Os desafios do novo plano de recuperação da educação brasileira
Dilceu Sperafico*
Apesar das dificuldades
econômicas, sociais e políticas, do País e do mundo, o Brasil vem adotando
medidas inovadoras, importantes e positivas para toda a população atual e o
futuro das novas gerações, como é o plano de recuperação da educação. O
objetivo é enfrentar e superar os enormes prejuízos de aprendizagem das
crianças durante e após a pandemia de Covid-19, que impediu o ensino presencial
e impôs dificuldades no estudo à distância para as famílias de menor renda.
Para enfrentar esse desafio, o
Brasil lançou plano ambicioso, como é a Política Nacional para Recuperação das
Aprendizagens na Educação Básica, apontada pelo Banco Mundial como uma das
principais iniciativas globais na área educacional e modelo para outros países
que enfrentam dificuldades semelhantes.
Com diversas ações, em
diferentes estágios de implantação, o plano tem o objetivo de dar verdadeira
guinada no atual sistema de ensino, para que a educação básica realmente
contribua para o desenvolvimento sustentável de cidadãos e do País pelas
próximas décadas, superando muitos e enormes desafios, como garantir orçamento
necessário para sua execução.
A boa notícia é que o Banco
Mundial afirma apoiar o projeto com financiamento de 250 milhões de dólares,
aprovado em 12 de maio último. Conforme o Ministério da Educação (MEC), parte
desses recursos deverão ser direcionados como repasses extras para escolas do
Norte e Nordeste do Brasil, que são regiões mais pobres e sofreram impactos
ainda maiores durante a pandemia, pela dificuldade em oferecer ensino remoto de
qualidade e de maneira adequada.
O plano, anunciado recentemente, no entanto, será direcionado a todas as redes municipais e estaduais de ensino, públicas e privadas, de todo o País. O objetivo inicial é reduzir os prejuízos sofridos com a suspensão das aulas nas escolas, pois o Brasil foi um dos países que manteve as crianças por mais tempo sem acesso às unidades escolares.
Conforme estudo divulgado no
mês de maio último pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), esse cenário levou
à queda de 9,1% no rendimento e/ou conhecimento médio da geração atingida em
sua vida adulta e profissional, caso nada seja feito para recuperar o ensino
suspenso.
Esse é o 3º pior resultado
entre as economias emergentes e desenvolvidas do chamado G20, formado pelas 20
principais economias do mundo, atrás apenas da Indonésia e México, que
apresentaram quedas estimadas de 9,7% e 9,9%, respectivamente, o que não
representa nada de promissor para a educação pública e privada nacional.
Conforme especialistas,
informações atualizadas confirmam o que se temia da pandemia, pois há casos de
escolas de alguns países onde 100% das crianças apresentam nível de aprendizado
abaixo do esperado. Para completar, não foram apenas habilidades técnicas que
sofreram impacto negativo, pois a saúde mental dos estudantes também passou a
necessitar de maior atenção do poder público, como aponta a União Nacional dos
Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME).
Educadores afirmam que já se
esperava, em função do distanciamento na pandemia, problemas de caráter
socioemocional entre os alunos, mas o problema se manifestou com intensidade
maior do que o esperado. Levantamentos apontam salto nas questões de ansiedade
e doenças mentais graves, além do
crescimento de diagnósticos de autismo, o que preocupa educadores e famílias do
mundo inteiro.
*O autor é ex-deputado federal
pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
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