Produção de alimentos em áreas urbanas ganha incentivo no País
Dilceu Sperafico*
Pode parecer
contraditório incentivar a agricultura urbana ao mesmo tempo em que produtores
rurais de todo o País reclamam da falta de apoio governamental na liberação de
recursos públicos para seguro rural e outras ações de estímulo ao crescimento,
modernização, diversificação e sustentabilidade da agropecuária, além do
descontrole de invasões de propriedades rurais, mas é o que está acontecendo no
Brasil.
Em setembro último foi
anunciado o Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, criado por
meio de decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União. A medida
prevê atividades agrícolas e de pequenas criações de animais nas cidades e em
áreas de transição para o setor urbano, por meio do manejo sustentável.
A implantação do programa
estará a cargo dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura
Familiar; do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; do
Meio Ambiente e Mudança do Clima; e do Trabalho e Emprego, por meio de editais
que selecionarão projetos a serem financiados para implantação da proposta,
aquisição de material de consumo e/ou capacitação para as atividades a serem
desenvolvidas.
Além do estímulo à
agricultura sustentável, o programa deverá buscar gerar renda e segurança alimentar,
além de tornar espaços urbanos mais resilientes às mudanças climáticas. A ação
também visa estimular a transição agroecológica, conservação de fontes d’água e
solo e restrição do uso de defensivos e insumos químicos de alta toxicidade.
São esperados também
projetos para circularidade de alimentos, com ações que envolvam produção,
distribuição, consumo e reciclagem de resíduos orgânicos, que reúnam num só
empreendimento o ciclo completo, com a meta de reduzir o desperdício alimentar.
A criação de programas nos Estados, Distrito Federal e municípios também poderá
ser apoiada pelo Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana.
Para isso, a unidade
federativa terá que aderir voluntariamente à iniciativa, sendo prioritárias as
regiões periféricas e de vulnerabilidade social. As iniciativas poderão ser
financiadas com recursos do novo programa, das unidades federativas, de
entidades privadas e organismos internacionais. Para estabelecer diretrizes,
planejamento e monitoramento de ações do programa, também foi criado o Grupo de
Trabalho do Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, com
representação dos ministérios envolvidos e do Conselho Nacional de Segurança
Alimentar e Nutricional.
Mesmo parecendo novidade,
o cultivo e comercialização diretamente aos consumidores por pequenos
produtores familiares, especialmente em feiras-livres, realizadas pelos
próprios agricultores, são tradicionais no Oeste do Paraná, com benefícios para
toda a população. Em Toledo, por exemplo, a feira-livre funciona há décadas,
com unidades no centro e bairros da cidade, todas atendidas por pequenos
agricultores, produtores de alimentos caseiros, como pães e massas e artesãos,
entre outros, todos com ampla e fiel clientela.
O novo programa federal,
portanto, não representa nenhuma novidade para as regiões agrícolas
tradicionais do País, mas deve ser bem acolhido se for para aproveitamento de
terrenos baldios tomados pelo matagal e a oferta de hortifrutigranjeiros
cultivados na própria cidade e a valores mais acessíveis aos consumidores de
baixa renda.
*O autor é deputado federal pelo Paraná
e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
(45) 98801-8722
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