Os cursos técnicos e o ensino público estadual do Paraná
Dilceu Sperafico*
Os benefícios e/ou vantagens do ensino técnico profissionalizante, de nível médio, seja para educandos, educadores, empregadores e poder público, com repercussões igualmente positivas para empreendimentos empresariais, economia urbana e rural, emprego estável para a juventude, arrecadação de tributos, expansão e diversificação da economia e a oferta de produtos e serviços de qualidade a preços mais acessíveis aos consumidores, explicam o esforço do Governo do Paraná pela reforma do Novo Ensino Médio no Estado.
Alvo de polêmica entre
educadores, estudantes e familiares, a proposta da reforma, segundo contrários
à mudança, está sendo contestada por conta do risco de corte de quase a metade
da carga horária do atual Ensino Médio, mesmo o novo modelo sendo considerado o
“carro-chefe” da atual gestão da rede estadual de ensino público estadual do
Paraná. Conforme dirigentes da Secretaria de Estado da Educação, atualmente são
cerca de 77 mil alunos participando do Ensino Médio Profissionalizante. A meta,
de acordo com secretário estadual de Educação, Roni Miranda, é atender 150 mil
estudantes com cursos técnicos até 2026.
O secretário ressalta a
importância do planejamento no programa de educação profissional e técnica com
o objetivo de implantar o ensino para 50% dos alunos nos próximos quatro anos.
Além da formação, a Secretaria de Estado da Educação possui braço de conexão
com o setor empresarial para inserção dos estudantes no mercado de trabalho com
estágios e programas de aprendizado da prática profissional.
“Já estamos com 15 mil
estudantes no mercado como estagiários ou como menores aprendizes nas mesmas
áreas de atuação da formação escolhida. Por exemplo, se ele está no curso
técnico de administração, trabalha em escritório e entende o que é gestão
dentro de empresa. O mesmo ocorre com quem faz curso de enfermagem e faz
estágio dentro de hospital ou clínica. E se é do magistério e está no dia a dia
de escola”, explica o secretário.
Os números da Secretaria
de Estado da Educação do Paraná mostram evolução na procura pelos cursos
técnicos. Em 2019 eram 10,4 mil estudantes matriculados nesta modalidade. Em
2023, o número subiu para 77 mil alunos e a previsão para o ano que vem, de
acordo com Miranda, é saltar para 112 mil estudantes em cursos técnicos no
Paraná. A escolha por este formato, explica o secretário, se baseia nas
estatísticas da pasta sobre o acesso dos estudantes da rede pública do Paraná
às instituições de Ensino Superior.
Miranda revelou que apenas 20% desses estudantes conseguem ingressar nas universidades, públicas ou particulares. Na prática, de cada 10 estudantes da rede pública do Paraná, oito precisam seguir outros caminhos que não o dos cursos superiores. A preferência desta grande maioria dos estudantes, apontou o secretário, é pelos cursos técnicos – mais especificamente 77% dos jovens consultados pela secretaria. Entre os cursos mais procurados estão desenvolvimento de sistemas, enfermagem, magistério, jogos digitais, administração e agronegócio, todos com no mínimo 1,2 mil horas de aprendizado.
“O Ensino Técnico permite
que o jovem ingresse no mercado de trabalho. Além disso, dá a esse mesmo jovem
condições de propulsão e ascendência inclusive para o Ensino Superior. A
pesquisa do MEC mostra que estudantes querem ensino técnico profissionalizante,
até por propiciar emprego 32% melhor remunerado”, ressalta Miranda.
*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
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