Sociedade de Imunizações lança campanha voltada a adolescentes
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| Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Agência Brasil - A Sociedade
Brasileira de Imunizações (SBIm) lança hoje (19) a campanha Quem Vacina Não
Vacila, para reforçar a importância de se cumprir o calendário de vacinação dos
adolescentes. Com a participação de influenciadores digitais e postagem nas redes
sociais e internet, a ação destaca o papel da vacinação na proteção individual
dos adolescentes e na saúde coletiva, já que um adolescente imunizado também
protege pessoas de outras idades contra doenças infecciosas.
O calendário de
vacinação para adolescentes do Ministério da Saúde recomenda a vacina contra o
HPV; a vacina meningocócica ACWY, que previne a meningite; e a vacina DT (dupla
adulto), contra difteria e tétano. Também é preciso conferir se vacinas como a
da hepatite B e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) estão em dia,
além das doses de reforço previstas para outras vacinas.
O presidente da
SBIm, Juarez Cunha, lembra que as coberturas vacinas já estavam em queda no
país, e que a situação se agravou com a pandemia da covid-19. "[A adolescência]
É uma faixa etária em que temos várias vacinas recomendadas e disponíveis, mas
com certeza subutilizadas", disse Cunha no lançamento da campanha.
Além dos
adolescentes, a ação pretende atingir educadores, responsáveis, profissionais
de saúde e difusores de informação.
A campanha tem
apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Programa
Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.
A chefe da área de
Saúde e HIV do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque, avalia que o esforço de
disseminar informação é importante porque uma das principais demandas da
população é entender melhor os efeitos adversos previstos na vacinação e saber
como proceder nesses episódios, que são considerados raros.
"A gente sabe
que não é só no quesito da imunização. O adolescente não vai na unidade de
saúde fazer prevenção, porque ele acha que não adoece. Ele tem aquele
pensamento mágico de que é um super-herói", disse, ressaltando ser
importante mobilizar os próprios adolescentes a motivarem seus amigos a se
vacinar. "Quem motiva um adolescente é outro adolescente empoderado",
disse.
A pediatra Ana
Goretti representou o Programa Nacional de Imunizações no lançamento da
campanha e apresentou dados sobre as coberturas vacinais dos adolescentes. De
2014 a 2020, a cobertura da primeira dose da vacina chegou a 79% das meninas e
de 54,2% nos meninos. Para a segunda dose, a cobertura cai para 55,7% nas meninas
e 34,1% nos meninos. Para a meningocócica C, a cobertura acumulada entre 2017 e
2019 é de 41% nos adolescentes de 11 a 14 anos.
"Nessa faixa
etária, você tem uma crença muito arraigada de que vacina é para criança. Há um
desconhecimento da família, e a pandemia tem trazido uma dificuldade
maior", disse a pediatra.
O diretor do
Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São
Paulo, Marco Aurélio Sáfadi, lembrou que a vacinação de adolescentes contra a
meningite, por exemplo, aumenta a proteção das crianças. Isso acontece, segundo
ele, porque adolescentes e jovens adultos são os principais portadores de
colônias da bactéria causadora da doença, o que nem sempre faz com que adoeçam,
mas permite que transmitam a doença a outros indivíduos.
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