Governo discute parceria para produzir vacina contra a Covid no Paraná
O Governo do
Paraná está formalizando uma parceria de cooperação técnica e científica com a
China que permitirá a testagem e a produção de vacina contra a Covid-19 no
Estado, por meio do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
O acordo foi
discutido nesta segunda-feira (27) pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior
em reunião por videoconferência com dirigentes do laboratório Sinopharm,
empresa estatal chinesa, e o ministro-conselheiro da Embaixada da China no
Brasil, QU Yuhui.
Ratinho Junior
explicou que agora um grupo de trabalho será formado entre as partes para
discutir detalhes técnicos da parceria, como a elaboração do termo científico
regulatório e protocolo de validação por parte da Secretaria de Estado da
Saúde.
A intenção,
destacou o governador, é que o Paraná seja incluído na terceira fase de
testagem da vacina experimental da Sinopharm, que começou neste mês nos
Emirados Árabes Unidos com a participação de 15 mil voluntários. Segundo a
estatal chinesa, as duas primeiras fases de testes, já encerradas, tiverem 100%
de positivação e sem reação adversa grave.
Os representantes
do Paraná no grupo serão o chefe da Casa Civil, Guto Silva; o presidente do
Tecpar, Jorge Callado; o superintendente-geral de Ciência Tecnologia e Ensino
Superior do Paraná, Aldo Bona; e o diretor-geral da Secretaria da Saúde, Nestor
Werner Júnior.
Tecnologia
“O objetivo do
Paraná é fazer a terceira fase do teste aqui no nosso Estado e, com a aprovação
por parte da Anvisa e do Ministério da Saúde, a produção da vacina elaborada
pela Sinopharm através do Tecpar”, afirmou Ratinho Junior.
Ele reforçou que o
acordo estabelece a troca de tecnologia, pesquisa e ciência, fazendo do Paraná
um polo para o Brasil e América do Sul para a produção e distribuição da
vacina.
“Estamos todos
muito esperançosos que essa solução para o coronavírus fique pronto o quanto
antes. E que o Paraná, em parceria com a China, possa ser protagonista deste
processo, se transformando em um hub logístico da vacina na América do Sul”,
ressaltou o governador.
Preocupação
A empresa
demonstrou bastante preocupação com o estágio da pandemia no Brasil. Liu
Jingzhen, presidente do grupo, disse que a farmacêutica espera finalizar os
testes em estágio avançado em humanos em até três meses.
“Temos pressa para
começar esses testes no Paraná por causa da situação do Brasil. Serão oficinas
com o mais alto nível de segurança, total confiança para garantir o
fornecimento quando a vacina estiver completamente aprovada”, disse.
“A vacina está
perto do seu êxito final. É muito urgente começarmos imediatamente esse ensaio
clínico no Brasil, ao mesmo tempo em que discutimos acertos comerciais”,
completou o diretor-executivo da corporação, Ma Ke.
Estrutura
Jorge Callado
explicou que, além do Tecpar, o Governo do Paraná vai colocar a rede de
universidades estaduais e hospitais universitários no processo, garantindo mais
agilidade ao período de testagem.
“É de fundamental
importância a participação das nossas universidades públicas e da Secretaria da
Saúde para construirmos tecnicamente um protocolo de validação que atenda aos
aspectos regulatórios”, afirmou o presidente do Tecpar. “Os resultados obtidos
até aqui já caracterizam uma boa referência para continuar nossas ações de
controle”, acrescentou.
Rússia
O Paraná também pode
se tornar parceiro da Rússia na produção da vacina contra o novo coronavírus
que está em fase final de testes naquele país. O assunto deve ser tratado pelo
governador Carlos Massa Ratinho Junior nos próximos dias com o embaixador da
Rússia no Brasil, Sergey Akopov.
No início desta
semana, o governo daquele País anunciou ter concluído com sucesso a fase de
ensaios clínicos do seu antivírus, desenvolvido pelo Centro Nacional de
Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya. A expectativa é que estejam disponíveis
no primeiro semestre do próximo ano.
Recursos
O Governo do
Paraná já se antecipou para garantir recursos para a compra e distribuição de
vacinas no Estado. Na segunda-feira (20), o Governo do Estado enviou uma emenda
ao Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para o exercício de 2021 para
alocar R$ 100 milhões no caixa da Secretaria de Saúde para aquisição de vacinas
contra o novo coronavírus.
Outras Vacinas
Cerca de 130
vacinas contra a Covid-19 estão sendo produzidas no mundo. Em estágio avançado
estão os estudos realizados pela Universidade Oxford, da Inglaterra. O Brasil
tem uma parceria para a produção da vacina, por meio da Fiocruz. A expectativa
é que a vacina da Oxford possa ser produzida no início de 2021. Os testes
também estão na fase 3.
O Instituto
Butantã, de São Paulo, está testando no Brasil a vacina produzida pela Sinovac,
que tem sede na China. Esta vacina já está na fase de testagem clínica em
humanos. A intenção é de que a vacina comece a ser produzida no início do ano
que vem.
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