O desempenho das contas públicas do País e do Estado
Dilceu Sperafico*
A dívida pública do
Brasil registrou novo aumento em fevereiro de 2024, alcançando o equivalente a
75,5% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme o Banco Central, com acréscimos
nas comparações com os 75,1% registrados em janeiro último e os 74,4% em
dezembro de 2023.
O recorde da série da
dívida bruta do País foi observado em dezembro de 2020, atingindo 87,6% do PIB,
devido às medidas fiscais adotadas para superar a pandemia de Covid-19. Em
cenário mais otimista, em dezembro de 2013, a dívida bruta havia ficada em
51,5% do PIB.
A Dívida Bruta do Governo
Geral abrange compromissos dos governos federal, estaduais e municipais,
excluindo o Banco Central e empresas estatais. Trata-se de informação
fundamental para agências globais de classificação de risco, na avaliação da
capacidade de solvência do País. Quanto maior a dívida, maior o risco de
inadimplência por parte da nação endividada, como acontece com qualquer empresa
ou cidadão.
Além disso, a Dívida
Líquida do Setor Público (DLSP) também registrou aumento em fevereiro deste
ano, chegando a 60,9% do PIB, na comparação com os 60,1% de janeiro último. A
DLSP alcançou o valor de 6,693 trilhões de reais. A dívida líquida é menor do
que a bruta porque também leva em conta reservas internacionais brasileiras, o
que influencia a avaliação do endividamento do País.
Já o Estado do Paraná
obteve bons resultados financeiros em 2023, com controle das contas públicas,
mesmo em período com elevação de despesas correntes. Conforme, a Secretaria de
Estado da Fazenda, o poder público reduziu a taxa de endividamento de 58,3% em
2022 para 48,7% em 2023. Os números indicam equilíbrio entre receitas correntes
e despesas obrigatórias. No ano passado as receitas correntes somaram 62,7
bilhões de reais, com aumento real de 3% na comparação com o ano anterior,
quando ficaram em 58,4 bilhões de reais.
Receitas correntes
abrangem recursos provenientes de atividades operacionais do governo, como
impostos, taxas, contribuições e transferências correntes. Já as receitas de
capital são originadas em operações financeiras e de capital, como venda de
ativos e operações de crédito, entre outras. O crescimento das receitas
correntes ocorreu durante cenário fiscal desafiador, com quedas na arrecadação
do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em setores
cruciais como energia, combustíveis e comunicações, determinadas pela União em
2022, com recuos de 36% a 39%, nos valores recolhidos.
De 2022 para 2023, as
despesas correntes do Estado empenhadas aumentaram 12% em termos reais,
passando de 46,4 bilhões de reais para 54,4 bilhões. Gastos com pessoal e
encargos sociais subiram de 29,6 bilhões de reais para 33,3 bilhões, com
aumento real de 8,0% no período. Juros e encargos da dívida apresentaram
incremento real de 19%, passando de 966 milhões de reais para 1,2 bilhão, e
outras despesas correntes apresentaram aumento de 26%, subindo de 15,8 bilhões
de reais para 19,9 bilhões.
As despesas de capital
empenhadas pelo Governo do Estado, que incluem amortização de dívidas,
investimentos e inversões financeiras, mantiveram-se estáveis, totalizando
7,352 bilhões de reais em 2023, valor semelhante ao registrado no ano anterior.
Outra despesa elevada em 2023 foi o pagamento de 1,7 bilhão de reais em
precatórios, com aumento de 19% em relação a 2022.
*O autor é deputado federal pelo Paraná
e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 15
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
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