“Aeroporto pra quê? Só se for pra baixar mosquito”
(Série de crônicas iniciada como“Histórias do Futebol”, adaptada para um contexto mais abrangente da vida social, política e esportiva da gente do Oeste do Paraná)
Roberto
Requião de Mello e Silva teve uma carreira muito bem sucedida na política. Advogado
e jornalista, foi deputado estadual, prefeito de Curitiba, secretário estadual,
governador do Paraná e senador da República. Não é dos fracos, demonstra o
currículo.
Com
viés ideológico de esquerda, Requião é homem de um partido só – o MDB, ao qual
se filiou em 1980. Ao longo dos três mandatos à frente do Executivo paranaense,
implantou muitos programas sociais. Suas características marcantes são a verve
ácida e a objetividade. Democrata e nacionalista, é contraditório quando ataca,
mas não tolera ser atacado. Não tem papas na língua, não tolera pressão e é explosivo.
Adora arrumar confusão com a imprensa. Arrancou gravador de repórter mais de
uma vez e, certa vez em Londrina torceu o dedo de um deles, por não ter gostado
da insistência em um questionamento.
Senador,
no intervalo entre um mandato e outro de governador, certa feita ele dava
entrevista ao vivo numa emissora de rádio, quando lhe trouxeram um café do qual
não gostou:
-
Isso não é café, é milho torrado! Vão ali no mercado do Beto Lunitti comprar um
café decente pra esta rádio! – soltou no ar numa flagrante descortesia a quem
lhe abria o microfone para expor suas ideias já com vistas ao ano seguinte,
quando novamente se candidataria ao Iguaçu.
Ao
longo da vitoriosa carreira, Requião arrumou muita confusão e protagonizou cenas
hilárias que divertiram o país. Em fevereiro de 2006, ele visitou o então
presidente Lula no Palácio do Planalto, quando a Petrobras anunciava programas
de incentivo à produção de combustíveis alternativos a partir de vegetais – um
deles a mamona.
O
pessoal da minha geração se divertiu muito com o fruto parecido com a figura do
coronavírus. A gente fazia guerra de mamona atirando as bolinhas uns nos
outros, seja com a força do braço ou utilizando estilingues, que uns tambem
chamavam de cetra ou bodoque. Mas a gente sabia desde que os tempos de piás
pançudos que aquela frutinha era venenosa - sabedoria passada de pais para
filhos.
Voltando
ao nosso herói, Lula exibiu um vidro contendo sementes da Ricinus communis,
despejando algumas na mão de Requião. Este, sem titubear, enfiou um monte de
sementes na boca e já começava a mastigar quando, se divertindo com a cena, o
presidente o advertiu que a mamona não era de comer por conter toxinas
venenosas. Requião rapidamente cuspiu num vaso. Reproduzida em todos os
telejornais do país, a cena está imortalizada no Youtube.
Para
a região Oeste, Requião teve como mérito determinar a duplicação da BR-467, que
liga a principal cidade da região na prestação de serviços, Cascavel, à que
detém o maior parque industrial do Oeste e o título de Capital do Agronegócio
do Paraná, Toledo.
As
gestões para a duplicação eram muitas. O compromisso foi efetivado, quando o
próprio Requião sentiu na pele o que passavam os moradores da região no dia a
dia, ao demorar cerca de uma hora para percorrer os quarenta e poucos quilômetros
entre as duas cidades. Ponto para o Requião.
Paradoxalmente,
ele foi um dos responsáveis por travar o desenvolvimento oestino, quando assumiu
novamente o governo e colocou uma pá de cal do projeto de construção do sonhado
Aeroporto Regional do Oeste, do qual sempre foi assumidamente contrário.
-
Pra que vocês querem aeroporto? Pra baixar mosquito? – disse-me, verve afiada
bem ao seu estilo característico, naquela tarde em Toledo, como resposta a uma
pergunta que lhe fiz durante entrevista que teve como testemunha o empresário
Beto Lunitti, que anos depois seria eleito prefeito de Toledo.
Até
hoje a maior região produtora de grãos e proteína animal do Paraná e a mais
discriminada pelos ocupantes da principal cadeira do Palácio Iguaçu, se
ressente de melhores condições de acesso aos grandes centros. Alem da incerteza
sobre o aeroporto regional, uma estrutura necessária para o futuro da região, os
cidadãos do Oeste ainda são submetidos aos perigos de uma viagem de 500
quilômetros pela vergonhosa BR-277 sem duplicação nas suas necessidades de
deslocamento à capital do Estado.
* Wanderley Graeff é o
jornalista com mais tempo de atuação em Toledo. Trabalhou em jornais e
emissoras de rádio e TV de Cascavel e Toledo e foi assessor de Imprensa da Câmara Municipal de Toledo e secretário de Comunicação da Prefeitura de Toledo. É diretor do Viver Toledo –
vivertoledo.blogspot.com e diretor das empresas i-Bolsa e Pharma.
Viver Toledo
– Editores: Wanderley Graeff e Karine Graeff
Apoio: Coamo, Acit, Ótica Cristal, Essencial Modas, Sicoob Meridional,
Lodi, Imobiliária Plena, Restaurante Filezão, Colégio Alfa Premium, Yara
Country Clube, Junsoft, Oesteline, Toledão, Unimed Costa Oeste, Tchibuum
Natação e Hidro, Unipar, Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention,
Rafain Show Churrascaria, Vivaz Cataratas Hotel & Resort, Noite Italiana do
Hotel Bella Italia, I-Bolsa Pharma S/A, Restaurante Soles, Inglês Athus





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