Olhai a figueira com seus ramos verdes e repleta de brotos novos
* Dom João Carlos Seneme, css
Estamos chegando ao fim do Ano
Litúrgico e neste domingo lemos a última passagem do Evangelho de São Marcos. O
texto é apresentado através de um gênero literário chamado “Apocalipse” que
significa “revelação”, ou seja, indica a necessidade de tirar o véu para
compreender o mundo, os acontecimentos e a história. As páginas da liturgia
deste domingo não querem assustar ninguém, nem mesmo falar do futuro, nem
anunciar uma catástrofe final. A intenção é animar a comunidade diante das
dificuldades e inseguranças. Por isso, trata-se de uma boa notícia: todos são
chamados a acolher a boa nova e convertê-la em ação de graças.
No evangelho Jesus recomenda
aos seus discípulos que aprendam a ler nas entrelinhas da história: Aprendam,
pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas
começam a brotar, sabeis que o verão está perto. Assim também vós...
O capítulo 13 de Marcos, de
onde vem esta recomendação de aprendizado, é pontuado por cenários de
destruição e evoca as imagens clássicas da literatura apocalíptica: o sol
escurecendo, a lua que não brilha mais à noite e as estrelas em queda ... O que
significa, então, a parábola da figueira: seus ramos verdes, as folhas que
começam a brotar? Ela indica um renascimento, uma vida nova que nasce através
do dom da vida de Jesus. “Juízo” final, condenação não fazem parte do ser de
Deus. Ele deseja a transformação da história, o seu renascimento, o seu caminho
na direção da plenitude. A Jerusalém celeste é o destino final, onde a
humanidade inteira será acolhida e encontrará morada na presença do Senhor. A
figueira com seus ramos verdes e brotando é um pequeno sinal de vida e
esperança diante das tribulações e dificuldades. Porém é um sinal de esperança
que os fiéis são chamados a reconhecer para despertar do desânimo.
É neste contexto que deve ser entendida a vinda do Filho do Homem: um evento repleto de esperança para os leitores do evangelista Marcos e para todos os fiéis de hoje. Todos nós vivemos na expectativa de sua vinda. Mas o que isso significa? Viver na expectativa não é apenas uma projeção para o futuro, mas antes de tudo um convite a viver o presente a partir da meta. As imagens da figueira que brota e da mulher prestes a dar à luz nos colocam no presente onde somos responsáveis em proteger a vida até o encontro definitivo com Deus.
A futura intervenção de Deus
coloca o mundo em nossas mãos, somos chamados a colaborar no projeto de uma
nova vida. Deus pede nossa colaboração para vencer o mal.
Hoje (14/11) a Igreja celebra o
5º Dia Mundial dos Pobres. É mais uma oportunidade para alargar nosso olhar e
prestar atenção aos que sofrem e estender nossa mão para amenizar seu
sofrimento.
* Dom João Carlos Seneme, css
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