03/05/2021

Na terra do agro, brotou a maior indústria de genéricos do Brasil

R$ 650 mi de investimento e foco no mercado internacional
Por Wanderley Graeff (Viver Toledo) -
O cenário é de extensas lavouras de soja e milho que se perdem no horizonte, se assemelhando como que a um mar de tonalidades exuberantes, com os mesmos matizes esverdeados da cobiçada moeda americana que dita as regras do mercado financeiro mundial. E cuja flutuação ascendente salta aos olhos dos produtores do agro, puxam para cima os preços de venda nas mesas de negócios das grandes cooperativas e cerealistas da região, e vitaminam com vigor impressionante a economia local.
Some-se a isso uma quantidade extraordinária de aviários, chiqueirões, tanques de engorda de peixes e pastos verdejantes de uma das maiores bacias leiteiras do estado. Tudo isso sustentado pela maior malha viária asfaltada do interior do Brasil com quase 400 quilômetros de estradas rurais pavimentadas.
Em meio a esse cenário que até há poucos era essencialmente agrícola e se transformou na “Capital do Agronegócio do Paraná”, emergiu com viço semelhante com que brotam as sementes lançadas nas suas férteis terras uma empresa que se tornaria a maior do Brasil em seu segmento e um novo orgulho de Toledo. O verde exuberante passou a conviver com o matiz roxo adotado pela indústria farmacêutica Prati-Donaduzzi, cuja trajetória comprova que determinação, persistência e busca constante por capital humano qualificado formam a receita indissociável para o sucesso.
Ninguém em sã consciência jamais teria imaginado que aquela empresa, que parecia uma “intrusa” no território do agro, se transformaria na maior produtora de medicamentos genéricos do Brasil. É um feito admirável, que turbina a oferta de empregos na cidade, capta capital intelectual nas mais diversas regiões do país e contribui para o boom imobiliário e a verticalização em que os grandes edifícios brotam no solo urbano na velocidade das sementes que turbinam o agronegócio local.
Acabou aí? Que nada! Efeito diretamente ligado ao extraordinário sucesso da Prati, o casal fundador da companhia não se deitou sobre os louros de um negócio absurdamente bem sucedido. Luiz e Carmen Donaduzzi foram mais além e deram de presente a Toledo e região nada menos que o Parque Tecnológico de Biociências - Biopark. O solo fértil das grandes ideais de empreendedores ousados mais uma vez fez brotar um empreendimento inovador, apropriadamente chamado de “território da inovação”.
 
O tamanho da gigante dos genéricos
O Brasil consome 50 bilhões de doses de medicamentos genéricos ao ano, volume que é produzido por 120 laboratórios. A Prati-Donaduzzi tem a musculatura de um gigante nesse contexto. Sozinha, a empresa produz mais de um quinto de toda a soma da produção nacional.
Com essa gigantesca produção, a indústria toledana está presente em mais de 55 mil farmácias e em mais de 34 mil unidades básicas de saúde espalhadas pelos 5.570 municípios brasileiros.
Alô, tio Sam!
Parou por aí? Não! A ousadia de fazer remédios de qualidade em meio ao território dominado por suínos, frangos e soja, vai muito além do que poderia supor a mais fértil imaginação. O alvo? Ninguém menos que a terra do Mickey.
O plano de crescimento de nada amenos que R$ 650 milhões está em curso e foca a expansão internacional, onde os nutracêuticos produzidos em Toledo já fazem história e disputam mercado em meio aos grandes laboratórios americanos.
Nutracêuticos são suplementos alimentares que contêm, quando concentrados, um composto bioativo capaz de melhorar a saúde de um indivíduo, independentemente da ingestão de um alimento em conjunto. “Temos dez produtos registrados e comercializados por uma grande rede de varejo dos Estados Unidos”, diz o presidente da empresa, Eder Fernando Maffissoni.
Eder Maffissoni: foco no mercado internacional
Está em curso o trabalho para a ampliação da unidade de produção de nutracêuticos, que é devidamente certificada. Mas esse é apenas um item do planejamento da empresa e existe uma pretensão muito maior que mostra o atrevimento do time que tinge de roxo o cenário do verde do agro regional: já que é referência em medicamentos genéricos no Brasil, parte em busca desse status também no nível global. “Temos a pretensão para o próximo ano de sermos o primeiro laboratório brasileiro a ter uma certificação FDA para exportação de medicamentos genéricos”. Atualmente, não existe nenhum laboratório do Brasil certificado pelo poderoso órgão governamental dos Estados Unidos que faz o controle de alimentos a medicamentos, o Federal Drug Administration.
A expansão internacional projeta a comercialização de altos volumes de produtos. “Nosso plano de curto e médio prazo é a exportação de medicamentos genéricos para os Estados Unidos e, no médio prazo, cerca de cinco anos, a Prati-Donaduzzi quer estar presente em mais de 50 países”, afirma o presidente da empresa.
Canabidiol
O planejamento para a conquista de uma fatia no mercado internacional engloba fitoterápicos produzidos com pioneirismo no Brasil pela planta toledana. Os produtos à base do Canabidiol desenvolvidos pela Prati-Donaduzzi estão em fase de registro em vários países, como Chile, Uruguai, Paraguai, Colômbia, El Salvador, México e Portugal.
 
