dos outros
órgãos, chegaram ao formato ideal, com oferta exclusiva para o Sistema Único de
Saúde (SUS). A partir desta semana, o IBMP começará a fornecer os kits para
laboratórios privados.
Os kits com insumos permitem diagnóstico rápido (três
a quatro horas) a partir de material coletado em um espirro, por exemplo. A
partir dos resultados, os laboratórios informam os técnicos dos estados, que
notificam os casos suspeitos ou infectados e repassam as informações para a
União. O último boletim do Ministério da Saúde indica 25 pacientes com suspeita
de coronavírus no Paraná. Ao todo, o País registra 24 casos confirmados, 664
suspeitos e 632 descartados.
Laboratórios
Centrais
A Fiocruz produziu dez mil kits para todo o País, a
pedido do Ministério da Saúde. Dez já foram entregues ao Laboratório Central do
Estado (Lacen Paraná), um dos seis primeiros estados a receber a tecnologia. A
capacidade é flexível e pode ser ampliada em função da circulação do vírus.
A expectativa é de que, ao longo das próximas duas
semanas, os laboratórios centrais dos estados das regiões Norte (Amazonas, Pará
e Roraima), Nordeste (Bahia, Ceará, Pernambuco e Sergipe), Sudeste (Rio de
Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e o
Distrito Federal) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) estejam
aptos a realizar os testes.
O IBMP também tem em seu histórico o kit para
diagnóstico molecular ZDC, usado para confirmar casos de zika, dengue (os
quatro sorotipos) e chikungunya, além de um kit diagnóstico para febre amarela.
Parque
Tecpar
O IBMP tem sede no Parque Tecnológico da Saúde do
Tecpar, no câmpus do bairro Cidade Industrial de Curitiba. O parque consiste em
um complexo planejado para abrigar atividades de pesquisa científica, básica e
aplicada, bem como atividades de natureza tecnológica para o desenvolvimento
empresarial e promoção da cultura da inovação no Paraná.
O diretor-presidente do Tecpar, Jorge Callado, explica
que o parque atrai empresas com investimento em Pesquisa e Desenvolvimento
(P&D) e produção de bens e serviços inovadores. “O parque é um instrumento
de estímulo a investimentos em P&D fomentado pelo Governo do Estado. O
Parque Tecnológico da Saúde do Tecpar é um ambiente para a inovação voltado à
área da saúde e negócios inovadores, que possibilita a criação de novos
serviços para a saúde pública brasileira”, destaca.
No Parque Tecnológico da Saúde, no câmpus CIC, estão
instalados, além do próprio Tecpar, duas empresas: o Instituto de Biologia
Molecular do Paraná (IBMP) e o Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz), unidade
técnico-científica regional da Fundação Oswaldo Cruz no Paraná.
Lacen
Atualmente, o Lacen Paraná analisa as amostras de
casos suspeitos coletadas em todo Estado e realiza pesquisa de vinte vírus
causadores de infecções respiratórias. Os casos suspeitos que tenham resultados
negativos nessa pesquisa inicial são enviados para avaliação no Laboratório de
Referência, na Fiocruz, no Rio de Janeiro, para análise específica sobre do
novo coronavírus.
Paraná
tem 18 parques tecnológicos de pesquisa
O Paraná tem 18 parques tecnológicos credenciados em
uma rede integrada. A organização foi feita em 2019 e tem como intuito dispor
de um ecossistema ainda mais unificado e sofisticado para atrair novas
empresas, incubadoras, instituições de pesquisa, equipamentos e recursos. A
partir do credenciamento, eles passaram a poder acessar recursos estaduais.
A Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior (Seti) atua no monitoramento e orientação sobre financiamento, formas
de gestão e áreas estratégicas de desenvolvimento desses parques tecnológicos.
O credenciamento foi realizado pelo Sistema Estadual
de Parques Tecnológicos do Paraná (SEPARTEC), órgão que congrega 40 entidades
representativas sob a coordenação conjunta da Superintendência de Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior e da Secretaria da Fazenda.
Os parques tecnológicos são públicos e privados e
ficam localizados em cidades onde existe produção acadêmica. O Paraná concentra
metade dos parques da região Sul e é considerado propício para o
desenvolvimento de ecossistemas de inovação pelas três universidades federais,
sete estaduais, além de quase 200 instituições de ensino superior.
Viver News – Karine Graeff c/ assessoria
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