O crescimento da demanda e oferta de alimentos industrializados
Dilceu
Sperafico*
Para nosso
orgulho e satisfação, o Brasil que já era considerado o celeiro de alimentos do
mundo, também está passando a ser o grande supermercado do planeta. Isso porque
a partir de 2023, se consolidou como País que mais exporta alimentos
industrializados e não ultraprocessados, para o resto do mundo. Cerca de 190
países compram esses alimentos do Brasil e voltam a adquirir mostrando
confiança na qualidade e segurança dos produtos industrializados do País. No 1º
semestre de 2024, o Brasil bateu recorde nas exportações de alimentos
industrializados, atingindo saldo de 30,7 bilhões de dólares ou 169,3 bilhões
de reais. Com isso não ganharam apenas o agronegócio e as indústrias do setor,
pois também cresceu o número de profissionais brasileiros trabalhando nas
fabricas de alimentos. Somente no 1º semestre do ano passado foram mais de 150
mil novos postos de trabalho diretos ou indiretos gerados pela atividade.
O crescimento
da demanda de alimentos industrializados é resultado da expansão da economia e
da geração de empregos, no País e no mundo, mas as crises climáticas também
despertaram a atenção de consumidores para os desafios da produção
agropecuária. Excessos de chuvas, secas e fogo nas lavouras fazem o mercado
internacional de alimentos se voltar mais para o Brasil. Ocorre que o País dos
infinitos campos de soja, milho, café e trigo também ganhou nova embalagem no
mercado externo de alimentos industrializados e matérias-primas. Como destacam
especialistas, se o trigo vira macarrão para a exportação, a força da balança
comercial brasileira não se limita mais ao campo, pois também está se
fortalecendo nos grandes centros urbanos. Isso porque dá ritmo às fábricas e à
economia do País, gerando pesquisas, inovações, novos produtos, investimentos,
tributos e empregos.
Dessa forma, a
imagem do Brasil como grande produtor mundial de alimentos vai incluindo as
indústrias do setor. Ocorre que a transformação envolve indústrias de
embalagens e químicas, principalmente no que diz respeito a conservantes,
colorantes e temperos, entre outros produtos, gerando uma nova cadeia
industrial gigantesca. São novidades fantásticas para o agronegócio e o País
que precisa urgentemente retomar o seu processo de crescimento sustentado,
gerar novos empregos e oportunidades de negócios e aproveitar seu potencial
para a produção de alimentos sustentáveis. Como são seus recursos hídricos,
topografia e fertilidade do solo, extensão territorial, clima favorável,
competências dos agricultores e fidelidade de países importadores.
Ocorre que a indústria
compra cerca de 61% do que é produzido no campo e tudo que se perde nas
lavouras pode vir afetar a oferta e a disponibilidade de alimentos no médio e
longo prazo. Diversos setores industriais têm investido bastante em
sustentabilidade, exatamente para evitar os efeitos negativos que podem ser
gerados pelos problemas climáticos que o planeta enfrenta. Está certo que o
consumo de alimentos naturais é mais saudável, mas com a maior oferta de
empregos e oportunidades não são todas as esposas e mães que podem preparar a
alimentação da família todos os dias ou adquirir pratos prontos nos
restaurantes, o que as obriga a comprar produtos industrializados para as
refeições da família, a preços mais acessíveis. Em nossa região temos muitas
indústrias que oferecem alimentos saudáveis para consumidores do mundo inteiro.
*O autor é
deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 16
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