Apoio ao modal ferroviário
Todo esse crescimento ocorre sem a sustentação de uma infraestrutura eficiente de transportes. Some-se a isso o fato de que o Brasil não produz matéria prima e nem equipamentos para a indústria farmacêutica, o que faz da Prati-Donaduzzi um grande importador. O modal rodoviário com longas distâncias percorridas em rodovias de pistas simples é o único disponível para a empresa, que até tentou se utilizar do porto seco de Cascavel e da atual configuração da Ferroeste. “Não se tornou viável pela complexidade da operação de transbordo, que vira mais confusão do que benefício”, aponta Maffissoni.
A empresa se soma às lideranças locais que reivindicam que o projeto em andamento da nova Ferroeste contemple Toledo não só com um terminal de transbordo de cargas, mas com um porto seco. “É mais do que viável, com tantas empresas daqui que exportam os seus produtos e importam matéria prima e equipamentos”, completa Eder.
O dirigente participou há poucos dias de evento sobre a nova Ferroeste, ferrovia que deverá ligar o Mato Grosso do Sul ao Porto de Paranaguá e da qual as lideranças de Toledo não querem que a cidade seja apenas um ponto de passagem e do apito dos trens.
 
Sobre a Prati-Donaduzzi
A Prati-Donaduzzi é uma indústria farmacêutica 100% nacional com 27 anos de atuação. Tem sede em Toledo e emprega aproximadamente 4,5 mil colaboradores. A missão da empresa é produzir saúde e bem-estar às pessoas por meio de medicamentos de qualidade, com eficácia e preço justo. Por ano são mais de 12 bilhões de doses terapêuticas produzidas.
O que a empresa produz?
São produtos indicados no tratamento de doenças como diabetes, hipertensão, Alzheimer, Parkinson, depressão, entre outras. 
Com um portfólio de mais de 400 apresentações, que contempla produtos de marca, fitoterápicos, nutracêuticos, além dos medicamentos genéricos, no qual é líder de mercado – a indústria destaca-se no segmento farmacêutico. A empresa é reconhecida pelos investimentos em inovação e pesquisa, sendo a primeira a tornar o tratamento com Canabidiol de produção nacional uma realidade.
O parque fabril da Prati-Donaduzzi possui alta tecnologia. Tudo para garantir alta performance, para levar à população qualidade de vida. Milhões de brasileiros todos os dias usam os medicamentos da empresa para a manutenção da saúde. 
Investimentos
A Prati-Donaduzzi investirá nos próximos anos na construção de uma nova unidade fabril de alta tecnologia em sua sede, modernização das plantas atuais, assim como em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Para isso, são projetados investimentos de R$ 650 milhões.
O foco nos investimentos é dar sustentação ao crescimento da empresa em mais de 40% para atingir a meta de produzir 17 bilhões de doses de medicamentos por ano.
Para atingir esses objetivos, a geração de empregos acompanha o crescimento da empresa. Serão centenas de novos postos de trabalho nos próximos anos. Somente neste momento, a empresa está com mais de 60 oportunidades na área da construção civil, para contratação de pedreiros, serventes de pedreiros, eletricista e auxiliar de eletricistas. (Com dados da assessoria)
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