26/10/2024

O que é o vício em apostas? Psicólogo alerta sobre os sinais e orienta os cidadãos




A popularidade e os problemas enfrentados por apostadores com o “jogo do tigrinho” e cassinos on-line ganharam notoriedade nos últimos tempos – revelando uma verdadeira febre de apostas, despertando a atenção sobre os graves transtornos provocados na vida pessoal, profissional e social dos brasileiros. O vício em jogos de azar foi o tema do programa Assembleia Entrevista, na TV Assembleia, sexta-feira (25), com o psicólogo Paulo Porto, doutor (PhD) em Psicologia Clínica e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
 
Porto desenvolve inúmeras pesquisas na área da Psicologia, confessa ser apaixonado pelos estudos em saúde mental e por ajudar pessoas a viverem de maneira mais plena e satisfatória. Segundo ele, o vício em jogos (nas mais diversas modalidades) acaba gerando um sofrimento psicológico, de dependência e grandes impactos econômicos. “As pessoas deixam de pagar contas ou comprar o básico (comida, por exemplo) porque fizeram apostas”, relata. O especialista descreve o vício em apostas como um padrão de comportamento no qual a necessidade de jogar prevalece frente a outros interesses vitais da pessoa, de sua família e de outros que convivem com o viciado.
 
DEPENDÊNCIA - O psicólogo entende que não há problemas em apostar, desde que esse ato não traga dependência, e nem consequências para a vida do apostador e daqueles que fazem parte do seu cotidiano. No entanto, frisa que a prática, essa satisfação momentânea gerada pelas apostas, pelas promessas de ganhos fáceis, passa a ser considerada um problema de saúde, quando a pessoa perde o controle. Dessa forma, considera fundamental que o apostador reconheça a sua condição, se questione e tenha disposição em buscar ajuda profissional, especializada.
 
Divulgada no início de outubro, uma pesquisa do Instituto DataSenado revela que homens até 39 anos com ensino médio completo são os maiores usuários de aplicativos de apostas esportivas no país. De acordo com a publicação Panorama Político 2024: apostas esportivas, golpes digitais e endividamento, 13% dos brasileiros com 16 anos ou mais — o equivalente a 22,13 milhões de pessoas — declararam ter participado de “bets” nos últimos 30 dias.
 
Entre os entrevistados que realizaram apostas esportivas, 62% são do sexo masculino. As mulheres representam 38%. A maioria dos apostadores (56%) tem entre 16 e 39 anos, seguidos das faixas entre 40 e 49 (17%), 50 e 59 (13%) e 60 anos ou mais (14%). Em relação à escolaridade, 40% têm o ensino médio completo. Outros 23% têm o ensino fundamental incompleto e 20% têm o ensino superior incompleto ou mais.
 
Viver Toledo - Ano 16
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