Cartilha sobre saúde ocular na infância orienta pais e professores
Por Agência Brasil - O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) publicaram a cartilha Saúde Ocular na Infância. O material inclui temas como cuidados com a conjuntivite e o terçol, uso correto de óculos e maquiagem infantil.
“Com o retorno
às aulas, o material oferece a familiares e educadores orientações práticas e
seguras para cuidar da visão das crianças e adolescentes”, destacou o CBO em
nota.
A cartilha
conta com seis seções que abordam desde o desenvolvimento visual do bebê e da
criança até orientações sobre exames oftalmológicos.
Conjuntivite e
terçol
A seção
Quadros Oculares Comuns apresenta condições frequentes que podem afetar os
olhos das crianças. A conjuntivite viral, de acordo com a publicação, causa
vermelhidão, coceira e secreção nos olhos. Para aliviar os sintomas,
recomenda-se o uso de compressas frias e boa higiene, evitando o
compartilhamento de objetos pessoais.
Já para o
terçol, uma espécie de elevação ou bolinha dolorosa encontrada na pálpebra, a
recomendação é aplicar compressas mornas e massagear a região suavemente.
Outro problema
comum citado na publicação é a obstrução do canal lacrimal, que se manifesta
pelo lacrimejamento constante, sobretudo em bebês. Massagens suaves no canto
dos olhos, de acordo com o CBO, ajudam a desobstruir o canal. Se o problema
persistir após o primeiro ano de vida ou apresentar complicações, a orientação
é procurar ajuda médica.
Telas
Outro destaque
da cartilha trata do impacto do uso excessivo de telas na saúde ocular de
crianças. Para evitar o cansaço da vista e problemas a longo prazo, a
recomendação é evitar exposição a telas antes dos 2 anos e limitar o uso em até
três horas diárias na adolescência.
“A regra
20-20-20, a cada 20 minutos de tela, olhar para algo a seis metros de distância
por 20 segundos, é uma prática recomendada para aliviar o esforço visual. Além
disso, atividades ao ar livre, com exposição solar indireta, ajudam no
desenvolvimento saudável da visão”, detalhou o CBO.
Acidentes
domésticos
A cartilha
orienta ainda para o uso de óculos de proteção durante atividades manuais, além
de cuidados ao manusear objetos cortantes e atenção ao armazenamento de
produtos químicos fora do alcance das crianças.
Para crianças
que utilizam óculos ou lentes de contato, o acompanhamento médico periódico é
citado pela cartilha como essencial para ajustar a graduação e garantir o uso
correto e seguro.
Números
Dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 80% dos casos de
cegueira infantil poderiam ser prevenidos ou tratados por meio do diagnóstico
precoce.
De acordo com
o CBO, problemas de refração como miopia, hipermetropia e astigmatismo são
comuns na infância e podem atingir de 1,44% a 18,63% das crianças, dependendo
da região e do tipo de alteração visual.
“Quando não tratados, esses casos podem evoluir para quadros mais graves, como baixa visão ou até mesmo cegueira”, alertou o conselho.
Cuidados
O CBO alerta
que muitos desses problemas não apresentam sintomas claros no início. Pais e
professores, segundo a entidade, devem ficar atentos a sinais como dificuldade
para enxergar a lousa, aproximação excessiva de livros e telas e dores de
cabeça frequentes.
Marcos visuais
A entidade
destaca ainda marcos visuais que ajudam a identificar possíveis problemas:
- desde o
primeiro mês de vida, por exemplo, o bebê já deve ser capaz de fixar o olhar
por alguns segundos;
- aos 3 meses,
o bebê deve acompanhar objetos com o olhar;
- aos 9 meses,
o bebê deve reconhecer rostos familiares e reagir a expressões faciais.
“Se a criança
não atingir esses marcos ou apresentar sinais como desalinhamento constante dos
olhos e reflexo esbranquiçado na pupila, é essencial buscar um oftalmologista.”
“Mesmo sem
sintomas ou sinais de anormalidade, o exame oftalmológico completo é indicado
ao menos duas vezes na infância: entre os 6 e 12 meses e entre os 3 e 5 anos. O
desalinhamento constante dos olhos em qualquer idade ou intermitente após os
4-6 meses pode indicar estrabismo e também deve ser avaliado”, completou o CBO.



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