Com auxílio do Tecpar, Paraná terá nova tecnologia europeia para sistemas agrícolas
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) concluiu um projeto de pesquisa para implementar uma nova tecnologia agrícola de controle biológico no Brasil. Desenvolvido originalmente para combater fungos, bactérias e pragas em lavouras da Europa, o produto foi adaptado às condições tropicais brasileiras. A solução inovadora, agora validada para diferentes cultivos e sistemas agrícolas e industriais do País, promete fortalecer a agricultura sustentável e a segurança alimentar.
INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL
O SteriCerto Plant é um condicionador vegetal inovador,
desenvolvido a partir de água submetida a um processo tecnológico exclusivo.
Por meio de filtragem e purificação, a água tem a estrutura molecular e carga
elétrica modificadas, ganhando propriedades oxidativas seguras. Ao ser aplicado
nas plantas, rompe a barreira celular de fungos e bactérias nocivas, sem usar
químicos ou deixar resíduos tóxicos. Além da proteção eficaz, o produto prepara
a planta para crescer mais forte, equilibrada e naturalmente resistente.
O
diretor industrial da Saúde do Tecpar, Iram de Rezende, explica que o instituto
realizou uma análise prévia do potencial do produto e concedeu o parecer
favorável para que pudesse tramitar com o apoio do Fundo Paraná de fomento
científico e tecnológico. “Cumprimos um ciclo de tropicalização desse produto,
que foi acompanhado pelos técnicos do Tecpar e o resultado muito promissor. Ele
agora entra numa fase comercial, com a instalação da empresa aqui no Paraná,
para produzir em uma escala maior”, salienta.
Ele
destaca que os fortes investimentos do Governo do Estado em ciência tecnologia
permitem avaliar e aprovar tecnologias usadas lá fora com sucesso e que têm
potencial de ser aplicadas no Paraná. “No caso do SteriCerto Plant, usamos até
territórios além do Paraná, porque a perspectiva é ter uma indústria para o
Brasil, não só para o Estado. Portanto o Fundo Paraná passa a ter um papel
voltado para a realidade brasileira e não só do Paraná”, pontua.
A
tecnologia oferece vantagens significativas para toda a cadeia produtiva. Para
os agricultores, melhora a saúde das plantas e a aparência dos frutos, reduz as
perdas nas lavouras e aumenta o volume da colheita, além de diminuir a
dependência de defensivos químicos, cortando custos e elevando a lucratividade.
Já os consumidores recebem alimentos mais saudáveis, com menos resíduos de
agrotóxicos e mais valor nutricional. Tudo isso sem alterar o sabor ou a
qualidade dos produtos.
POTENCIAL TRANSFORMADOR
POTENCIAL TRANSFORMADOR
O diretor da Ferticerto Soluções Orgânicas, Rafael de Boni da
Silva, destaca o potencial transformador da tecnologia para a agricultura
nacional. "A aplicação do produto mostrou efeito na redução de fungos e
bactérias, com possibilidade de diminuir volume e frequência no uso de
fungicidas, além de permitir combinação segura com defensivos agrícolas
convencionais aumentando sua vida útil pela preservação da molécula, resultando
em frutos mais saudáveis, nutritivos e com menor carga química", explica.
O
cônsul honorário da Hungria no Paraná, Marco Aurélio Schetino de Lima, enfatiza
o impacto e caráter estratégico da parceria. "Essa cooperação consolida o
Paraná como líder na produção orgânica de alta qualidade para mercados
internacionais. A tecnologia vai permitir exportar grãos e frutas em grande
escala, todos sem modificação genética e com redução significativa no uso de
pesticidas, mantendo os altos padrões que os consumidores exigem", avalia.
RESULTADOS COMPROVADOS
RESULTADOS COMPROVADOS
Entre 2023 e 2025, o produto passou por testes e validações em
instituições como o Tecpar e a Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Sul do
Brasil; e o Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semiárido da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Pernambuco, na Região
Nordeste. Os estudos envolveram a participação de cooperativas agrárias e de
pesquisadores de referência.
Nessa
fase do projeto, o produto foi adaptado ao contexto brasileiro, para validação
dos resultados já obtidos na Europa. Para isso, foram realizadas aplicações e
adaptações em diferentes culturas, climas e tipos de solo do Brasil. Os testes
aconteceram nas cidades paranaenses de Guarapuava, no Centro-Sul, e Paranavaí,
no Noroeste; e em municípios localizados nos estados do Mato Grosso do Sul, Piauí,
Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Os
resultados se mostraram promissores no controle de patógenos, pragas e insetos
presentes em diversos cultivos e também em frigoríficos e câmaras refrigeradas.
Na higienização de hortaliças, o produto apresentou um desempenho comparável ao
hipoclorito de sódio, considerado padrão ouro da sanitização, porém sem gerar
resíduos químicos nem alterar as características sensoriais dos alimentos.
Nos
testes com tomates, os pesquisadores constataram frutos mais pesados, melhor
aparência e menos perdas por fungos, mesmo em ambientes úmidos. Já os estudos
com maçãs, na Serra Gaúcha, a tecnologia alcançou a mesma eficácia que
fungicidas químicos, mas sem deixar resíduos e com mais sanidade e durabilidade
pós-colheita. Nas plantações de manga e uva do semiárido brasileiro, os frutos
ganharam sabor mais intenso, mais nutrientes e resistência contra doenças
causadas por fungos.
O
diretor da empresa parceira, Rafael Silva, destaca um dos resultados mais
impressionantes do produto na pós-colheita. "Na embalagem do morango, por
exemplo, conseguimos aumentar a vida de prateleira de 14 para 32 dias. Isso
aconteceu borrifando o produto imediatamente antes de fechar a embalagem, para
combater e retardar a ação do fungo antes de ele se proliferar dentro da
embalagem", explica.
Outro
destaque é o resultado dos testes para combater o vetor do greening dos citros,
uma praga que, desde 2014, tem causado prejuízos bilionários em plantações de
laranja. Ao combinar o produto com óleos essenciais, a pesquisa revelou alta
eficácia no combate ao psilídeo (inseto vetor).
Viver Toledo - Ano 17
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Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
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