25/03/2022

Transplante de córneas: Banco de Olhos de Cascavel precisa de doadores

 Antes da pandemia de Covid-19, o Paraná mantinha status de fila zero. Hoje o tempo médio de espera pelo transplante é de um ano

Dra. Selma Miyazak, responsável pelo Banco de Olhos de Cascavel

O Banco de Olhos de Cascavel (BOC) acaba de completar 16 anos. Até aqui foram realizadas 6.464 doações, com cerca de 12.914 córneas captadas e 8.412 córneas disponibilizadas para transplantes. A pandemia gerou um descompasso no sistema e o desafio é retomar o ritmo de doações.

Em março de 2019, por orientação do Ministério da Saúde, todos os transplantes eletivos foram suspensos, e a fila, que praticamente não existia, ganhou corpo.

O Estado do Paraná, por anos, manteve o status de fila zero para o transplante de córnea. Antes do BOC, um paciente aguardava quase cinco anos por um transplante de córnea. Após o início do trabalho do Banco de Olhos de Cascavel, a espera era de dois meses (considerado fila zero), porém, com a pandemia os critérios de exclusão aumentaram e seu tempo de espera é de um ano. Em fevereiro deste ano, 965 pessoas estavam aguardando um transplante de córnea.

O Banco de Olhos de Cascavel foi o único que manteve as captações. Mas ainda assim, com menor aproveitamento. Os casos de óbitos de pacientes com diagnóstico de Covid-19, síndromes respiratórias, sepse e idade inferior a quatro e superior a 70 anos, são considerados contraindicações clínicas e as doações não são possíveis.

Em Cascavel, no mês de fevereiro de 2022 foram registrados 316 óbitos pela Acesc e 16 doações de córneas, o que representa 5% do total de possíveis doadores.

O maior e mais produtivo do Paraná

O Banco de Olhos existe em Cascavel desde o dia 20 de março de 2006. Segundo a médica oftalmologista e responsável técnica, Dra. Selma Miyazaki, a ideia de constituir o serviço surgiu após a constatação da escassez da disponibilidade de córneas para os pacientes que estavam inscritos na fila de transplante. No Estado, o serviço também existe em Londrina, Maringá e Curitiba. “O Banco de Olhos de Cascavel é considerado o maior e o mais produtivo do Paraná. É hoje o que mais capta. E no país é referência por disponibilizar córneas para os demais estados conforme a demanda da Central de Transplantes”, destaca.

Para pacientes da região, o Banco de Olhos de Cascavel representa facilidade de acesso ao tratamento, pela maior disponibilização de córneas para transplante.

Os receptores são pessoas com doenças nas córneas, principalmente o ceratocone, infecções, cicatrizes pós-traumas e descompensação da córnea (ceratopatia bolhosa). Os pacientes são inscritos na fila de transplantes, a qual é coordenada pela Central Estadual de Transplantes (Curitiba) que segue a ordem cronológica de inscrição.



Certificação

O Banco de Olhos de Cascavel é um serviço autorizado pelo Sistema Nacional de Transplantes – SNT, que trabalha atendendo todos os óbitos ocorridos na cidade e na região possibilitando às pessoas realizarem a doação das córneas dos entes falecidos.

O BOC é uma entidade privada que recebe doações, prepara e distribui córneas e/ou escleras para transplantes. É ele que faz a busca ativa de doadores, captação, transporte, processamento, armazenamento e liberação de tecidos oculares de procedência humana para fins terapêuticos, de pesquisa ou de ensino.

O objetivo é garantir que os tecidos oculares a serem utilizados em transplantes ou enxertos sejam removidos, avaliados, processados, preparados, transportados e conservados dentro de padrões técnicos e de qualidade que a complexidade do procedimento requer, respeitando a ética quanto ao sigilo de toda e qualquer informação sobre doadores e receptores.

O BOC possui autorização pelo Ministério da Saúde: Portaria nº 809 de 2 de julho de 2019,  é associado junto à  Associação Panamericana em Banco de Olhos (APABO) e segue a RDC 55 de 11 de dezembro de 2015 e o Decreto nº 9175 de 18 de outubro de 2017.

O Banco de Olhos de Cascavel está inserido dentro do Hospital de Olhos de Cascavel.

Protocolo para doação

Quando os entes se mostram favoráveis à doação, a equipe inicia o processo da retirada dos tecidos e amostra sanguínea do doador. Este último é encaminhado ao laboratório de análises clínicas e o material da doação é levado ao Banco de Olhos de Cascavel, onde a córnea e esclera são processadas e colocadas em um meio de preservação para posterior avaliação no microscópio. Podem permanecer neste local até 14 dias, até serem utilizadas. Além da córnea, a esclera (parte branca do olho) também é utilizada para cirurgias de retina, glaucoma e de esclera.

Editores: Wanderley Graeff e Karine Graeff (vivertoledo@gmail.com) – Ger. Adm. Luciane Graeff

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