Sancionada a Lei do Médicos pelo Brasil
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| Marcello Casal Jr./Agência Brasil |
Por
Agência Brasil - O presidente Jair Bolsonaro sancionou a
lei que cria o programa Médicos pelo Brasil. O programa substituirá o Mais
Médicos, criado em 2013.
Ao todo, o Ministério da Saúde prevê 18 mil vagas para
médicos em todo o país, principalmente em municípios pequenos e distantes dos
grandes centros urbanos. Segundo a pasta, esse número amplia em 7 mil vagas a
oferta atual de médicos em municípios onde há os maiores vazios assistenciais
do Brasil. O programa também vai formar médicos especialistas em medicina de
família e comunidade.
Em entrevista à imprensa, o ministro da Saúde, Luiz
Henrique Mandetta, informou que os primeiros médicos contratados pelo novo
programa começarão a trabalhar em cerca de quatro meses.
"Já iniciamos a construção do processo seletivo,
esperamos trabalhar com isso no mês de fevereiro, para chegarmos com os
primeiros profissionais aproximadamente no mês de abril, porque é o tempo de
fazer, corrigir, publicar, ver as questões que normalmente são questionáveis em
relação ao resultado, homologar e já começar a colocar os médicos nos locais de
mais difícil provimento do país", afirmou.
Contratação
Os aprovados no programa serão alocados em unidades de
saúde predefinidas pelo ministério e terão dois anos para realizar curso de
especialização em medicina de família e comunidade. A valor da bolsa formação
que eles receberão será de R$ 12 mil mensais e gratificação de R$ 3 mil
adicionais para locais remotos ou R$ 6 mil adicionais para distritos indígenas,
além de localidades ribeirinhas e fluviais.
Para a função de tutor médico, serão selecionados
especialistas em medicina de família e comunidade ou de clínica médica. Após
aprovação em processo seletivo, estes profissionais serão contratados pelo
regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e serão responsáveis pelo
atendimento à população nas unidades definidas e pela supervisão dos demais médicos
durante o período do curso de especialização.
Os contratos com carteira assinada podem variar entre
quatro níveis salariais que variam entre R$ 21 mil e R$ 31 mil, já incluídos os
acréscimos por desempenho que podem variar entre 11% a 30% do salário – medido
pela qualidade de atendimento e satisfação da população – e dificuldades do
local. O valor também inclui gratificação (R$ 1 mil por mês) para os médicos
que acumularem o cargo de tutor. Além disto, há previsão de progressão salarial
a cada três anos de participação no programa.
Ao contrário do programa anterior, o Mais Médicos, no
Médicos pelo Brasil todos os selecionados deverão ter registro nos conselhos
regionais de Medicina (CRM). O programa
Médicos pelo Brasil seguirá coexistindo com o Mais Médicos, até que todas as 18
mil vagas do novo programa sejam preenchidas e os contratos anteriores cheguem
ao fim.
"Nós tivemos o cuidado de não acabar, não
extinguir a lei anterior, exatamente porque até que esse sistema vá fazendo a
seleção e vá conseguindo lotar e as pessoas vão se radicando, a gente fica com
aquela possível válvula de escape, que é um processo simplificado",
explicou o ministro da Saúde.
Revalida
O presidente Bolsonaro decidiu vetar a proposta aprovada
pelo Congresso Nacional, no mês passado, que permitiria a realização do exame
de revalidação de diplomas para médicos formados no exterior, o Revalida,
também por faculdades privadas. Ser aprovado no Revalida é uma condição
obrigatória para que médicos que não tenham diplomas expedidos no Brasil possam
ter registro no CRM e exercer a profissão no país.
Segundo o texto aprovado pelo Legislativo, as
faculdades privadas que poderiam revalidar os diplomas estrangeiros seriam
aquelas com notas 4 e 5 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade)
e que oferecessem cursos de medicina. Com o veto, apenas instituições públicas
de ensino mantêm a prerrogativa de revalidação.
Cubanos
Com a nova lei, os profissionais cubanos que atuaram
no Mais Médicos poderão ser reincorporados ao programa, por um prazo
improrrogável de dois anos. Para isso, terão de atender aos seguintes
requisitos: estar no exercício de suas atividades no Programa Mais Médicos, no
dia 13 de novembro de 2018; ter sido desligado do programa em razão do fim do
acordo de cooperação entre o Ministério da Saúde Pública de Cuba e a
Organização Pan-Americana da Saúde (Opas); ter permanecido em território
nacional até a data da publicação da Medida Provisória nº 890 (Programa Médicos
pelo Brasil) na condição de naturalizado, residente ou com pedido de refúgio.
Segundo o ministro da Saúde, dos pouco mais de 8 mil
médicos cubanos que chegaram a trabalhar no país pelo Mais Médicos, cerca 2 mil
permaneceram no país e poderão ser reincorporados ao programa por até dois
anos. Para seguirem atuando no país depois desse período, será exigida
aprovação no Revalida.








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