Lideranças toledanas discutem a Nova Ferroeste e viabilidade de terminal em Toledo
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| Foto: Fabio Ulsenheimer |
Um
encontro, realizado no auditório do Centro de Eventos Ismael Sperafico, na
terça-feira (30), discutiu a possibilidade de Toledo abrigar um terminal
multimodal para transbordo de cargas dentro do traçado da Nova Ferroeste,
ferrovia que terá sua linha principal conectando Maracaju, no Mato Grosso do
Sul, ao Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná. Estiveram presentes o
coordenador do Grupo de Trabalho do Plano Estadual Ferroviário do Paraná, Luiz
Henrique Fagundes, o prefeito de Toledo, Beto Lunitti, lideranças políticas,
técnicos dos órgãos estaduais e empresários da região.
Conforme
explanação, o projeto da Nova Ferroeste surgiu a partir da sinergia logística
entre o Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. A conexão desses três
estados por trilhos vai permitir a redução do custo logístico em cerca de 28% e
garantir o trânsito de mercadorias para consumo interno, e principalmente, para
exportação. A intenção do debate era inserir a Região Oeste neste contexto, com
a implantação de um terminal, tendo como justificativa o potencial produtivo da
região. “Somos o supermercado do mundo e precisamos que toda essa riqueza que
produzimos através do nosso agronegócio chegue a mais pessoas, com um custo
menor”, comentou Lunitti. O vice-prefeito Ademar Dorfschmidt também acompanhou
o momento.
Lunitti
também aproveitou o momento para enaltecer o empenho do assessor da Casa Civil,
Matheus Maurício Ramos. "Foi um grande articulador para que este momento
ocorresse, aproveitando a sua expertise no tema e também por ser um dos integrantes
do grupo de trabalho da Nova Ferroeste", destacou.
Para
Fagundes, os objetivos principais da reunião eram apresentar dados sobre como o
projeto está sendo desenvolvido e debater a possibilidade de um terminal de
transbordo na região, mas precisamente em Toledo. “Este terminal não está
previsto no projeto inicial, porém a demanda é legítima, pois o oeste
paranaense é onde mais se produz alimento por metro quadrado no mundo. Vocês
possuem um potencial significativo e acreditamos que quem for gerenciar essa
ferrovia olhará com carinho para essa situação”, disse.
Já
a presidente da Associação Comercial e Empresarial de Toledo (ACIT), Anaide
Holzbach, reforçou a importância do Terminal de Cargas de Toledo como uma
alternativa para descongestionar os trabalhos em Cascavel. Ela destacou os
desafios enfrentados pelo transporte rodoviário nos últimos anos e como esse
terminal em Toledo poderá agilizar processos e reduzir custos, considerando a
localização estratégica no extremo Oeste. “A perspectiva é otimista, com ênfase
nas possibilidades tecnológicas que o terminal pode oferecer à região após sua
instalação”, destacou.
Ao
todo serão 1.567 quilômetros de trilhos que vão passar por 66 municípios. Estão
previstos ainda dois ramais: um deles liga Cascavel a Foz do Iguaçu, permitindo
a captação de carga da Argentina e Paraguai e o outro entre Cascavel e Chapecó,
um dos maiores redutos da produção de proteína animal do país. Em quase todas
as cidades ao longo da estrada ferro, o traçado desvia os centros urbanos e
passa distante das áreas em desenvolvimento. O Estudo de Viabilidade Técnica
Econômica e Ambiental (EVTEA) indicou a circulação de 38 milhões de toneladas
de grãos e contêineres no primeiro ano de operação da ferrovia.
Deste
total, 26 milhões devem seguir com destino à exportação, tornando essa malha
ferroviária o segundo maior corredor de grãos e contêineres refrigerados do
país. Entre os principais produtos estão grãos, soja e milho, e proteína animal
processada e congelada. Boa parte da colheita de milho do Mato Grosso do Sul
tem como destino as empresas instaladas no oeste catarinense onde é
transformado em ração para porcos e galinhas. Após o abate e processamento, com
a construção da Nova Ferroeste, o produto poderá retornar, a partir de Chapecó,
pela mesma ferrovia até Cascavel, de onde seguirá com destino a outras regiões
do Brasil e ao Porto de Paranaguá para exportação.
Em
Foz do Iguaçu, o ramal que se conecta com Cascavel, vai atrair, em sua maioria,
carregamentos de grãos cultivados na Argentina e no Paraguai. A implantação da
ferrovia será um grande atrativo para agricultores e empresas dos países
vizinhos escoarem seus produtos pelo porto de Paranaguá.
Leilão
e contrato O contrato que será levado a leilão prevê a cessão onerosa de
cinco contratos, um de concessão (vigente desde a década de 1980) e quatro de
autorização (obtidos em 2021) que completam o traçado previsto para a estrada
de ferro. A intenção é colocar a ferrovia em leilão na Bolsa de Valores do
Brasil, com sede em São Paulo. A empresa ou consórcio que vencer a concorrência
será responsável pelas obras e poderá explorar a ferrovia por 99 anos
(renováveis).
O
edital tem como cláusula obrigatória o início da operação entre Cascavel e
Paranaguá sete anos após a assinatura do contrato. O valor a ser investido
neste trecho da ferrovia é estimado em R$ 11,5 bilhões (sem material rodante).
A ordem de execução das ligações com o Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Foz
do Iguaçu será definida pelo empreendedor, o orçamento atual é de R$ 21,3
bilhões.
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