15/04/2025

Cardeal toledano celebrará nesta terça com a cruz da primeira missa no Brasil

Cruz da primeira missa em solo brasileiro - Divulgação


Está em solo brasileiro desde a noite de segunda-feira a cruz utilizada na primeira missa celebrada no Brasil, em 26 de abril de 1500. A peça histórica do descobrimento do país veio de Portugal para dar início a uma série de celebrações religiosas na Semana Santa pelo país.
 
A cruz, que fica no Museu da Sé de Braga, em Portugal, saiu em peregrinação por cidades portuguesas no último sábado (12), passando por Braga, Fátima, Cascais e Lisboa. Já no Brasil, ela ficará até 27 de abril e passará pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Pará, além do Distrito Federal.
 
Toledo terá participação na primeira celebração no país com a cruz original. Ao meio-dia desta terça-feira, o arcebispo metropolitano Odilo Scherer, cujas raízes familiares e religiosas estão em Toledo, celebrará missa na Catedral Metropolitana de São Paulo (Catedral da Sé). Logo após, a cruz sairá em procissão com os Arautos do Evangelho, saindo da Catedral da Sé em direção ao Pateo do Collegio, no Centro Histórico.

Uma cerimônia institucional na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está prevista para às 15h, seguindo-se, às 16h, um ato ecumênico na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e, às 19h, haverá visita institucional ao governo de São Paulo no Palácio dos Bandeirantes.
 
As peregrinações da cruz original fazem parte do evento "Brasil com Fé - Celebrando os 525 Anos da Primeira Missa no Brasil, Terra de Santa Cruz", realizado pelo Movimento Brasil com Fé, Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor e o Instituto Redemptor.
 
De acordo com a organização do evento de peregrinação, “a cruz original transcende seu significado religioso, simbolizando amor, união e interconexão entre povos. Neste Ano Jubilar, marcado pela esperança e desejo de renovação, a peregrinação desta cruz une passado e presente, reforçando valores de fraternidade e celebrando a rica diversidade cultural e espiritual. O evento também visa promover o diálogo de cooperação entre instituições de destaque”.
 
Várias cerimônias serão realizadas em várias cidades brasileiras. As últimas atividades ocorrerão no dia 26 de abril, em Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália-BA, finalizando com a celebração dos 525 anos da primeira missa no país. No dia 27, a cruz iniciará o retorno a Braga, Portugal.

Primeira Missa no Brasil é um dos atos de fundação do país
A primeira Missa no Brasil, celebrada em 26 de abril de 1500, na Praia de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, Bahia, é reconhecida como um marco da história nacional.
Primeira missa, em tela de Victor Meirelles
Presidida pelo franciscano Frei Henrique de Coimbra, o evento na Aldeia do Descobrimento reuniu portugueses e indígenas dias após a chegada de Pedro Álvares Cabral.
 
Mais do que consagrar a terra ao cristianismo, a missa representou um encontro entre culturas e crenças distintas.
 
O padre Júlio Maria de Morais Carneiro narrou a cena da seguinte forma em seu livro “Catolicismo no Brasil”.:
 
"Frei Henrique obteve de Cabral o consentimento para que todas as pessoas desembarcassem e, armando um altar portátil, celebrou o Santo Sacrifício da Missa, entre as tripulações dos navios e sob o olhar de uma grande reunião de gentios que, cheios de admiração, não sabiam descrever o que viam".
Cruz original está no Museu de Braga, em Portugal
A cruz usada na primeira Missa encontra-se preservada no Museu da Sé de Braga, em Portugal, desde o século XVI. Além de seu papel religioso, ela simboliza amor, união e conexão entre os povos.
 
Guardada há mais de 500 anos, a peça reflete o legado do encontro de 1500, carregando valores que atravessam o tempo e as fronteiras entre Brasil e Portugal.
 
A primeira Missa marca um ponto alto da história do nosso país
Era uma quarta-feira de Páscoa, 22 de abril de 1500, quando o mar trouxe uma frota portuguesa ao que hoje chamamos de Brasil.
 
Sob o comando de Pedro Álvares Cabral, mais de 1.400 homens cruzaram o Atlântico em 13 navios, com o sol refletindo nas velas enquanto o vento empurrava as embarcações rumo ao desconhecido.
 
Em 22 de abril, avistaram o que chamaram de Monte Pascoal, devido à descoberta durante a semana da Páscoa.
 
Quatro dias depois, no primeiro domingo após a Páscoa, 26 de abril, a areia da Praia de Coroa Vermelha, na Bahia, testemunhou um marco:
 
Frei Henrique de Coimbra, franciscano de túnica simples, ergueu uma cruz de madeira e celebrou a primeira Missa diante de uma multidão de portugueses e nativos, como narrado na Carta do Descobrimento.
 
O som do latim ecoou entre as árvores, enquanto olhos curiosos se cruzavam, de um lado, marinheiros cansados da longa travessia; do outro, indígenas que nunca haviam visto tais homens ou rituais.
 
A chegada foi batizada de “Descobrimento do Brasil” e abriu as portas de um território vasto, diferente de tudo que Cabral conhecia em Lisboa.
 
Antes desse dia, séculos de eventos prepararam o palco, e o que começou na Coroa Vermelha lançou as bases do crescimento e desenvolvimento do país.
 
Viver Toledo - Ano 16
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