A inesperada decadência do turismo em países europeus e asiáticos
Dilceu Sperafico*
Mesmo não acreditando em
muitas previsões e alarmes é impossível não reconhecer que a humanidade está
enfrentando grandes transformações inesperadas. Prova disso é o recuo do
turismo, mesmo sendo a principal fonte de receitas, empregos e desenvolvimento de
muitas cidades, regiões e mesmo países, todos dotados de boa infraestrutura,
qualidade de vida, belezas naturais preservadas e capacidade de bem recepcionar
os turistas. Mesmo assim, há cidades, regiões e até nações da Europa e Ásia,
especialmente, restringindo a presença de visitantes e a explosão deviagens,
que estariam levando autoridades e cidadãos a adotar medidas contra o turismo
em massa.
Essa reação inesperada
deve-se à superlotação de hotéis e logradouros públicos, insatisfação da
população local, danos causados aos recursos naturais e outros fatores locais.
Veneza, na Itália, por exemplo, se tornou a primeira cidade a cobrar entrada de
visitantes. Ao mesmo tempo, a cidade de Barcelona, na Espanha, vai proibir
aluguéis por temporada aos turistas para combater a falta de moradias. Isso
após moradores protestarem publicamente, com cartazes e pistolas d'água, para
afastar visitantes do exterior. Na cidade, os aluguéis aumentaram quase 70% na
última década.
Conforme especialistas, a
reação radical de beneficiários do turismo, pode ser explicada pela pandemia do
coronavírus e mais uma de suas consequências tardias, como é o aumento da lista
de cidades europeias que adotaram regras para tentar controlar o grande fluxo
de turistas depois da crise sanitária. Diante disso, segundo profissionais do
ramo, o turismo de massa na Europa pode estar entrando em retrocesso.
Dessa forma, Veneza está
tentando evitar a expansão do turismo de massa, pois a cidade flutuante recebeu
em 2023 20 milhões de turistas em área de apenas cinco km², que oferece 49 mil
leitos turísticos. Assim, se tornou a primeira grande cidade do mundo a cobrar
pela entrada de visitantes cinco euros ou mais de 30 reais. Também na Itália, o
parque das Cinco Terras, na Ligúria, formado por cinco vilas de pescadores, vai
cobrar ingresso para famosa passarela costeira conhecida como o Caminho do
Amor. Só haverá visitas com horários determinados e vagas limitadas.
O ano de 2023 foi recorde
do turismo italiano com 70 milhões de visitantes estrangeiros, o que foi ótimo
aos cofres públicos, mas não tão bom para os famosos monumentos, como o
Pantheon, cujos mantenedores lutam para encontrar equilíbrio entre as
recompensas econômicas e os enormes custos da recepção aos grandes fluxos de
turistas. Conflitos e contradições semelhantes são enfrentados há algum tempo
por várias cidades europeias, que começaram a traçar linha entre o crescimento
dasendas e o aumento do número de imóveis retirados do mercado imobiliário
residencial para serem alugados a turistas a preços mais elevados.
A Espanha é um dos três
países mais visitados por turistas no mundo, juntamente com a França e os
Estados Unidos. Já na Ásia, a Ilha dos Deuses, em Bali, na Indonésia, sofre o
reflexo do turismo em excesso, após receber em 2023 mais de 5,2 milhões de
turistas e a expectativa para este ano é atrair sete milhões de pessoas. Por
isso, o governo da Indonésia passou a cobrar de turistas taxa equivalente a 50
reais para entrar na ilha. Comunicado afirma que o valor será usado para
preservar a cultura e o meio-ambiente local.
*O autor é deputado federal pelo Paraná
e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 15
Editoria: Wanderley Graeff - Karine Graeff
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