Queda no número de casos pode representar cautela da população
Na mesma semana que registramos queda de 34,8% no número de novos casos, também tivemos a maior alta de óbitos, com recorde de 4 óbitos no mesmo dia
O combate ao novo coronavírus têm percorrido caminhos bastante sinuosos
em Toledo, assim como no resto do planeta. Ao analisar a evolução da pandemia
no município de Toledo, os profissionais da Secretaria de Saúde perceberam uma
mudança no perfil dos casos contaminados. Essa alteração passa tanto no aspecto
das regiões e bairros mais afetados, quanto no aspecto socioeconômico.
As primeiras semanas do mês de setembro, semana 36 (de 30 a 05), semana
37 (de 06 a 12) e a 38 (de 13 a 19) foram registrados um grande número de casos
(404, 416 e 415, respectivamente). Já na semana 39, que compreende o período
entre os dias 20 e 26 de setembro, esse número caiu para 272. Uma queda de
34,8% no número de novos casos positivos da Covid-19.
“Existe uma tendência de queda, mas não sabemos ainda se ela vai se
manter. O número de casos reflete o nosso comportamento, enquanto sociedade.
Não tem mágica”, salientou o Porta Voz do Centro de Operações Emergenciais
(COE), Médico Fernando Pedrotti. “Desde o dia 18 de setembro não ultrapassamos
mais o número de 50 novos casos por dia. Isso ocorreu uma única vez”,
acrescentou.
Ao estratificar outras nuances do perfil epidemiológico dos casos
confirmados, a Médica Gabriela Kucharski, percebeu uma inversão no número de
pessoas da raça preta ou parda, predominante no início da pandemia, para
pessoas de raça branca, ao analisar os casos de 26 de julho em diante.
Os gráficos que apresentam os números referentes à escolaridade tiveram
alterações, aumentando os percentuais com maior escolaridade, inclusive com
casos confirmados em pessoas com ensino superior completo.
Estas informações, somadas aos números crescentes de casos nas regiões
do Bairro Pancera, Industrial, Centro, La Salle, entre outros, sugerem em uma
análise superficial, que o perfil socioeconômico avançou para pessoas da classe
média e média alta. O número de exames positivos advindos da rede particular
(convênios, clínicas e hospitais fora do SUS) corroboram com essa tese.
No terreno das especulações, é possível dizer que o somatório dessas
informações agregado às ações e decisões do poder público no que tange a
fiscalização dos estabelecimentos e publicação de decretos restringindo o
funcionamento ou disciplinando a abertura de certos ramos de atividade possa ter
contribuído para a assimilação das mensagens insistentemente divulgadas sobre
os cuidados a serem tomados: lavar as mãos, uso do álcool em gel,
distanciamento ou isolamento social. Medidas que aparentemente surtiram efeito
na última semana epidemiológica.
Na mesma semana que registramos queda de 34,8% no número de novos casos,
também tivemos a maior alta de óbitos, com recorde de 4 óbitos no mesmo dia. Na
Matriz de Risco, Toledo continua com o alerta da Bandeira Laranja, porém mais
próxima da Bandeira Vermelha, em função do quadro apresentado.
Os profissionais de saúde estão confiantes e otimistas para que a
população realmente contribua e compreenda o momento que estamos passando. A
pandemia não acabou e os cuidados devem ser mantidos para podermos combater os
efeitos e evitar sua expansão.
Editores: Wanderley Graeff (45 98801-8722) e Karine
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