População cresce, mas número de pessoas com menos de 30 anos cai 5,4% de 2012 a 2021
A
população do Brasil está mais velha. Entre 2012 e 2021, o número de pessoas
abaixo de 30 anos de idade no país caiu 5,4%, enquanto houve aumento em todos
os grupos acima dessa faixa etária no período. Com isso, pessoas de 30 anos ou
mais passaram a representar 56,1% da população total em 2021. Esse percentual
era de 50,1% em 2012, início da série histórica da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua – Características Gerais dos Moradores. Os dados
foram divulgados nesta sexta-feira (22/07) pelo IBGE.
Total
- A população total do país foi estimada em 212,7 milhões em 2021, o que
representa um aumento de 7,6% ante 2012. Nesse período, a parcela de pessoas
com 60 anos ou mais saltou de 11,3% para 14,7% da população. Em números
absolutos, esse grupo etário passou de 22,3 milhões para 31,2 milhões,
crescendo 39,8% no período.
Queda
- “Os dados mostram a queda de participação da população abaixo de 30 anos e,
também, dessa população em termos absolutos. Essa queda é um reflexo da
acentuada diminuição da fecundidade que vem ocorrendo no país nas últimas
décadas e que já foi mostrada em outras pesquisas do IBGE”, observa o analista
da pesquisa, Gustavo Geaquinto. O número de pessoas abaixo de 30 anos no país
passou de 98,7 milhões, em 2012, para 93,3 milhões, no ano passado.
Gênero
e idade - O pesquisador explica que as estimativas de sexo e classes de idade
para Brasil, por ser alinhada com as Projeções Populacionais, ainda não
incorporam os efeitos da pandemia, como a queda no número de nascimentos e o
aumento dos óbitos. “Com os resultados do Censo 2022, esses parâmetros serão
atualizados”, diz. A coleta do Censo começa no dia 1º de agosto.
Dependência
demográfica - A pesquisa também apontou a razão de dependência demográfica da
população do país, medida que ajuda a compreender o peso do segmento etário
considerado economicamente dependente sobre o grupo potencialmente ativo. A
razão de dependência pode ser separada em dois grupos etários considerados
dependentes economicamente: o de crianças e adolescentes (de 0 a 14 anos) e o
das pessoas de 65 anos ou mais de idade.
Mudança
- Com o envelhecimento da população, os resultados desse indicador vêm mudando
nos últimos anos. A razão de dependência de jovens passou de 34,4 crianças e
adolescentes por 100 pessoas em idade potencialmente ativas, em 2012, para
29,9, em 2021. Já a razão de dependência dos idosos aumentou de 11,2 para 14,7
no mesmo período.
Reflexo
- “É uma mudança na estrutura etária da população brasileira, que reflete a
queda no número de jovens e o aumento de idosos. Esse indicador revela a carga
econômica desses grupos sobre a população com maior potencial de exercer
atividades laborais. Sabemos que há idosos ativos no mercado de trabalho, além
de pessoas em idade de trabalhar que estão fora da força. Mas o indicador é
importante para sinalizar a potencial necessidade de redirecionamento de
políticas públicas, inclusive relativas a previdência social e saúde”, avalia
Geaquinto.
Regiões
- Em 2021, a região Norte tinha a maior concentração dos grupos de idade mais
jovens. Cerca de 30,7% da sua população tinham menos de 18 anos. Em seguida,
vem o Nordeste (27,3%). Mas tanto o Norte quanto o Nordeste tiveram maior
redução da população com essa faixa etária quando comparados às demais regiões.
Sudeste
e Sul - Já as pessoas com 60 anos ou mais estão mais concentradas no Sudeste
(16,6%) e no Sul (16,2%). Por outro lado, apenas 9,9% dos residentes do Norte
são idosos. Na comparação com 2012, a participação da população idosa cresceu
em todas as grandes regiões. Entre os estados, aqueles com maior concentração
de idosos são Rio de Janeiro (19,1%) e Rio Grande do Sul (18,6%). Já Roraima
tem a menor participação desse grupo etário em sua população (7,7%).
Centro-Oeste - Nesses dez anos, o Centro-Oeste teve o maior aumento populacional (13,0%),
seguido pelo Norte (12,9%). No entanto, as duas regiões mantiveram as menores
participações na população total (7,8% e 8,7%, respectivamente). Já o Sudeste,
região mais populosa, aumentou seu contingente em 7,3% e passou a concentrar
42,1% da população em 2021. O Nordeste, por outro lado, teve o menor
crescimento populacional no período (5,1%) e concentrava 27,1% da população do
país.
