Casos suspeitos de dengue faz atendimentos nas unidades de emergência de Toledo dispararem
Há
algumas semanas a comunidade de Toledo tem sido alertada sobre o risco iminente
de uma epidemia de dengue. O alto índice apresentado no Levantamento Rápido de
Infestação do Aedes aegypti (LirAa) realizado no começo deste mês aponta para
uma realidade que já começa a se sentir nos serviços de urgência e emergência
gerenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Como
base de comparação, a média diária de consultas médicas de pacientes adultos na
Unidade de Pronto Atendimento José Ivo Alves da Rocha (UPA/Vila Becker) em
março foi de 181,68, 11,41% a mais que a registrada em fevereiro (163,07). No
mesmo período, o Pronto Atendimento Municipal Doutor Jorge Nunes (PAM/Mini
Hospital) registrou aumento de 14,05%, passando de 157,11 para 179,19
consultas/dia.
Na
ala pediátrica da UPA, esse aumento foi ainda maior: 68,21%, saindo de 63,42
para 106,68 consultas diárias, aumento influenciado por viroses respiratórias
sazonais. Contudo, o número de crianças de 0 a 12 anos que chegam à unidade com
sintomas de dengue cresceu substancialmente nas últimas semanas – nos 11
primeiros dias de abril, a média diária na UPA foi de 172,73 consultas para
adultos e 124,09 para crianças; no PAM, este índice foi 179,19/dia.
Este
incremento de demanda se deve, entre outros fatores, ao maior número de pessoas
que procuram os serviços público e privado de atenção primária à saúde. “Esses
números mostram a realidade enfrentada pelas equipes dos prontos-atendimentos
de Toledo nos últimos dias. Contudo, nas unidades básicas de saúde (UBS) há
também uma sobrecarga, pois muitas delas acabam encaminhando para a UPA ou para
o PAM os pacientes que não dão conta de atender”, explica a diretora da Rede de
Atenção Primária à Saúde, da Secretaria de Saúde de Toledo (SMS), Tatiane Veiga
Rodrigues. “Nesta onda de dengue em 2023, temos notado que os pacientes nos
procuram com sintomas mais intensos, o que exige um monitoramento maior por
parte dos profissionais das UBS”, observa a secretária interina de Saúde,
Raquel Wammes.
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Situação epidemiológica
Do
início do atual ano epidemiológico (em agosto do ano passado) até a última
quinta-feira (6), 76 casos (74 autóctones e 2 importados) já foram confirmados,
um aumento de 46,15% em relação à semana anterior (52). Metade destes pacientes
que testaram positivo para a dengue estão concentrados em cinco comunidades:
Dez de Maio (9), Santa Clara IV (9), Fachini (7), São Luiz do Oeste (7) e
Paulista (6).
Estes
pacientes estão num grupo de 640 pessoas que procuraram neste período serviços
médicos alegando sentir sintomas típicos de dengue (dor de cabeça, febre,
manchas avermelhadas pelo corpo, entre outros). Destes, 88 esperam o resultado
de exames e 476 receberam resultado negativo.
Dos
640 moradores de Toledo notificados no atual ano epidemiológico, 300 foram
consultados em serviços de urgência e emergência entre 12 de março e 9 de
abril, 165 foram à UPA e 135 ao PAM. Deste total, metade (89 na UPA e 61 no
PAM) procuraram atendimento neste mês, o que mostra um viés de aumento de casos
em potencial para os próximos dias.
Comitê
Este
cenário alarmante foi o tema principal do encontro do Comitê Municipal
Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus de Toledo ocorrido
na tarde de terça-feira (11) no Centro Municipal de Controle de Endemias. Na ocasião,
representantes dos órgãos públicos, entidades e instituições de ensino que
compõem o grupo de trabalho discutiram meios para se encontrar uma solução para
o problema.
