11/01/2022

No Oeste, só não trabalha quem for amante do ócio

Na terra da promissão, brotam empregos como as sementes lançadas em solo fértil - Por Wanderley Graeff
Certa vez, cobrindo um evento da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná em homenagem a ex-prefeitos que presidiram a entidade municipalista, testemunhei um dos discursos mais extraordinários da minha carreira de mais de quatro décadas no jornalismo.
Conhecido pela verve única que ganhava ainda mais expressão quando entonava a voz grave lapidada em incontáveis sessões nos tribunais, o advogado Wilson Carlos Kuhn, que administrou Toledo nos anos de 1970, discursou em nome dos ex-presidentes canalizando toda a atenção de uma plateia atenta formada por prefeitos, ex-prefeitos e convidados.
Com a verve de um dos mais extraordinários tribunos que a região conheceu, Kuhn discorreu com riqueza de detalhes sobre a história da colonização, a grande produção agroindustrial do Oeste e o milagre da rápida multiplicação de cidades, arrematando, num cenário de silêncio profundo poucas vezes testemunhada num evento de tal ordem: “Quando percorreu o deserto pelos 40 anos com o povo eleito em busca da Terra Prometida, Moisés não conhecia o Oeste do Paraná. Esta é a terra da promissão!” A plateia pôs-se em pé para aplaudir demoradamente o ilustre e inspirado orador. Foi um show.
Wilson Carlos Kuhn traduzia ali o extraordinário desenvolvimento que só se fez acelerar desde aquela memorável noitada na Churrascaria Portal, em Cascavel.
A crise econômica fez com que o número de desempregados no país ultrapassasse as 15 milhões de pessoas no ano passado, com o que a taxa de desemprego encostou nos 15% (14,9%). O cenário é de preocupação para este ano, principalmente com a apreensão em relação a uma nova onda da Covid-19, colocando em xeque o cenário para a economia e os trabalhadores.
Essa realidade não se aplica a uma das regiões mais prósperas do Brasil. Na região Oeste do Paraná, o vigor de uma economia única alavancada pelo agronegócio promove um fenômeno de oferta de vagas por empresas dos mais variados segmentos, do comércio e prestação de serviços à indústria, passando pela construção civil que viceja como a boa semente lançada em solo fértil fazendo brotar edifícios a uma velocidade impressionante.
Aqui, só não trabalha quem for amante do ócio. Mas há uma carência preocupante de mão de obra em diversos setores. E não importa se ela é qualificada ou não, a verdade é que mesmo para as ocupações que não exigem muito mais do que a disposição para o trabalho, as empresas não conseguem repor as vagas na velocidade em que elas são criadas e isso se repete no campo. Ao mesmo tempo, as instituições que trabalham na preparação da mão de obra não conseguem dar resposta à demanda na velocidade necessária, o que leva a um debate sobre o planejamento para um futuro próximo. Futuro que no Oeste costuma chegar a uma velocidade mais rápida do que em outras regiões do país.
Em tempo: tive a honra de receber de Wilson Carlos Kuhn um  presente acompanhado de amável dedicatória: o livro O Queijo e os Vermes, que retrata o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição, É um livro do historiador judeu-italiano Carlo Ginzburg publicado em 1976, que guardo com muito carinho.
Editores: Wanderley Graeff e Karine Graeff (vivertoledo@gmail.com) – Ger. Adm. Luciane Graeff
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