Os brasileiros em situação de miséria na história recente do País
Dilceu Sperafico*
As
crises econômicas, políticas e/ou sociais, regionais, nacionais e/ou
internacionais, têm sempre origens em tragédias naturais, como furacões e
terremotos, conflitos armados, adversidades climáticas, divisões ideológicas e
crises em segmentos do mercado mundial de bens de consumo, matérias-primas e
manufaturados.
Prova
disso foi o Brasil ter derrubado o índice de estrema pobreza ao mínimo
histórico em 2020, quando o mundo já enfrentava a pandemia de Convid-19 e suas
consequências para a economia, agravadas em 2022 pela deflagração da guerra na
Ucrânia, com reflexos diretos no comércio internacional de grãos, fertilizantes
e combustíveis fósseis.
Considerando
esses fatores, é fundamental recordar que a proporção de brasileiros vivendo em
extrema pobreza em 2020 foi a menor registrada pelo Banco Mundial em série
histórica iniciada em 1981. No mesmo ano em que eclodiu a pandemia, a taxa da
população nacional nessa trágica condição ficou em 1,9%, com queda de 3,5
pontos porcentuais em relação a 2019, quando o indicador estava em 5,4%.
Esses
dados, até certo ponto surpreendentes, diante do que se alega sobre a realidade
econômica e social do País até 2018, constam do Relatório Pobreza e
Prosperidade Compartilhada 2022, do próprio Banco Mundial, de outubro último. A
redução da miséria no País foi justificada com início do pagamento de auxílio
emergencial pelo governo federal às camadas mais pobres da população, incluindo
trabalhadores informais, autônomos e desempregados, todos com renda média
mensal de até meio salário mínimo por pessoa, o equivalente a 522,50 reais, na
época.
De
acordo com o relatório de outubro do Banco Mundial, nos países de renda média
alta, a pobreza realmente caiu em 2020, como resultado do apoio fiscal
oferecido pelas grandes nações, como Brasil e África do Sul, controlando o
impacto inicial da crise da Covid-19 na renda da população e reduzindo a
miséria em alguns casos, ainda que temporariamente, pois outros efeitos da
situação, como a elevação da inflação, anularam os benefícios oferecidos pelo
poder público.
Desde
setembro deste ano, o Banco Mundial considera em extrema pobreza pessoas que
recebem até 2,15 dólares por dia, o que equivale a pouco mais de 11 reais. A
parcela mensal do auxílio emergencial durante a pandemia foi de 600 reais, o
que correspondia a cerca de 20 reais por dia. Mais de 60 milhões de brasileiros
receberam o benefício, chegando perto de 70 milhões em alguns meses. O Programa
Bolsa Família pagava cerca de 200 reais mensais a aproximadamente 14 milhões de
pessoas.
Em
2020, o auxílio emergencial custou 322 bilhões reais ao poder público federal,
interrompendo tendência de aumento da população na miséria desde 2014, quando a
economia brasileira entrou em recessão, reduzindo empregos e renda dos
trabalhadores. De 2014 a 2019, a taxa de extrema pobreza no Brasil cresceu de
3,3% para 5,4% da população, mas o maior número de brasileiros na miséria,
conforme o Banco Mundial, foi em 1983, quando 30,6% da população enfrentavam
essa triste realidade.
*O autor é deputado federal eleito pelo
Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
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