As perdas na safra de grãos e seus reflexos na economia nacional
Dilceu Sperafico*
Infelizmente para o
agronegócio, segmentos produtivos, empreendedores, arrecadação de tributos e
trabalhadores urbanos e rurais do Estado, as perdas da agricultura do Paraná
estão sendo muito expressivas na safra 2023/2024. De acordo com relatório do
Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura
e Abastecimento (Seab), as quebras somam mais de 3,4 milhões de toneladas de
grãos na atual safra de verão.
Considerando apenas as
culturas de soja, milho e feijão, com 90% das perdas do agronegócio, os
prejuízos ultrapassam 5,6 bilhões de reais, apesar da queda nos seus preços. Os
principais responsáveis por essa enorme frustração do campo foram fatores
climáticos adversos, com excesso de chuva em determinados períodos e escassez
de umidade em outros, com temperaturas elevadas, especialmente no final do ano
passado e nas primeiras semanas de 2024, em praticamente todas as regiões
produtoras do Estado, além das perdas na comercialização.
Conforme técnicos do
Deral, no início do plantio da atual safra de verão, em agosto de 2023, era
estimada a colheita de 25,5 milhões de toneladas dos grãos cultivados no
Paranás. A expectativa caiu para 22,1 milhões de toneladas, com retração de 15%
da colheita, segundo avaliações de especialistas e pequenos, médios e grandes
produtores de grãos. A cultura com maior quebra foi a soja, com mais de 11,9%
da produção. A expectativa era colher 21,8 milhões de toneladas e a estimativa
caiu para 19,2 milhões de toneladas, com prejuízos de mais de 2,6 milhões de
toneladas ou cinco bilhões de reais, considerando o valor médio da saca no
Estado nesta safra, de 115 reais em janeiro último.
Já em nível nacional,
segundo técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), pelo
levantamento divulgado em 10 de janeiro último, a produção brasileira esperada
era de 306,4 milhões de toneladas, refletindo no cenário nacional as perdas
registradas nos últimos meses no Paraná e outros Estados produtores. Em
novembro de 2023, por exemplo, segundo a Conab, a previsão produtiva da safra
brasileira de grãos era de 316,7 milhões de toneladas, o que demonstrou perda
de cerca de 10,3 milhões de toneladas em dois meses.
As consequências desse
volume de perdas para os demais setores produtivos e o bem-estar social de
trabalhadores rurais e urbanos, foram, continuam sendo e serão sempre muito
negativas para a economia nacional. Desde a perda de recursos pelos
agricultores, que assim deixarão de renovar maquinário e investir em
tecnologia, além do bem estar da família e colaboradores, até a redução do
recolhimento de tributos pela indústria de transformação, comércio e
consumidores, diminuindo a disponibilidade de recursos do poder público para
investimentos em segmentos essenciais.
Com a perda da
arrecadação de impostos, os governos federal, estaduais e municipais terão de
rever e/ou adiar investimentos projetados para este e próximos anos. Assim,
obras fundamentais de infraestrutura, educação, saúde, habitação, assistência social,
esporte e cultura, entre outras, acabarão suspensas, gerando crise para
população de menor renda. Menos mal que o Paraná e o Oeste do Estado não
dependem apenas da produção primária, pois também contam com segmento
agroindustrial avançado e altamente produtivo, que oferece derivados de grãos e
proteínas animais para atendimento do mercado consumidor do País e exportações
de alimentos.
*O autor é deputado federal pelo Paraná
e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
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