Projeção de crescimento do PIB em 2021 passa de 3,2% para 3,5%
Agência Brasil - A projeção de
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2021 aumentou de 3,2% para
3,5%, ficando em R$ 8,42 trilhões, segundo dados do Boletim Macrofiscal de
Maio, divulgado hoje (18), em Brasília, pelo Ministério da Economia. Os números
mostram que a previsão de inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) para este ano é de 5,05%, acima do centro da meta de inflação de
3,75% para o ano. A meta tem ainda intervalo de tolerância de 1,5 ponto
percentual para cima ou para baixo.
Segundo o boletim, a
projeção do PIB (a soma de todas as riquezas produzidas no país) para 2022 até
2025 é de 2,5%. A publicação diz, ainda, que o aumento da estimativa do PIB de
2021 se deve a uma melhora da expectativa do resultado econômico do primeiro
trimestre de 2021, com um aumento esperado de 0,3% na margem do PIB com ajuste
sazonal, “mesmo diante do aumento das regras legais de distanciamento e a
despeito do fim do auxílio emergencial”.
Para o segundo
semestre deste ano, o boletim afirma que, com o avanço da vacinação contra a
covid-19, é esperada uma aceleração do setor de serviços. Entre outros
pontos, destaca-se a ampliação da vacinação no país como um fator fundamental
para a retomada da atividade econômica.
“Deve-se salientar
que a incerteza nas estimativas atuais ainda permanece significativamente
elevada. Ademais, as projeções da atividade para este e para os próximos
anos tornam-se particularmente sensíveis à divulgação dos dados e ao
desenrolar dos efeitos da covid-19 e do processo de vacinação, principalmente
considerando os seus efeitos no PIB de longo prazo", afirma.
O boletim também
registra a performance dos diferentes setores da economia, registrando aumento
na atividade do setor de serviços e na produção agrícola.
Ainda segundo a publicação, o setor de serviços tem apresentado recuperação em 2021 e está mais próximo do nível pré-crise econômica desencadeada pela pandemia do novo coronavírus, apesar de o segmento ter sido um dos mais impactados. Inclusive com maior dificuldade de retorno em razão das medidas restritivas de deslocamento e de isolamento social.
“Mesmo assim,
observa-se que o setor de serviços cresceu 2,8% no 1T21 [primeiro trimestre de
2021] em relação ao trimestre anterior (com ajuste sazonal). Na análise
interanual, o setor ainda apresenta recuo de 0,8% ante mesmo trimestre do ano
anterior. O carregamento estatístico para o ano de 2021 é de alta de 6,2%”, diz
o boletim.
Quanto à produção
agrícola é esperado um novo recorde na safra de grãos em 2021, com estimativa
de alta de 4,1% em relação à safra de 2020. Esse desempenho resulta em 264,5
milhões de toneladas (aumento de 10,3 milhões de toneladas), com destaque
para aumento da safra de soja e de trigo.
Entretanto, os dados
mostram que a produção industrial apresentou um recuo de 0,4% no primeiro
trimestre de 2021 em relação ao trimestre anterior (com ajuste sazonal).
A indústria de
transformação registrou queda de 0,6%, enquanto a indústria extrativa
cresceu 0,8%. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2020, a
produção industrial apresentou crescimento de 4,3% no trimestre, com queda de
2,1% na indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação teve alta
de 5,2% e os insumos típicos da construção civil, 15,4%.
O comércio varejista
também apresentou uma diminuição na sua recuperação em 2021, interrompendo o
forte retorno das vendas observado no fim de 2020. No primeiro trimestre de
2021, as vendas no varejo restrito recuaram 4,3% em relação ao trimestre
anterior (com ajuste sazonal).
Por sua vez, o varejo
ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, caiu 3,9%, com
recuo 20,0% para veículos e motos, e de 3,7% para materiais de construção.
Frente ao primeiro trimestre de 2020, as vendas no varejo restrito caíram 0,6%,
enquanto no ampliado cresceram 1,4%.
O Boletim Macrofiscal
de Maio aponta, ainda, para uma expectativa na taxa de inflação de 5,05% ao
ano. Apesar de o valor estar acima da meta de inflação de 3,75%, ele se
encontra dentro do intervalo de tolerância. Já para o próximo ano, a projeção
do IPCA [a inflação oficial do país] converge para o centro da meta a partir de
2022, que é de 3,5%. Em 2023, a meta é de 3,25%.
Os dados mostram que
o IPCA de abril, último mês divulgado, foi de 0,31%, ficando 0,62 ponto
percentual abaixo da taxa de março (0,93%). Em 12 meses, o índice acumula
alta de 6,76%.
“A evolução do IPCA
ao longo do ano de 2020 mostra que a inflação acumulada em 12 meses do grupo
Alimentação no Domicílio, após atingir um valor mínimo de 5,1% em março
de 2020, acelerou até alcançar o pico em novembro de 2020, quando atingiu
21,1%, e fechou o ano em 18,2%. No dado mais recente, no acumulado em 12 meses,
encontra-se em 15,55% (abril de 2021)”, diz o boletim.
O documento destaca,
ainda, que os preços dos serviços contribuíram positivamente para a
inflação acumulada em 12 meses, uma vez que a elevada ociosidade da economia
contribui para manter a variação do preço baixa e estável neste setor.
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