Copel repovoa Rio Iguaçu com 140 mil alevinos de monjolo, espécie ameaçada de extinção
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| Foto: Copel |
A Copel concluiu mais uma etapa de reprodução em cativeiro do surubim-do-Iguaçu/monjolo – maior peixe nativo da Bacia do Iguaçu, espécie ameaçada de extinção. Com o desenvolvimento de uma técnica pioneira, a empresa já conseguiu levar ao mesmo rio mais de 140 mil alevinos de surubim.
PIONEIRISMO
Os especialistas da Copel iniciaram, então, pesquisas e testes até chegarem à
metodologia mais adequada e eficaz para a reprodução em cativeiro. O primeiro
passo foi manter os primeiros moradores em grandes tanques de aclimatação na
Estação.
Eles
tiveram hábitos e ciclos biológicos estudados pelo período necessário para
descobrir fatores como o tempo médio de vida, o tipo de alimentação, o período
e as características da reprodução.
Com
conhecimento detalhado do ciclo biológico, a empresa iniciou as experimentações
para induzir a reprodução e desova em cativeiro. Até então inédita, a
reprodução artificial do surubim-do-Iguaçu por meio da indução hormonal em
laboratório foi um sucesso e, em 1997, a Copel iniciou a soltura no rio.
O
processo reprodutivo anual na Estação da Copel começa no mês de novembro e
coincide com o período de defeso (novembro a fevereiro), em que a pesca é
proibida. “O primeiro passo é a seleção das matrizes (machos e fêmeas adultos
capazes de produzir espermatozoides e óvulos), que recebem a aplicação de
hormônio por dois dias”, explica o técnico em piscicultura, Dieter Penner.
No
segundo dia, a equipe faz um cuidadoso trabalho de coleta dos gametas
produzidos pelas matrizes para realizar a fertilização in vitro. “Os ovos
fecundados são colocados em incubadoras e, três dias depois, nascem as larvas
que são levadas para o tanque externo. Em média, em 25 dias, os alevinos
atingem o tamanho mínimo para iniciarmos a soltura”, completa o técnico da
Copel.
Esse
trabalho envolve também métodos para aumentar a variedade genética dos alevinos
de surubim-do-Iguaçu. Todo o plantel de reprodutores recebe chips de
identificação. Isso permite controlar o uso de indivíduos distintos para os
cruzamentos, cuidado importante na piscicultura com fins de conservação
ambiental.
Segundo
Penner, a produção anual de alevinos varia, em especial por conta das condições
climáticas e fatores ecológicos, como a questão do canibalismo oportunista. “Em
algumas circunstâncias, os alevinos maiores de surubim chegam a comer os
alevinos menores, o que pode afetar os resultados do trabalho”, conta.
PEQUENO
ALIADO
Além da produção do surubim, os técnicos da Estação criam outras
espécies típicas da região, como o lambari da espécie Astyanax bifasciatus, um
peixe pequeno e mais generalista, mas com distribuição geográfica aparentemente
restrita à Bacia do Iguaçu, segundo pesquisadores.
Esse
lambari é usado, inclusive, como instrumento de proteção para as larvas e
alevinos de surubim-do-Iguaçu nos tanques de criação. Primeiro, porque servem
como alternativa de alimento aos alevinos de surubim, evitando que larvas
maiores comam as larvas menores da mesma espécie.
Além
disso, o lambari previne a infestação de ninfas (forma jovem de libélulas) nos
tanques. Poucos sabem, mas as ninfas são predadoras aquáticas vorazes, que
podem comer alevinos de surubim e causar, assim, queda na produção.
ESPECIALISTAS
EM CONSERVAÇÃO
Por conta de todas as variáveis a serem observadas para o
sucesso do trabalho na Estação Experimental de Estudos Ictiológicos da Copel, a
rotina da equipe é bastante intensa com as atividades de reprodução e soltura dos
peixes, especialmente nos meses mais quentes do ano.
Os
técnicos da Estação Experimental de Estudos Ictiológicos da Copel, Dieter
Penner, Cezar Dalbosco e Claiton Bastian atuam também no apoio a projetos de
pesquisa de universidades, realizam fiscalizações de atividades de
monitoramento de peixes e qualidade da água, atuam em situações que demandam
resgate de peixes em áreas confinadas e ficam de prontidão para atendimento a
situações emergenciais nas usinas da Companhia.
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
(45) 98801-8722
Rua Três de Outubro, 311 – S. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR
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