Hortas comunitárias e fazendas verticais são alternativas em áreas urbanas
Dilceu Sperafico*
Os conflitos e
diferenças entre o campo e as cidades estão sendo superados, com muitos e
grandes benefícios para as ambas as partes. Entre estes avanços para a
população, estão as hortas comunitárias e as “fazendas verticais”, como
atividades alternativas e produtivas em áreas urbanas de todo o País.
Com isso, está se aproveitando
terrenos baldios, antes tomados por matagal ou depósitos de lixo, que passaram
a produzir e fornecer hortifrutigranjeiros. Os alimentos se destinam às
famílias de baixa renda e à merenda escolar, melhorando a qualidade de vida de
comunidades de áreas mais distantes do centro das cidades.
As vantagens das
hortas comunitárias nas áreas urbanas incluem a sobrevivência de moradores
responsáveis pelo cultivo e a oferta de hortaliças a preços acessíveis a
consumidores de baixa renda, além de valorizarem os imóveis dos proprietários
que autorizam formalmente o seu aproveitamento.
Em Brasília,
inclusive, a iniciativa conta com orientação e suporte de técnicos da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), incentivando o plantio orgânico
de alimentos saudáveis.
As áreas cultivadas
em lotes abandonados, muitas vezes utilizados como depósitos de lixo e/ou
entulho e transformados em focos de doenças, perdendo valor comercial, passaram
a abastecer famílias de consumidores próximos ou mais distantes, interessados
na aquisição de hortaliças mais saudáveis e a menor custo.
Exemplo do sucesso da
iniciativa iniciou há 15 anos, em área pública de cinco mil metros quadrados,
hoje ocupada por hortaliças e árvores frutíferas, tornando-se a maior horta
urbana do Distrito Federal, pertencente ao Instituto Horta Girassol.
O empreendimento
iniciou em agosto de 2005, quando ocorreu surto de hantavirose naquela região
da cidade, preocupando a comunidade vizinha e autoridades de saúde pública,
pois havia grande lixão no local.
Os vizinhos se
mobilizaram e conseguiram da administração regional a limpeza do terreno. A
partir de então, para impedir que o lixo voltasse a ser depositado e acumulado
no local, a horta começou a ser cultivada pelos moradores vizinhos, muitos dos
quais pequenos agricultores ou trabalhadores rurais migrados para a área
urbana, que dominavam técnicas da agricultura tradicional.
A plantação começou
pequena, mas cresceu e atualmente o Instituto Horta Girassol tem projeto
chamado Comunidade que Sustenta Agricultura (CSA), funcionando em parceria com
produtores orgânicos tradicionais.
Os produtos colhidos
são fornecidos semanalmente aos moradores participantes, que contribuem
financeiramente com a iniciativa, após receberem cestas de verduras, frutas e
legumes em suas casas.
A produção excedente
é comercializada entre os interessados, incluindo estabelecimentos comerciais.
Já as chamadas “fazendas verticais” também abrigam o cultivo de hortas em
pequenos espaços urbanos, contando com apoio e orientação técnica da Embrapa
Hortaliças, do Distrito Federal, e parceria de estabelecimentos comerciais.
Nesse modelo, a
produção de hortaliças é realizada com o cultivo em prateleiras verticais,
permitindo o aproveitamento do espaço em ambientes fechados, como galpões ou
armazéns, com iluminação artificial e controle de temperatura e concentração de
CO2, oferecendo alimentos frescos e saudáveis, com alta eficiência no uso de
insumos e redução de custos com transporte e perdas de produtos.
*O autor é
ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
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