Transplante de córneas: Banco de Olhos de Cascavel precisa de doadores
Antes da pandemia de Covid-19, o Paraná mantinha status de fila zero. Hoje o tempo médio de espera pelo transplante é de um ano
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Dra. Selma Miyazak, responsável pelo Banco de Olhos de Cascavel
O Banco de Olhos de Cascavel
(BOC) acaba de completar 16 anos. Até aqui foram realizadas 6.464 doações, com
cerca de 12.914 córneas captadas e 8.412 córneas disponibilizadas para
transplantes. A pandemia gerou um descompasso no sistema e o desafio é retomar
o ritmo de doações.
Em março de 2019, por
orientação do Ministério da Saúde, todos os transplantes eletivos foram
suspensos, e a fila, que praticamente não existia, ganhou corpo.
O Estado do Paraná, por anos,
manteve o status de fila zero para o transplante de córnea. Antes do BOC, um
paciente aguardava quase cinco anos por um transplante de córnea. Após o início
do trabalho do Banco de Olhos de Cascavel, a espera era de dois meses
(considerado fila zero), porém, com a pandemia os critérios de exclusão
aumentaram e seu tempo de espera é de um ano. Em fevereiro deste ano, 965
pessoas estavam aguardando um transplante de córnea.
O Banco de Olhos de Cascavel
foi o único que manteve as captações. Mas ainda assim, com menor
aproveitamento. Os casos de óbitos de pacientes com diagnóstico de Covid-19,
síndromes respiratórias, sepse e idade inferior a quatro e superior a 70 anos,
são considerados contraindicações clínicas e as doações não são possíveis.
Em Cascavel, no mês de
fevereiro de 2022 foram registrados 316 óbitos pela Acesc e 16 doações de
córneas, o que representa 5% do total de possíveis doadores.
O maior e mais produtivo do Paraná
O Banco de Olhos existe em
Cascavel desde o dia 20 de março de 2006. Segundo a médica oftalmologista e
responsável técnica, Dra. Selma Miyazaki, a ideia de constituir o serviço
surgiu após a constatação da escassez da disponibilidade de córneas para os
pacientes que estavam inscritos na fila de transplante. No Estado, o serviço
também existe em Londrina, Maringá e Curitiba. “O Banco de Olhos de Cascavel é
considerado o maior e o mais produtivo do Paraná. É hoje o que mais capta. E no
país é referência por disponibilizar córneas para os demais estados conforme a
demanda da Central de Transplantes”, destaca.
Para pacientes da região, o
Banco de Olhos de Cascavel representa facilidade de acesso ao tratamento, pela
maior disponibilização de córneas para transplante.
Os receptores são pessoas com
doenças nas córneas, principalmente o ceratocone, infecções, cicatrizes
pós-traumas e descompensação da córnea (ceratopatia bolhosa). Os pacientes são
inscritos na fila de transplantes, a qual é coordenada pela Central Estadual de
Transplantes (Curitiba) que segue a ordem cronológica de inscrição.
O Banco de Olhos de Cascavel é
um serviço autorizado pelo Sistema Nacional de Transplantes – SNT, que trabalha
atendendo todos os óbitos ocorridos na cidade e na região possibilitando às
pessoas realizarem a doação das córneas dos entes falecidos.
O BOC é uma entidade privada
que recebe doações, prepara e distribui córneas e/ou escleras para
transplantes. É ele que faz a busca ativa de doadores, captação, transporte,
processamento, armazenamento e liberação de tecidos oculares de procedência
humana para fins terapêuticos, de pesquisa ou de ensino.
O objetivo é garantir que os
tecidos oculares a serem utilizados em transplantes ou enxertos sejam
removidos, avaliados, processados, preparados, transportados e conservados
dentro de padrões técnicos e de qualidade que a complexidade do procedimento
requer, respeitando a ética quanto ao sigilo de toda e qualquer informação
sobre doadores e receptores.
O BOC possui autorização pelo
Ministério da Saúde: Portaria nº 809 de 2 de julho de 2019, é associado junto à Associação Panamericana em Banco de Olhos
(APABO) e segue a RDC 55 de 11 de dezembro de 2015 e o Decreto nº 9175 de 18 de
outubro de 2017.
O Banco de Olhos de Cascavel
está inserido dentro do Hospital de Olhos de Cascavel.
Protocolo para doação
Quando os entes se mostram
favoráveis à doação, a equipe inicia o processo da retirada dos tecidos e
amostra sanguínea do doador. Este último é encaminhado ao laboratório de
análises clínicas e o material da doação é levado ao Banco de Olhos de
Cascavel, onde a córnea e esclera são processadas e colocadas em um meio de preservação
para posterior avaliação no microscópio. Podem permanecer neste local até 14
dias, até serem utilizadas. Além da córnea, a esclera (parte branca do olho)
também é utilizada para cirurgias de retina, glaucoma e de esclera.
Editores:
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