15/04/2023

Usina da Primato resolverá passivo ambiental com retorno financeiro aos cooperados

Caminhão da Primato tem motor movido a biometano, energia oriunda de dejetos de suínos - Divulgação


Wanderley Graeff – Viver Toledo

Empreendimento pensado para resolver um dos maiores entraves da produção de proteínas no município de Toledo, maior produtor de suínos do Brasil, a usina de biogás da Primato Cooperativa Agroindustrial representa uma resolução para o passivo ambiental dos dejetos de animais, com ganhos econômicos significativos. O projeto com seu conceito amplo de economia circular foi apresentado durante o Inovameat, no estande da cooperativa, em parceria com a fabricante de motores e grupos geradores Tupy MWM e com a Bionova.
 
O projeto-piloto da usina para a produção de energia limpa capta os dejetos suínos de treze cooperados e da própria granja da Primato, todos localizados estrategicamente no entorno da planta. A parceria com a Tupy MWM engloba soluções completas na cadeia do biogás, além do retorno financeiro na forma de fertilizantes e geração de energia.
 
Painel didático
Um painel apresentado no Inovameat mostrou de forma didática o empreendimento. Integrantes das equipes da cooperativa e da empresa detalharam aos visitantes os produtos relacionados à economia circular, como biogás, biodigestor, biometano, geradores movidos a biogás e biometano originais e não transformados.

“O conceito que a usina aplica é extraordinário, gerando uma ampla cadeia na economia circular a partir de passivos ambientais das propriedades que integram o projeto-piloto. Ele resolve a dor dos produtores”, aponta o supervisor técnico comercial de Soluções de Biogás da MWM, Luciano Penhalbel.
Fixação no campo
Para o presidente da Primato, Anderson Sabadin, as novas gerações permanecerão na atividade no campo se ela for sustentável, envolvendo o meio ambiente, o social e a governança do negócio. Segundo ele, o trabalho em curso é muito amplo na promoção da economia circular e na resolução de passivos ambientais.
 
O processo
O processo se inicia com a coleta dos dejetos de suínos nas propriedades. Levados à usina da Primato, o tratamento gera o biogás, energia elétrica e biometano combustível, além de, no final, ser configurado o adubo orgânico sólido, o qual é corrigido com NPK e devolvido ao produtor com a granulometria adequada para a aplicação na lavoura. “O que representa um sério problema, em muitos casos com o produtor não sabendo onde alocar os dejetos, é transformado no adubo que vira milho e soja, os quais alimentam suíno, vaca, frango, tilápia e assim por diante. E temos toda uma cadeia produtiva retroalimentada”, diz.
Planta está localizada na granja da Primato - Divulgação
Para o dirigente da Primato, é um processo de descarbonização pura, que é ampliado também com o abastecimento da frota de caminhões da cooperativa com o biometano produzido na usina e cuja conversão dos veículos já está em andamento. O primeiro caminhão movido a biometano já roda com motor produzido pela MWM.
 
Sabadin convida a um exercício de imaginação para um futuro breve: “Imaginem daqui a pouco a frota do transporte coletivo movida com o biometano oriundo da suinocultura ou dos resíduos do lixo orgânico dos supermercados ou das indústrias. Será algo fantástico, com ganhos inestimáveis para o meio ambiente de todos os lados. Por um, a solução do problema das propriedades, e por outro a diminuição do uso de combustíveis fósseis”, diz.
 
Projeto com Embrapa, Unioest e Unesp
A Primato tem em desenvolvimento outro projeto, com a Unioeste, Unesp e Embrapa, para a transformação dos resíduos líquidos em fertilizantes, vendidos em galões para o produtor fazer a mistura e aplicar na agricultura. “São coisas que têm o apelo científico e aí vem a importância do Inovameat, que propõe a inovação nas mais diversas esferas da cadeia produtiva de alimentos”, comenta Sabadin.
 
Para o presidente, “é uma alegria apresentar no Inovameat projetos que envolvem muitas mãos e resolvem a dor dos nossos cooperados.” Ele lembra que o processo, tentado por outros no passado sem sucesso, agora tem a chancela de pesquisas aprofundadas e de uma reconhecida empresa de motores que vai dar a garantia da manutenção. “Se daqui a dois anos der um problema numa bomba, a Primato e a MWM garantem a manutenção dos motores e biodigestores, através de um contrato de longo prazo. É uma questão de confiança”, salienta, assegurando que o projeto coloca a Primato numa condição de vanguarda e é visto com muita atenção pelo mercado como um modelo que poderá ser expandido para várias regiões produtoras.
 
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
 (45) 98801-8722
Rua Três de Outubro, 311 – S. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR




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