10/04/2020

“Aeroporto pra quê? Só se for pra baixar mosquito”

 Histórias do Velho Oeste – Por Wanderley Graeff
(Série de crônicas iniciada como“Histórias do Futebol”, adaptada para um contexto mais abrangente da vida social, política e esportiva da gente do Oeste do Paraná)
Roberto Requião de Mello e Silva teve uma carreira muito bem sucedida na política. Advogado e jornalista, foi deputado estadual, prefeito de Curitiba, secretário estadual, governador do Paraná e senador da República. Não é dos fracos, demonstra o currículo.
Com viés ideológico de esquerda, Requião é homem de um partido só – o MDB, ao qual se filiou em 1980. Ao longo dos três mandatos à frente do Executivo paranaense, implantou muitos programas sociais. Suas características marcantes são a verve ácida e a objetividade. Democrata e nacionalista, é contraditório quando ataca, mas não tolera ser atacado. Não tem papas na língua, não tolera pressão e é explosivo. Adora arrumar confusão com a imprensa. Arrancou gravador de repórter mais de uma vez e, certa vez em Londrina torceu o dedo de um deles, por não ter gostado da insistência em um questionamento.
Senador, no intervalo entre um mandato e outro de governador, certa feita ele dava entrevista ao vivo numa emissora de rádio, quando lhe trouxeram um café do qual não gostou:
- Isso não é café, é milho torrado! Vão ali no mercado do Beto Lunitti comprar um café decente pra esta rádio! – soltou no ar numa flagrante descortesia a quem lhe abria o microfone para expor suas ideias já com vistas ao ano seguinte, quando novamente se candidataria ao Iguaçu.
Ao longo da vitoriosa carreira, Requião arrumou muita confusão e protagonizou cenas hilárias que divertiram o país. Em fevereiro de 2006, ele visitou o então presidente Lula no Palácio do Planalto, quando a Petrobras anunciava programas de incentivo à produção de combustíveis alternativos a partir de vegetais – um deles a mamona.
O pessoal da minha geração se divertiu muito com o fruto parecido com a figura do coronavírus. A gente fazia guerra de mamona atirando as bolinhas uns nos outros, seja com a força do braço ou utilizando estilingues, que uns tambem chamavam de cetra ou bodoque. Mas a gente sabia desde que os tempos de piás pançudos que aquela frutinha era venenosa - sabedoria passada de pais para filhos.
Voltando ao nosso herói, Lula exibiu um vidro contendo sementes da Ricinus communis, despejando algumas na mão de Requião. Este, sem titubear, enfiou um monte de sementes na boca e já começava a mastigar quando, se divertindo com a cena, o presidente o advertiu que a mamona não era de comer por conter toxinas venenosas. Requião rapidamente cuspiu num vaso. Reproduzida em todos os telejornais do país, a cena está imortalizada no Youtube.
Para a região Oeste, Requião teve como mérito determinar a duplicação da BR-467, que liga a principal cidade da região na prestação de serviços, Cascavel, à que detém o maior parque industrial do Oeste e o título de Capital do Agronegócio do Paraná, Toledo.
As gestões para a duplicação eram muitas. O compromisso foi efetivado, quando o próprio Requião sentiu na pele o que passavam os moradores da região no dia a dia, ao demorar cerca de uma hora para percorrer os quarenta e poucos quilômetros entre as duas cidades. Ponto para o Requião.
Paradoxalmente, ele foi um dos responsáveis por travar o desenvolvimento oestino, quando assumiu novamente o governo e colocou uma pá de cal do projeto de construção do sonhado Aeroporto Regional do Oeste, do qual sempre foi assumidamente contrário.
- Pra que vocês querem aeroporto? Pra baixar mosquito? – disse-me, verve afiada bem ao seu estilo característico, naquela tarde em Toledo, como resposta a uma pergunta que lhe fiz durante entrevista que teve como testemunha o empresário Beto Lunitti, que anos depois seria eleito prefeito de Toledo.
Até hoje a maior região produtora de grãos e proteína animal do Paraná e a mais discriminada pelos ocupantes da principal cadeira do Palácio Iguaçu, se ressente de melhores condições de acesso aos grandes centros. Alem da incerteza sobre o aeroporto regional, uma estrutura necessária para o futuro da região, os cidadãos do Oeste ainda são submetidos aos perigos de uma viagem de 500 quilômetros pela vergonhosa BR-277 sem duplicação nas suas necessidades de deslocamento à capital do Estado.
* Wanderley Graeff é o jornalista com mais tempo de atuação em Toledo. Trabalhou em jornais e emissoras de rádio e TV de Cascavel e Toledo e foi assessor de Imprensa da Câmara Municipal de Toledo e secretário de Comunicação da Prefeitura de Toledo. É diretor do Viver Toledo – vivertoledo.blogspot.com e diretor das empresas i-Bolsa e Pharma.
Viver Toledo – Editores: Wanderley Graeff e Karine Graeff
Apoio: Coamo, Acit, Ótica Cristal, Essencial Modas, Sicoob Meridional, Lodi, Imobiliária Plena, Restaurante Filezão, Colégio Alfa Premium, Yara Country Clube, Junsoft, Oesteline, Toledão, Unimed Costa Oeste, Tchibuum Natação e Hidro, Unipar, Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention, Rafain Show Churrascaria, Vivaz Cataratas Hotel & Resort, Noite Italiana do Hotel Bella Italia, I-Bolsa Pharma S/A, Restaurante Soles, Inglês Athus




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