O
vice-presidente do colegiado, o secretário de Meio Ambiente, Júnior Henrique Pinto,
foi o primeiro a falar e reforçou a necessidade da união de esforços. “Vivemos
um momento complicado e a ajuda de cada um vai ser valiosa. Temos que discutir
cenários, planejar ações, mas é chegado o momento de todos ‘arregaçarem as
mangas’ e fazerem tudo que está ao alcance”, salienta.
A
coordenadora do setor de Controle e Combate às Endemias, Lilian König, disse
estar pessimista com o atual quadro epidemiológico. “Nunca vimos um índice de
infestação tão alta e um alastramento tão rápido. Vejo que as ações pontuais
que sempre fizemos já não são mais o suficiente, pois a fatia da população que
está indiferente ao problema só aumenta”, lamenta. “Mesmo com municípios da
região, como Foz do Iguaçu, estarem vivendo situações preocupantes, parece que
o sofrimento causado pela dengue já não comove mais. E o pior é que todos
conhecem os riscos que o Aedes aegypti representa, basta que cada um faça a sua
parte” desabafa.
Lilian,
que também é secretária do Comitê, também falou das ações de combate ao Aedes
aegypti realizadas em parceria com estabelecimentos de ensino, unidades de
saúde e demais órgãos públicos, como a campanha “A Visita Certa” e o Ecoponto
Itinerante realizado no fim de março no Jardim Fachini. “O mosquito que
transmite a dengue se adapta muito facilmente em qualquer ambiente, até dentro
de casa. Porém, a maior parte dos criadouros encontrados pelos agentes de
combate a endemias nos imóveis advém de lixo doméstico e vasos de plantas”,
informa.
A
diretora de Vigilância em Saúde, Juliana Beux Konno, observou que o alto número
de casos de dengue neste ano epidemiológico a surpreendeu. “Em geral, temos um
ano em que a doença vem forte e no seguinte ela é um pouco mais amena. Em 2023,
porém, depois de um 2022 com epidemia, o quadro não é nada animador, ainda mais
porque boa parte da população parece que perdeu o medo que deveria ter da
dengue”, analisa. “Infelizmente, tudo indica que, a cada ano, esta doença será
cada vez pior, com mais casos confirmados e maior número de pacientes com
quadros agudos. Isto porque ainda não tivemos casos ainda de febre chikungunya,
uma doença transmitida pelo Aedes cujos sintomas e sequelas são ainda mais
intensos. Há registros desta patologia em municípios próximos e é uma questão
de tempo para ela chegar a Toledo”, alerta.
Próximas ações
Os
presentes ao encontro do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue,
Chikungunya e Zika Vírus de Toledo receberam a tarefa de pensar e desenvolver
uma ação com o objetivo de eliminar criadouros e orientar as pessoas sobre como
impedir a reprodução do Aedes aegypti no local onde trabalham. Estas
realizações serão apresentadas na próxima reunião, no dia 9 de maio, às 14h.
Em
conjunto também foram definidas as datas de duas ações mais extensivas: a
limpeza da mata ciliar da Sanga Panambi em seu trecho mais crítico, entre a Rua
Carlos Barbosa e Associação de Moradores do Jardim Esplanada, marcado para o
próximo dia 29 (sábado), das 8h às 12h; e mais uma edição do Ecoponto
Itinerante, neste mesmo horário, mas em 27 de maio (sábado), no Jardim Santa
Clara IV.
Autor
da proposta que se tornou o programa Agente Mirim de Toledo, instituído pela
Lei Nº 2.459/2022, o presidente da Câmara, Dudu Barbosa, falou sobre como esta
iniciativa será útil no combate ao Aedes aegypti pelos próximos anos. “Quando
este projeto virar realidade, teremos quase 16 mil crianças contribuindo com o
trabalho dos agentes de combate a endemias. É um investimento do poder público
com retorno garantido, pois permitirá a formação de cidadãos mais conscientes
quanto ao assunto”, destaca o vereador, que se comprometeu em buscar, ao lado
de seus colegas de Casa, soluções legais para estimular os cidadãos a ajudarem
o poder público na tarefa de prevenir a dengue.
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff e Karine Graeff
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