As diferentes apostas na garantia e evolução da sucessão rural
Dilceu Sperafico*
Para o bem e o futuro do
agronegócio brasileiro, com benefícios diretos e imediatos para toda a
população, produtores, poder público e entidades representativas estão investindo
na sucessão na agropecuária, preparando filhos e netos de agricultores para
assumir, ampliar, diversificar e modernizar atividades nas propriedades e/ou
nos empreendimentos rurais de seus pais e avós.
Em Toledo, Oeste do Paraná e
outras regiões do País, parte da motivação de jovens rurais para que assumam as
tarefas da família, está na oferta de cursos superiores em cidades próximas,
muitas das quais com acesso por estradas asfaltadas, como os de agronomia,
medicina veterinária, biologia, engenharia civil, administração, agronegócio e
tecnologia, que preparam os estudantes para o enfretamento dos desafios da
produção e comércio, local, regional, nacional e internacional de alimentos e
matérias-primas.
Já no Rio Grande do Sul o Governo
Estadual implantou o Programa Bolsa Juventude Rural há alguns anos, no qual 77%
dos jovens beneficiados investem o que ganham na propriedade dos pais, o que
demonstra que a iniciativa está cumprindo um dos seus principais objetivos que
é garantir a sucessão no campo. A bolsa é de cerca de dois mil reais anuais por
estudante.
Conforme recente levantamento,
entre 2013 e 2020, o programa atendeu 1.735 jovens, de 569 escolas, de 491
municípios, com 2.036 bolsas disponibilizadas, muitas recebidas em diversos
anos seguidos. De 2017 para 2018 houve aumento de 142% na procura dos jovens
pelo programa, passando de 327 para 793. Em 2018, a procura cresceu 45%,
passando para 1.152 e no ano de 2020 a elevação foi de 1,5%, passando para
1.169.
Durante o 1º Seminário Estadual do Bolsa Juventude Rural, realizado recentemente de forma virtual, com participação de mais de 300 pessoas, entre estudantes, dirigentes de escolas e extensionistas da Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS), de diversas regiões do Estado, foi também revelado que 77% dos jovens investem o valor da bolsa diretamente no projeto produtivo, 18% utilizam no projeto produtivo e no uso pessoal e 5% apenas para despesas pessoais.
Conforme autoridades estaduais, tais números mostram que o programa está cumprindo um dos seus principais objetivos que é garantir a sucessão rural, já que os jovens usam recursos que recebem para investir em seus projetos, na propriedade da família. A iniciativa tem apresentado grande procura e pode ser ampliado, mas as dificuldades estão na falta de recursos públicos e no preenchimento correto da documentação exigida pelo edital de convocação dos interessados.
Entre os inabilitados para o
programa, 40% não apresentaram corretamente a documentação pessoal e/ou da
família, 25% tiveram problemas com a documentação da escola, 19% apresentaram
algum erro no preenchimento ou falta de assinatura no pré-projeto e 16% tiveram
problemas na obtenção do extrato da Declaração de Aptidão ao Programa Nacional
de Agricultura Familiar (DAP -Pronaf), da Secretaria Especial de Agricultura
Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead).
Esses percentuais demonstram a
necessidade de maior conhecimento do programa, pois a sucessão rural é hoje um
dos grandes focos da Emater/RS, visando a melhoria da qualidade de vida da
família do campo e o desenvolvimento e/ou adoção de novas tecnologias.
*O autor é ex-deputado federal
pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Editores: Wanderley Graeff (45 98801-8722) e Karine
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