Ipea revê crescimento do PIB agropecuário para 1,5% este ano
Por Agência Brasil - A expectativa de
crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário para este
ano foi revista de 2% para 1,5%. Para o ano que vem, a projeção é que o índice
chegue a 3,2%. A análise está na Carta de Conjuntura referente ao terceiro
trimestre de 2020, divulgada hoje (25) pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea).
Segundo o Ipea, há
melhora nas estimativas para a lavoura neste ano, que passou de 3% para 3,6%,
com o crescimento da produção de soja em 5,9%, de arroz em 7,3%, do trigo, 41%,
da cana-de-açúcar, 2,4%, e do café, em 18,2%, de acordo com o Levantamento
Sistemático da Produção Agrícola do IBGE.
Porém, a pecuária
aponta para queda de 2,8%, principalmente por causa da produção de carne
bovina, com previsão de diminuir 6,3%. A estimativa do instituto se baseia na
diminuição da oferta desde o começo do ano, após a forte alta verificada no
segundo semestre de 2019, além da paralisação de alguns frigoríficos provocada
pela pandemia da covid-19.
O Ipea aponta também
a mudança no padrão de consumo de alimentos, provocada pelo isolamento social,
que aumentou a alimentação em casa e diminuiu em restaurantes e lanchonetes. A
expectativa do instituto é que no segundo semestre do ano ocorra uma retomada
com a reabertura do setor de bares e restaurantes e aumento da ocupação no
mercado de trabalho.
A carne suína deve
subir 5,2% este ano e a produção de ovos, 2,8%. A produção de frango está com
previsão de queda de 0,6% e a de leite deve diminuir 0,2%.
2021
Para o próximo ano, a
projeção do Ipea é que o PIB da lavoura cresça 3,2%, com a produção de milho
avançando 9,1% e a de soja 10,5%, conforme previsão da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab).
Já o PIB da pecuária
deve aumentar 5%, com a perspectiva de recuperação em todos os segmentos,
liderados pelo crescimento de 6,3% da carne bovina.
Mesmo com a maior
incerteza econômica devido à pandemia, o instituto prevê que o crédito rural
manterá favorável as condições de juros, inadimplência e prazo para a próxima
safra, em especial para o pequeno e médio produtor. O volume de crédito
contratado em julho chegou a R$ 23,9 bilhões, o que representa aumento de 48,8%
em relação a julho do ano passado.
Exportações e
importações
Na balança comercial,
as exportações brasileiras do setor agropecuário tiveram aumento de valor de
11% de janeiro a julho, na comparação com o mesmo período de 2019. Os destaques
foram a carne suína, que cresceu 162%; o complexo sucroalcooleiro com aumento
de 59,1%; os produtos de soja com mais 30,6%, e carne bovina, que subiu 161,1%.
As vendas foram impulsionadas pela reabertura econômica da China no final do
primeiro trimestre, após o isolamento social por causa da pandemia.
Nas importações,
houve queda de 9% no valor nos dez principais produtos agropecuários importados
pelo Brasil, puxado pelo salmão, que caiu 35%, do malte com queda de 15% e do
alho, que diminuiu 13%.
“Com o afastamento
social e a provável queda no consumo de cerveja, que é o principal produto a
utilizar o malte como insumo, a demanda por malte diminuiu. O mesmo pode ter
acontecido com outras bebidas alcoólicas à base de malte”, analisa o Ipea.
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