Se segunda onda de Covid chegar, gasto do governo será metade do que foi em 2020, estima Guedes
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Por Reuters - Caso uma
segunda onda de Covid-19 atinja o país, a perspectiva é gastar metade do que
foi empregado no enfrentamento ao surto em 2020, disse nesta terça-feira (10) o
ministro da Economia, Paulo Guedes, justificando que agora há experiência para
limar os excessos.
“Se uma segunda
onda vier para o Brasil já temos os mecanismos. Digitalizamos 64 milhões de
brasileiros. Então sabemos quem eles são, onde estão, o que precisam para
sobreviver”, disse o ministro, ao participar de fórum virtual promovido pela
Bloomberg.
Segundo Guedes, no
caso de uma segunda onda o governo voltará a prover assistência, mas a valores
menores. “Em vez de 8% do PIB, provavelmente desta vez metade disso porque
sabemos que podemos filtrar agora os excessos aqui e ali. E certamente
usaríamos valores menores”, afirmou.
Em apresentação
recente, o Ministério da Economia estimou que as medidas de combate ao
coronavírus chegarão a 8,6% do PIB neste ano. Só com o auxílio emergencial --a
maior delas-- os gastos serão de 321,8 bilhões de reais, contemplando
pagamentos mensais de 600 reais aos beneficiários entre abril e agosto, e de
300 reais de setembro até o fim do ano.
“Quem pode pegar
emprestado 8% (do PIB) a mais pode pegar 12%. Então poderíamos gastar um pouco
mais, justamente porque as pessoas entendem que temos a resolução de voltar à
situação anterior assim que a doença nos deixar”, disse o ministro.
“Portanto, estamos
prontos para avançar caso a doença volte, mas não vamos nos mover se ela for
embora. As pessoas entendem isso.”
Guedes tem
defendido a inserção, na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto
Federativo, de emenda que abra caminho para um orçamento de guerra em caso de
nova emergência, a exemplo do que aconteceu neste ano por causa da pandemia de
coronavírus.
A emenda
constitucional do orçamento de guerra desobrigou o governo de cumprir uma série
de regras fiscais, incluindo a meta de resultado primário, também permitindo
que os gastos extraordinários, como os ligados à concessão do auxílio
emergencial, não precisassem obedecer ao teto de gastos.
Em sua
participação no fórum desta manhã, o ministro voltou a frisar que a avaliação
hoje é de que não será necessário seguir com o auxílio, já que a percepção
corrente é que a doença está retrocedendo e a economia está voltando
“fortemente”.
Essa retomada,
reiterou ele, está ocorrendo num formato de V puro, e não num “V da Nike”, como
ele chegou a aventar anteriormente.
Apesar dos vultosos gastos públicos, o ministro disse ainda que o governo está rolando a dívida “sem problemas”. “Acho que não teremos problema à frente”, acrescentou.
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