Pessoas pretas e pardas - Entre 2012 e
2021, a participação da população que se declara branca caiu de 46,3% para
43,0%. No mesmo período, houve crescimento da participação das pessoas
autodeclaradas pretas (de 7,4% para 9,1%) e pardas (de 45,6% para 47,0%). Desde
2015, segundo a PNAD Contínua, a maior parte da população residente no país é a
dos que se declaram pardos.
Aumento
- Em dez anos, a população preta cresceu 32,4% e a parda, 10,8%, ambas com
aumento superior ao da população do total do país (7,6%). Já a população branca
ficou estável.
Maior
proporção - O Nordeste tinha a maior proporção de pessoas declaradas pretas, com
11,4%, seguido do Sudeste (9,6%) e Centro-Oeste (8,7%). A Bahia (21,5%) e o Rio
de Janeiro (14,2%) foram os estados com maior concentração de pessoas pretas.
Já as regiões que mais concentravam a população parda foram Norte (73,4%),
Nordeste (63,1%) e Centro-Oeste (55,8%).
Predomínio
- No Sul (75,1%) e no Sudeste (50,7%), havia predomínio de brancos, enquanto o
Norte apresentava a menor estimativa dessa população: 17,7%.
Pessoas que moram sozinhas - Em 2021, havia 72,3
milhões de domicílios particulares permanentes no país, contra 61,5 milhões em
2012. Nesses domicílios, o arranjo mais frequente era o nuclear, estrutura
composta por um único núcleo, seja formado por um casal com ou sem filhos ou
enteados ou pelas chamadas famílias monoparentais, quando somente a mãe ou o
pai criam os filhos, sem a presença do outro cônjuge.
Percentuais
-Ainda em 2021, as unidades domésticas com arranjo nuclear correspondiam a
68,2% do total, percentual próximo ao de 2012. Nesse período, a proporção de
unidades domésticas unipessoais (com apenas um morador) passou de 12,2% para
14,9% do total. Entre as pessoas que moram sozinhas, os homens eram maioria
(56,6%). A participação das mulheres nesse tipo de arranjo domiciliar era maior
no Sudeste (46,4%) e no Sul (46,5%), enquanto no Norte era de apenas 32,7%.
Outras
diferenças - Além disso, a pesquisa aponta outras diferenças entre pessoas que
moram sozinhas. “Há um padrão etário. Das mulheres que moram sozinhas, cerca de
60% são idosas, enquanto os homens que moram sozinhos são, em média, mais
jovens”, avalia o pesquisador.
Mulheres - Em 2021, as mulheres representavam 51,1% da
população do país, totalizando 108,7 milhões, enquanto os homens correspondiam
a 48,9% (103,9 milhões). Em dez anos, não houve diferença significativa nessas
participações.
Proporção
- A razão de sexo, quociente entre o número de pessoas do sexo masculino e do
feminino, indicou a existência de 95,6 homens para cada 100 mulheres residentes
no país. Esse número é similar ao verificado em 2012. Mas há diferenças
regionais: o Norte é a única região em que há maior concentração de homens
(102,3 para cada 100 mulheres). No Nordeste, há a maior participação feminina
(93,9 homens para cada 100 mulheres).
Fluxos
migratórios - O pesquisador aponta que essa diferença pode ter origem nos
fluxos migratórios. “Além da diferença de mortalidade, isso pode ter relação
com os padrões de migração. Um dos fatores que pode influenciar é o tipo de
atividade econômica exercida em cada região. Nas fronteiras agrícolas e
minerais, por exemplo, o tipo de trabalho atrai mais a mão de obra masculina”,
diz.
Tendência
- Há uma tendência de queda da razão de sexo com o aumento da idade. Entre as
pessoas de 25 a 29 anos, o número de homens e mulheres era similar: cada um
representava 4,0% da população total. Mas a proporção de mulheres era superior
à dos homens em todos os grupos de idade a partir de 30 anos. Na faixa de 60
anos ou mais, eram 78,8 homens para cada 100 mulheres.
Mais
jovem - “A população masculina tem um padrão mais jovem. Nascem mais homens do
que mulheres, mas essa diferença vai diminuindo à medida que a idade avança, já
que a mortalidade tende a ser maior entre eles”, explica Gustavo Geaquinto.
Essa maior participação feminina nos grupos acima de 30 anos pode ser observada
na pirâmide etária, que também mostra o alargamento do topo e o estreitamento
da base, explicados pelo envelhecimento populacional.
Com Agência IBGE de Notícias
Viver Toledo - Ano 14
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