Obras paradas de escolas e creches prejudicam a educação e as crianças
Dilceu Sperafico*
O governo federal fechou
o ano de 2023 com mil obras paralisadas, onde deveriam funcionar instituições
da educação básica, como escolas e creches. Ao todo, o governo já tinha
empenhados 1,5 bilhão de reais em recursos federais para custeamento das obras pactuadas
pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da
Educação (MEC) com Estados e municípios. Os dados foram obtidos através da Lei
de Acesso à Informação (LAI). De acordo com o levantamento, 499 dos
empreendimentos paralisados foram incluídos no sistema de obras paradas no ano
passado.
Em nota, o FNDE informou
que a responsabilidade de executar e entregar as obras é dos Estados e
municípios e que o Fundo “realiza os repasses mediante comprovação de avanço
físico da obra, por parte do ente federativo, no Sistema Integrado de
Monitoramento Execução e Controle (Simec)”. Como o sistema registra a data de
paralisação apenas quando o Estado ou o município insere os dados no Simec,
parte das mil obras podem ter sido paralisadas em períodos anteriores e só
informadas ao sistema em 2023.
Pelo menos, 210 obras
paradas já têm de 90% e 99,9% do empreendimento concluído. Outras 352 já estão
com 51% a 80,9% das obras concluídas. Para 230 empreendimentos paralisados, as
obras ainda estão no estágio inicial, com até 30,9% das construções concluídas.
E 208 obras paradas têm de 31% a 50,9% do empreendimento concluído.
Segundo o levantamento, o
motivo mais frequente das paralisações é contrato rescindido. O segundo,
abandono da obra pela empresa. O FNDE não possui vínculo contratual direto com
as empresas executoras.
De acordo com o
levantamento, o Estado com o maior número de obras paradas é o Maranhão e o
segundo é o Pará, com 127 construções abandonadas. A Bahia aparece em terceiro
lugar, com 100 obras paradas. A obra mais antiga que consta como inacabada no
sistema é escola de ensino médio profissionalizante iniciada em 2010 e
paralisada em 2013. A obra fica em Parauapebas, no Pará. A segunda obra mais
antiga está em Natal, Rio Grande do Norte. A construção foi iniciada em 2010 e
está paralisada desde junho de 2022, faltando apenas 2% para a conclusão.
A situação é preocupante
porque Estados e municípios, diante da crise enfrentada nos últimos tempos, não
dispõem de recursos próprios para concluir as obras, mesmo sabendo melhor do
que o governo federal do problema das crianças sem acesso ao ensino público,
mesmo aguardando o funcionamento ou a conclusão de obras de educandários em
suas comunidades há muitos anos. Pais, professores, líderes comunitários,
prefeitos, vereadores e deputados, entre outras autoridades reivindicam a
retomada das obras há muito tempo, sem resultados práticos, apesar das
justificativas apresentadas, como o comprometimento do futuro das crianças sem
educação básica.
Esse é um dos mais graves
problemas enfrentados pelo País na atualidade e nem a grave crise da
arrecadação pública justifica ou explica a existência de verbas para outros
gastos, incluindo viagens internacionais, enquanto não há recursos para
investimentos da importância da educação básica da infância e juventude
brasileiras, em tempos onde a tecnologia e o conhecimento estão cada vez mais
presentes em toda as atividades econômicas e sociais. Para minimizar o
problema, o governo teria de, pelo menos, cumprir as promessas de dar
prioridade à educação da população.
*O autor é deputado federal pelo Paraná
e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
(45) 98801-8722
Rua Três de Outubro, 311 – S. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR








0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial