Com endividamento em queda, Paraná mantém contas equilibradas e investimentos
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A Diretora-Geral da Secretaria de Estado da Fazenda, Marcia Rebonato do Valle apresenta dados relativos à gestão fiscal de 2023, no Plenário da Assembleia Legislativa. Foto: Geraldo Bubniak/AEN |
O Governo do Paraná obteve bons resultados financeiros em 2023, resultado do controle eficiente das contas públicas, mesmo em um período em que se observou evolução de despesas correntes. A Secretaria da Fazenda reduziu a taxa de endividamento de 58,3% em 2022 para 48,7% em 2023. No que diz respeito à poupança corrente, o Paraná registrou índice de 89,97% no Capag. O número indica bom equilíbrio entre as receitas correntes e as despesas obrigatórias. Por fim, a liquidez passou de 7,21% para 25,50%.
RECEITAS
As receitas correntes atingiram a marca de R$ 62,7 bilhões ao longo de 2023.
A cifra representa aumento real de 3% em comparação com o ano anterior, quando
esse tipo de receita foi de R$ 58,4 bilhões. Receitas correntes abrangem
recursos provenientes das atividades operacionais do governo, como impostos,
taxas, contribuições e transferências correntes. Já as receitas de capital são
originadas em operações financeiras e de capital, como venda de ativos, operações
de crédito, entre outros.
O
crescimento nas receitas correntes foi verificado em meio a um cenário fiscal
desafiador, com quedas na arrecadação do Imposto sobre a Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) em setores cruciais como energia e comunicações.
Os dois segmentos observaram recuos de 36% e 39%, respectivamente, nos valores
recolhidos.
A
retração foi provocada principalmente por reduções das alíquotas de ICMS para
combustíveis, energia elétrica e comunicações, determinadas ainda em 2022 pelo
Congresso Nacional. A medida resultou em significativa frustração fiscal nos
Estados, inclusive o Paraná. A compensação iniciada no ano passado pelo governo
federal cobrirá 53% das perdas observadas no segundo semestre de 2022.
Já
as receitas de capital do Estado cresceram 137% em relação ao ano anterior,
alcançando R$ 4,8 bilhões em 2023, ante R$ 1,9 bilhão no ano anterior. O
aumento significativo nas receitas de capital foi impulsionado principalmente
pela oferta de ações que destinou R$ 3,2 bilhões ao Estado e transformou a
Copel em uma corporação em agosto do ano passado.
“Por
se tratar de uma entrada de recursos única e não recorrente para os cofres do
Estado, tal receita extraordinária demanda gestão cautelosa e voltada para a
promoção de desenvolvimento e para a garantia da sustentabilidade fiscal no
longo prazo”, ressaltou Marcia do Valle.
A
Secretaria de Estado do Planejamento mantém um painel que permite acesso à
execução desses recursos. Lançada em novembro do ano passado, a planilha já foi
alimentada com dados referentes à destinação de R$ 730 milhões, recursos que
serão investidos em obras e ações em diversos municípios. No total, já são 147
projetos.
DESPESAS
DESPESAS
De 2022 para 2023, as despesas correntes empenhadas aumentaram 12% em termos
reais, passando de R$ 46,4 bilhões para R$ 54,4 bilhões. Gastos com pessoal e
encargos sociais subiram de R$ 29,6 bilhões para R$ 33,3 bilhões (aumento real
de 8%). Juros e encargos da dívida apresentaram incremento real de 19%, de R$
966 milhões para R$ 1,2 bilhão, e outras despesas correntes registraram aumento
de 26%, de R$ 15,8 bilhões para R$ 19,9 bilhões.
As
despesas de capital empenhadas, que incluem amortização de dívidas,
investimentos e inversões financeiras, mantiveram-se estáveis, totalizando R$
7,352 bilhões em 2023, valor semelhante ao registrado no ano anterior. Outra
despesa elevada em 2023 foi o pagamento de R$ 1,7 bilhão em precatórios,
aumento de 19% em relação a 2022.
“Apesar
dos desafios enfrentados, a Fazenda do Paraná tem demonstrado resiliência e
capacidade de adaptação diante das oscilações. Em 2024, continuaremos
trabalhando com responsabilidade, cautela e eficiência na gestão dos recursos
públicos, especialmente atentos aos impactos e incertezas que estão no
horizonte econômico próximo”, afirmou Marcia.
LIMITES CONSTITUCIONAIS
LIMITES CONSTITUCIONAIS
O Paraná destinou R$ 15,8 bilhões à educação e R$ 5,9 bilhões
à saúde, valores que representam 32,9% e 12,3% das receitas líquidas de
impostos, respectivamente. Os montantes superam as diretrizes da LRF, que
estabelece limites mínimos de 30% e 12% para as duas áreas. As despesas com pessoal
totalizaram R$ 25,7 bilhões em 2023, equivalente a 43% da receita corrente
líquida (RCL). A LRF determina um teto de 49% para essas despesas do Executivo.
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