Unioeste: Pesquisa estima que pandemia terá pico de casos diários no fim de julho no Paraná
Os professores do
programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da Unioeste – Daniela Estelita
Goes Trigueros e Aparecido Nivaldo Módenes –, realizaram um estudo que
apresenta as tendências da disseminação da COVID-19 no Brasil, as quais foram
simuladas a partir dos dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde.
Um algoritmo heurístico
de otimização foi utilizado para a predição da curva pandêmica levando-se em
conta o comportamento das curvas evolutivas de disseminação da doença em países
os quais já mostraram o comportamento bem definido do surto da COVID-19,
segundo os dados de casos confirmados disponibilizados pela Organização Mundial
da Saúde (OMS). O modelo se mostrou consistente ao reproduzir os dados
epidêmicos observados na China, República da Coreia, Itália, Espanha, França,
Alemanha e Estados Unidos. A partir do modelo matemático realizaram-se
projeções para o Brasil, regiões e estados do território nacional, bem como
para alguns municípios do estado do Paraná.
Destaca-se que as curvas
evolutivas de espalhamento da COVID-19 estão relacionadas ao número de casos
confirmados da doença, e as estimativas das principais características da
curva: a taxa de espalhamento; o maior número diário de casos; o tempo mínimo
para atingir o platô e o número total de casos dependeria do comportamento da
população ao aderir suficientemente às medidas protetivas e de distanciamento
temporário das atividades sociais.
Segundo os autores, o
modelo é útil na compreensão de como a disseminação da doença ocorre no
território, já que pode ser estimada a taxa específica máxima de espalhamento,
a constante de isolamento e o coeficiente de disseminação da doença no
território: “Permite obter informações essenciais para o controle da doença no
território avaliado, uma vez que apresenta uma característica de curva que se
assemelha, indicando o maior número de casos diários e o tempo para atingir o
platô da evolução da doença”, finalizam.
Diante de observações das
curvas pandêmicas de outros países, os professores verificaram a ocorrência de
fases de contágio que podem estar relacionadas às diferentes políticas adotadas
na tentativa de conter o espalhamento da COVID-19 no território. Assim,
assumiram que o espalhamento da COVID-19 ocorreria em duas fases de
disseminação: na primeira, a principal causa do espalhamento da COVID-19
ocorreria devido ao trânsito de pessoas contaminadas oriundas de locais onde o
surto encontrava-se em grau avançado; a segunda fase de propagação da doença
ocorreria após o vírus estar difundido na região, e a taxa de espalhamento da
COVID-19 dependeria da constante de isolamento temporário das atividades
sociais para evitar o contato com a doença.
Num cenário hipotético,
estima-se que o Brasil tenha cerca de 2,6 milhões de casos confirmados da
COVID-19 até 04 de setembro deste ano, após 191 dias do início do surto.
Alerta-se que as mudanças no cotidiano da população e as políticas públicas
adotadas relacionadas ao isolamento social refletem diretamente no
comportamento da curva pandêmica. Os professores afirmam que o modelo pôde
refletir as consequências das ações temporárias de isolamento, impostas por
cada estado brasileiro, com base nos dados observados até o dia 28 de maio de
2020.
Pelo estudo estima-se que
o Paraná tenha cerca de 68 mil registros da doença até 26 de outubro de 2020,
com o pico do número de casos diários entre 25 e 31 de julho.
“Ressalta-se que este
cenário se confirmaria se a dinâmica da população, quanto à adoção de medidas
de proteção e isolamento social, não sofrerem alterações significativas em
relação ao que tem sido realizado até o momento”.
O estudo também traz
projeções para alguns municípios do Paraná, considerando os casos confirmados
da COVID-19 até o dia 07 de junho de 2020. Por isso, as estimativas obtidas
estão relacionadas às ações de distanciamento temporário das atividades sociais
e medidas protetivas já adotadas.
Os professores finalizam:
“A modelagem matemática proposta pode ser uma ferramenta útil na tomada de
decisões de saúde pública, visando ao controle e à redução dos casos por meio
de medidas restritivas e de proteção para evitar o contato com a COVID-19”.
Viver Toledo – Editores: Wanderley Graeff e Karine Graeff
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