O agronegócio e o bem-estar animal na produção de alimentos
Dilceu Sperafico*
Se saúde física e equilíbrio
psicológico são essenciais à qualidade de vida e atividades do ser humano, o
conforto animal é igualmente fundamental à produtividade de criações modernas.
No agronegócio do Oeste do Paraná, uma das regiões mais produtivas do País, por
exemplo, a alimentação, fornecimento de água, luminosidade e controle da
temperatura de aviários e chiqueirões, já são administrados por computadores
pré-programados para atendimento de necessidades básicas e conforto das
criações.
A mesma atenção já está sendo
dispensada também às vacas leiteiras, em propriedades rurais da região e do
País, onde espaços destinados à permanência, alimentação e ordenha do leite,
contam, no mínimo, com ventiladores, para o bem-estar dos bovinos e avanço da
agropecuária produtiva e sustentável.
Como exemplo desses progressos,
especialistas citam propriedade de Itirapina, no Estado São Paulo, com cerca de
450 animais, entre bezerros e vacas leiteiras e área de 100 hectares, a cerca
de 200 quilômetros da capital paulista, onde a criação recebe tratamento
incomum. O rebanho é modelo na produção de leite e exemplo para a criação da
maioria do gado leiteiro brasileiro.
Para se ter ideia do
diferencial da criação, na propriedade nenhum proprietário ou empregado pode
subir o tom da voz com os animais, pois é simplesmente proibido gritar ou
assobiar no curral.
Em períodos de calor, as vacas
em lactação tomam banho de aspersão três vezes por dia e contam com
ventiladores na sala de ordenha. Defensivo para matar carrapato, que suga o
sangue dos animais, não é utilizado na propriedade, pois o combate ao parasita
é biológico, com fungo que ataca o inseto.
Quanto à sustentabilidade, para cada 150 litros de leite processados, uma árvore é plantada na propriedade para neutralizar as emissões de carbono dos animais e também do produzido no transporte da produção até a cidade. Como se sabe, o gás carbônico é apontado como um dos principais causadores do efeito estufa, que reduz a camada de ozônio e eleva a temperatura do planeta.
Com isso, a produção de cerca
de quatro mil litros de leite por dia da propriedade passou a contar com três
certificações, como produto orgânico, de carbono neutro e de respeito ao
bem-estar animal, o que era inédito na pecuária leiteira do País, beneficiando
produtores, consumidores e preservação de recursos naturais.
Na propriedade também era
seguida a cartilha convencional na produção de leite, com o uso de
antibióticos, carrapaticidas, promotores de crescimento de animais, herbicidas,
inseticidas e fungicidas nas pastagens, mas tudo mudou com orientação de
especialistas, que coordenam o atual projeto de produzir leite, queijos e
derivados em modelo de pecuária sustentável, após confirmação do impacto que a
criação de bovinos tem nas mudanças climáticas, com a emissão de carbono.
Para especialistas, a questão
do bem-estar animal, tecnologia mais saudável para compradores de produtos
lácteos e relacionamento ético com as criações, será cada vez mais cobrada pela
sociedade consumidora.
A transformação da propriedade,
obviamente, exigiu grandes investimentos e o resultado disso está no
diferencial do preço final em relação ao produto comum, como é o caso de leite
fresco, que chega a ser quase o dobro do produto tradicional. No caso dos
queijos, os preços são 30% maiores e somente na coalhada são equivalentes.
*O autor é ex-deputado federal
pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Editores:
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