01/09/2020

Morre Vaquinha, uma lenda dos gramados do Paraná

Artilheiro dos gramados, foi o jogador mais irreverente da história do futebol toledano - Por Wanderley Graeff
Vaquinha com a esposa Bernadete
O artilheiro embaixo, ao centro, com o elenco do Toledo em 1979
Os narradores de futebol se referem à “marcha implacável do tempo” como uma das mais repetidas analogias à corrida do cronômetro encurtando a distância para o fim do jogo. Pois, a notícia da noite desta terça-feira (01) em Toledo marcou o apito derradeiro para um craque dos gramados.
O ex-atacante João da Silva Pedro, o “Vaquinha”, 70 anos, faleceu por volta das 21 horas no Hospital Bom Jesus, para onde foi levado pela manhã. Ele sucumbiu à luta contra a cirrose e câncer de fígado. Deixa a esposa, Bernadete, dois filhos – Mairo e Maira e três netos: Pablo, Gabriel e Renan.
Vaquinha faleceu pouco mais de três meses depois de ter sido internado na UTI do Hospital Bom Jesus. Quem vibrou pelos seus gols, agora lamenta o passamento de um ídolo da torcida do Toledo, a quem proporcionou muitas alegrias com seus gols.
Trajetória
Por João da Silva Pedro, seu nome de batismo, poucos o conhecem. Mas em se falando de Vaquinha, não há um amante do futebol que não tenha saudades dos seus gols - ou ao menos referências das gerações mais antigas.
Vaquinha completou 70 anos no dia 23 de julho. Nasceu em Centenário do Sul e defendeu várias camisas, incluindo as do Atlético-PR, Pinheiros, Londrina, Uberaba e Cascavel. Mas foi no Toledo que ele verdadeiramente se identificou com a torcida e se tornou ídolo. Ele proporcionou muitas alegrias ao torcedor, que muito vibrou com os seus gols e a forma irreverente e peculiar de comemorá-los. A mesma irreverência com que, apaixonado pela música e sambista de grande desenvoltura, dançava nos incontáveis bailes de outrora nos salões do Clube do Comércio, do Toledão e do Yara Country Clube, na cidade que escolheu para viver e onde cultivou muitos amigos nas peladas de futebol e como vendedor de automóveis, profissão que adotou após encerrar a carreira profissional na metade dos anos de 1980.
Gols do Fantástico
A irreverência do Vaquinha levou o Clássico da Soja à maior projeção nacional que poderia ocorrer naquela época. Era o Campeonato Paranaense de 1980. O Ninho da Cobra estava abarrotado, não cabia mais ninguém. Foi ali no gol de fundos do velho Estádio Teodoro Colombelli, no Alto Alegre que o Vaquinha deixou a sua marca de artilheiro contra o goleiraço Zico. E saiu pra comemorar dançando, endoidecido, entorpecido pelo ápice de felicidade de que pode desfrutar um artilheiro. Foi o artilheiro do Fantástico, da Rede Globo, colocando as então modestas Toledo e Cascavel no pico da maior audiência da televisão do país. Aquelas imagens correram o mundo.
Os fãs de Vaquinha que tiveram memoráveis tardes de alegria nos domingos de futebol no 14 de Dezembro e tambem no Olímpico em Cascavel, se voltam aos céus em orações pelo artilheiro que encantou e conquistou uma cidade e uma região.
A seleção de futebol do Céu ganhou um artilheiro de muita raça.
Viver Toledo – Editores: Wanderley Graeff e Karine Graeff
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2 Comentários:

Às 2 de setembro de 2020 às 04:54 , Blogger Adalberto disse...

Parabéns pela brilhante matéria jornalística. A abordagem dá uma dimensão justa do papel representado por este esportista Toledano que tal qual o nosso Edson Arantes do Nascimento, se eternizou o "Rei Pelé" em Toledo o "Vaquinha" nunca perdeu a magestade e seu sucesso mesmo ainda quando jovem protraiu-se no tempo. Com certeza deverá sua trajetória e significado de sua passagem pelo esporte Toledano deve fazer parte do acervo histórico do município.

 
Às 2 de setembro de 2020 às 11:09 , Blogger Viver Toledo disse...

Obrigado Adalberto!

 

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