Os males do desmatamento ilegal e os riscos da poluição dos plásticos
Dilceu Sperafico*
O desmatamento ilegal, a
contaminação do solo e dos recursos hídricos e o uso de combustíveis fósseis,
são, sem dúvida alguma, ameaças muito graves à natureza e à própria
sobrevivência da humanidade, mas há ainda problemas tão ou até mais sérios,
como é o caso da poluição pelos plásticos.
De acordo com levantamento do
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), anunciado ainda antes
da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-26), realizada entre os dias 1º e 12
de novembro, em Glasgow, na Escócia, os plásticos já representam 85% do lixo
marinho e até 2040 esse volume assustador deverá triplicar, com a poluição
causada por esses materiais não degradáveis sendo duplicada até 2030.
Para se ter ideia da gravidade da situação, que por alguma razão desconhecida raramente é citada por ambientalistas e ongs mais radicais, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), as emissões de gases causadas por plásticos devem subir para 6,5 de gigatoneladas até 2050, causando péssimas consequências para a saúde humana, economia, biodiversidade e estabilidade do clima.
A solução apontada por
especialistas da organização para a estabilização e redução dessa tragédia
ambiental é investir em energias renováveis e acabar com os subsídios
oferecidos à produção e consumo dos combustíveis fósseis. Os responsáveis pelo
levantamento do Pnuma acreditam ainda ser possível reverter essa crise, desde
que haja vontade política e ação urgente, de parte de autoridades e da
população.
O relatório revelou que em 2015
as emissões de gases de efeito estufa causadas por plásticos eram equivalentes
a 1,7 gigatoneladas de CO2, mas a projeção atual é que até 2050 esse volume
cresça quase 400%. Isso porque, segundo os especialistas, até algumas
alternativas para a crise desse material também são nocivas ao meio ambiente,
incluindo os plásticos biodegradáveis.
Para os pesquisadores, a solução seria a suspensão imediata do consumo de plástico com a eliminação de falhas do mercado, como os altos preços de materiais reciclados e a falta de esforços para o manejo do lixo causado pelos plásticos, pois sobram argumentos científicos sobre a urgência de ações de proteção dos oceanos poluídos.
Isso porque, conforme já
destacamos, atualmente os plásticos já representam 85% do lixo marinho e até
2040 esse volume deverá triplicar, porque a cada ano até 37 milhões de
toneladas de lixo acabam sendo levadas aos oceanos, o que significa 50kg do
material para cada metro de área litorânea.
Em consequência dessa poluição
assustadora, plânctons, mariscos, pássaros, tartarugas e mamíferos enfrentam
graves riscos de sufocamento, intoxicação, problemas de comportamento e fome,
colocando em risco a vida marinha, que é fundamental para a estabilidade do
clima do planeta.
O levantamento destacou ainda
que o corpo humano também é vulnerável à poluição por plásticos, já que
partículas são ingeridas durante o consumo de peixes, de bebidas e até do sal
comum. Os microplásticos podem também penetrar nos poros e/ou serem inalados
quando estão suspensos no ar.
De acordo com o relatório, os
impactos dessa poluição para a economia mundial até 2040 poderão atingir perdas
de 100 bilhões de dólares anuais para as empresas e consumidores, caso não se
exija de imediato que a indústria assuma todos os custos do manejo do lixo de
plástico.
*O autor é ex-deputado federal
pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
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